Tabagismo: um problema de saúde pública mundial
Para celebrar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, Ministério da Saúde lançou a campanha ?Viver bem é viver com saúde. Fique longe do cigarro?
Estima-se que o tabagismo responda por cerca de 200 mil mortes por ano no Brasil, além do que é considerado um problema de saúde pública mundial. A informação é do pneumologista Alisson Rodrigues. De acordo com ele, o fumo é a principal causa de morte evitável, pois é responsável diretamente pela maioria dos casos de enfisema pulmonar, câncer de pulmão, boca, esôfago e bexiga, além de aumentar o risco de infartos e derrames. Segundo o pneumologista, os sintomas causados pelo cigarro ocorrem, em geral, 20 anos após o início do consumo. “Por isso, os pacientes que chegam ao consultório com problemas respiratórios graves apresentam idade mais avançada, entre 60 e 80 anos”, destaca.
Conforme o profissional, que atua em São Miguel do Oeste, existem cerca de quatro mil substâncias tóxicas no cigarro. As que mais preocupam, entretanto, são a nicotina, causadora da dependência química, e o alcatrão, que é responsável pelo aparecimento de diversos tipos de câncer. “A pessoa que não fuma, mas convive com fumantes, é chamada de tabagista passivo. Não tem os mesmos riscos de desenvolver doença pulmonar grave como o tabagista ativo, mas pode apresentar tosse crônica, falta de ar, chiado no peito e sintomas de rinite alérgica. Por esta razão, deve-se ter o cuidado para não fumar em ambientes fechados, com crianças. Mães que amamentam também devem evitar o cigarro nesse período, devido ao risco de contrair asma, bronquite e pneumonias. O fumo também deve ser evitado durante a gestação, pois o recém-nascido de mãe fumante tem risco maior de apresentar baixo peso ao nascer, atraso no desenvolvimento e morte fetal intra-útero”, orienta Rodrigues.
Ao avaliar o cenário geral, o pneumologista salienta que atualmente se observa o aumento do número de mulheres fumantes e a diminuição de homens tabagistas. Com isso, houve um aumento significativo dos casos de câncer de pulmão em mulheres. Segundo ele, na década de 50, de cada 10 casos de câncer de pulmão, um era em mulheres. Nesta década, a relação diminuiu: para cada três homens com câncer de pulmão, há uma mulher. Segundo o especialista, todo paciente fumante há mais de 20 anos deve ser submetido a uma avaliação completa pulmonar, incluindo Raios-X de tórax e espirometria (exame para avaliar função do pulmão), pois quanto mais precoce o diagnóstico de doença respiratória, maior a chance de cura.
Para Rodrigues, a maneira mais efetiva de largar o cigarro é a conscientização da população com relação aos prejuízos à saúde. “Existem grupos de apoio, que consistem em apoio médico, psicológico e medicamentoso, que aumentam as chances de abandonar o vício. É fundamental salientar a importância de medidas preventivas para jovens, que incentivem não iniciar o hábito de fumar”, aponta o pneumologista.
CAMPANHA
NACIONAL
Nesta segunda-feira, dia 29, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Viver bem é viver com saúde. Fique longe do cigarro”, em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo. Durante o evento realizado no Rio de Janeiro foi lançada uma pesquisa que aponta que os adolescentes brasileiros não têm dificuldade para comprar cigarro, apesar de o país dispor da Lei Federal (n.º 8.069/1990) que proíbe a venda do produto para menores de idade. O percentual de meninas entre 13 e 15 anos que já comprou cigarro chega a 52,6% e a 48,1% entre meninos em algumas capitais do país. “A luta contra o tabaco tem que ser incansável por aqueles comprometidos com a saúde pública do nosso país. Hoje, o Brasil tem mais ex-fumantes do que fumantes, mas não podemos nos contentar com esse resultado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Para ele, o Brasil precisa aproveitar a oportunidade da Assembleia Geral da ONU, em setembro, que trará o tema das doenças crônicas não transmissíveis, para reafirmar a liderança na luta contra o tabaco.
Segundo o ministro, entre as medidas recentes para o combate ao fumo, foi emitida uma Medida Provisória que estabelece aumento dos impostos sobre cigarros, que será combinada com uma política geral de preço mínimo do cigarro. Com as mudanças, a carga tributária sobre o produto poderá subir dos atuais 60% para 81%, um avanço no combate ao tabagismo no país, pois pode reduzir o número de fumantes e desestimular o consumo precoce do produto. Segundo pesquisas, uma grande parcela do investimento em marketing feito pela indústria do tabaco é direcionada para atrair crianças e adolescentes. Além de embalagens coloridas e com designs elaborados, a indústria introduziu uma ampla variedade de aromas e sabores atraentes, capazes de mascarar o gosto amargo de todos os produtos derivados do tabaco. Ao torná-los mais atraentes e agradáveis ao paladar ou com maior potencial de causarem dependência, esses aditivos aumentam, consequentemente, a possibilidade de causar danos à saúde. Vários estudos indicam que os adolescentes são especialmente vulneráveis a esses efeitos e têm maior probabilidade que os adultos de ficar dependentes do tabaco. Muitos dos aditivos, inclusive o açúcar, ao serem queimados durante o ato de fumar, se transformam em substâncias altamente tóxicas e cancerígenas.
ATENÇÃO REGIONAL
Em São Miguel do Oeste, a Secretaria de Saúde, seguindo orientações do Ministério da Saúde, projeta ações voltadas ao combate do tabagismo no município. Uma das primeiras atividades planejadas e executadas no projeto Antitabagismo é a pintura de painéis, a fim de conscientizar a população para não fumar nos ambientes de saúde (internos e externos) e demais locais públicos. Os painéis que estão sendo pintados com a técnica de aerografia, poderão ser conferidos nas oito unidades, no posto central, na sede do NASF e no posto de vacinas.
De acordo com a secretária de saúde, Beatriz Soares, a equipe estará, na sequência, participando da Corrida Rústica da Independência, no dia 7 de setembro, com o tema Pare de Fumar Correndo. As ações realizadas serão encaminhadas ao Ministério da Saúde para que São Miguel do Oeste seja contemplado com o Projeto Antitabagismo, do Governo Federal, com o repasse de materiais que irão facilitar o trabalho local. “Queremos que toda a população se mobilize e abrace este projeto para fazermos com que o maior número de pessoas pare de fumar”, destaca a secretária.
Com o objetivo de sensibilizar a população, o setor de epidemiologia da Secretaria de Saúde de São José do Cedro, juntamente com as equipes das ESFs, lança a campanha contra o tabagismo no município, onde pretende atingir, principalmente, os adolescentes e jovens adultos. Segundo o secretário de Saúde, Ironi Fedrizzi, a campanha se concentra nos jovens porque são eles os maiores alvos das indústrias de tabaco. “O cigarro causa dependência química, o que torna difícil para o fumante abandonar o hábito. O consumo elevado agrava a dependência, o que aumenta a possibilidade de se contrair doenças debilitantes que podem levar à invalidez ou à morte”, enfatiza.
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