Suinocultores pedem preço justo para produzir
Sindicalistas definem como drástica a situação no setor produtivo da suinocultura e destacam que esse é o pior momento já enfrentado
Com a crise enfrentada pela suinocultura brasileira, é visível a preocupação dos produtores de suínos. As dificuldades vêm gerando o fechamento de granjas e redução de matrizes em várias cidades catarinenses.
O presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Losivanio de Lorenzi, explica que a crise não atinge amplamente a suinocultura, e, sim, diretamente o produtor de suínos. “Está inadmissível trabalhar e pagar muito caro para produzir um suíno. Muita gente está deixando a atividade por não ter mais lucro”, comenta ele, que destaca, ainda, que há muito tempo o setor produtivo vem enfrentando esse desequilíbrio. “A cada dia, a crise se aprofunda mais, porque o produtor fica endividado e paga mais para produzir, o que torna a propriedade insustentável”. Ainda segundo Lorenzi, o pagamento pelas matrizes alojadas no plantel está com um valor muito baixo. “Tem região vendendo a R$ 1,00 o quilo e isso é inadmissível”, contesta.
EXTREMO OESTE
No extremo oeste, o vice-presidente da ACCS e presidente do Núcleo Regional, Vilson Spessatto, diz que a situação está realmente complicada. “Além de ganhar menos, os produtores não têm mais para quem vender já que os pequenos frigoríficos também estão parando. Assim, está acabando o capital de giro”, relata. Conforme Spessato, municípios como Concórdia, Xavantina, Seara e Braço do Norte já decretaram situação de emergência devido à crise econômica no setor produtivo suinocultor. E isso, segundo ele, também pode ocorrer em alguns municípios do extremo oeste nos próximos dias.
O vice-presidente da ACCS e presidente do Núcleo Regional no extremo oeste completa, ressaltando que o baixo custo na venda tem relação com o excesso de produção que visava às exportações para Ásia, contudo “isso não aconteceu da forma esperada”. O farelo de soja, usado na alimentação dos animais, também está com o valor extremamente acentuado. “Nunca esteve tão alto, atualmente está sendo vendido a R$ 0,55 o quilo, sendo que o preço médio normal gira em torno de R$ 0,35 o quilo”. Para Spessatto, a estiagem que ocorreu nos estados do Sul diminuiu a produção de soja e contribuiu diretamente para o aumento.
REUNIÃO EM SJCEDRO
Ainda na quinta-feira, dia 28, secretários da Agricultura das prefeituras da região da Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina) estiveram reunidos em São José do Cedro para debater questões ligadas aos efeitos da estiagem dos últimos meses. Consequentemente, a crise no setor produtivo da suinocultura acabou ganhando destaque no encontro.
O secretário da Agricultura de Guaraciaba, Leonir Dilly, comenta que, no município, a maioria dos produtores já abandonou ou levarão a atividade pelo menos até o final do ano, pois “não há mais como continuar”. Ele ainda não descarta a possibilidade de Guaraciaba decretar situação de emergência em razão da crise econômica do setor. “Estamos articulando, ainda, a legalidade desse tipo de situação de emergência, porque geralmente decretamos isso em função de consequências climáticas, o que é um pouco diferente, mas estamos verificando a possibilidade”.
PREÇO DA CARNE SUÍNA PODE CAIR
Spessato destaca que articulações entre o presidente da ACCS, o governador Raimundo Colombo e representantes da Acats (Associação Catarinense de Supermercados) estão sendo realizadas em Florianópolis com o intuito de baratear a carne suína nos supermercados. “Para o suinocultor, o preço está baixo, mas o supermercado continua ganhando”, explica.
Já Lorenzi salienta que o governo não precisa comprar um estoque de carne, mas tem que pagar a diferença entre o que o mercado está pagando e o custo de produção. “Assim, o produtor não vai mais trabalhar no vermelho e terá na suinocultura sustentabilidade, com qualidade de vida”. Além disso, ele pede cautela aos produtores independentes. “Não é um momento de investimento e sim de manter e estabilizar a produção. Todo mundo tem que ter cautela”, alerta.
ATO PÚBLICO
De acordo com informações da ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos), como forma de protesto já estão confirmadas a presença de mais de 450 suinocultores de mais de 10 estados da federação em um ato público que será realizado em Brasília no dia 12 de julho. O principal objetivo do ato é concretizar políticas públicas que incentivem os suinocultores a continuar produzindo, entre elas estão: votação do PL (Projeto de Lei) 7416/2010, que inclui a carne suína na Política de Garantia de Preços Mínimos do Governo Federal; votação do PL 330/2011, lei das integrações; inclusão do setor nas medidas do Programa Brasil Maior, sobretudo com desoneração da folha de pagamento, o que atende sobretudo a indústria frigorífica e de insumos; prorrogação dos custeios pecuários e aumento do limite de crédito aos produtores; inclusão da suinocultura no PL 2092/2007, que trata da reestruturação do passivo do setor rural brasileiro, alongamento das dívidas; aprovação da LEC (Linha Especial de Crédito) para a indústria frigorífica; e o VEP (Valor de Escoamento de Produto) de milho para os estados do sul do Brasil e para São Paulo. Segundo Spessato, um ônibus lotado com suinocultores da região do Grande Oeste deve participar do ato em Brasília. A saída está prevista para o dia 10 de julho.
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