AGRONEGÓCIOS

Suinocultores esperam valorização após vendas à Coreia

Suinocultores esperam valorização após vendas à Coreia
Roberson Wagner/Folha do Oeste

Com cerca de 10 mil criadores, Santa Catarina é o maior produtor e exportador nacional de carne suína. São produzidas anualmente cerca de 850 mil toneladas, para um rebanho aproximado de sete milhões de cabeças, Santa Catarina é responsável por aproximadamente 27% da produção nacional de carne suína e por 35% das exportações brasileiras.

Nesta semana o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) anunciou que o Governo da Coreia do Sul autorizou a importação de carne suína in natura produzida em Santa Catarina. Esta será a primeira vez que um estado brasileiro exporta carne suína para a Coreia do Sul.

O secretário de Agricultura de SC, Moacir Sopelsa, comemorou o fato, destacando que é uma conquista importante para os suinocultores catarinenses e só foi alcançada após dez anos de negociações, onde o status sanitário diferenciado foi um fator decisivo para a abertura do mercado sul coreano. "Santa Catarina é reconhecida internacionalmente pela excelência sanitária de seus rebanhos, sendo o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação e também livre de peste suína clássica, com certificados da Organização Mundial de Saúde Animal", argumenta.

A Coreia do Sul assim como o Japão, é um grande importador de carne suína e compra cerca de 800 mil toneladas do produto por ano. A expectativa é de que Santa Catarina envie anualmente 33 mil toneladas de carne suína para aquele país, o que representa uma receita de US$ 108 milhões. Hoje o estado exporta quase 190 mil toneladas por ano e as vendas para a Coréia do Sul podem incrementar as vendas entre 17 e 20%.IMG_8001 - Cópia.JPG

Na comunidade de linha Jacutinga Guamerim, interior de São Miguel do Oeste, o agricultor Rudinei Barbieri, trabalha com os suínos na chamada "fase de creche". Os animais chegam com o peso aproximado de 8kg e durante os 42 dias que ficam sobre os cuidados da família de Barbieri chegam a cerca de 23 kg. Então, eles são encaminhados para outros produtores para a fase de terminação. "Cada lote que recebemos tem 1.370 suínos. Eu trabalho com suinocultura há seis anos e a atividade está  pagando o investimento, porém não sobra muita coisa", afirma.

Barbieri lamenta que as agroindústrias acabam não reconhecendo e não contemplando financeiramente o trabalho dos suinocultores, que atuam durante os 365 dias do ano cuidando do plantel. "Todo o ano vejo notícias de agroindústrias fechando o ano com lucros absurdos. São vários critérios analisados que levam em conta o pagamento que recebemos, que gira em torno de 4 a 5%, mas o mais justo seria o pagamento ser de 10% do valor do lote. Evidente que buscar novos mercados é muito importante, mas merecemos uma melhor remuneração", destaca.

 

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