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Segurança pública feita no Brasil se destaca até em relação a países desenvolvidos
A afirmação é do capitão da Polícia Militar de SMOeste, Jonas Binder, que participou por um ano da missão de paz da ONU no Sudão do Sul
Depois de um ano em missão de paz no Sudão do Sul, país africano recentemente criado, o capitão Jonas Binder está de volta a São Miguel do Oeste, no 11º Batalhão de Polícia Militar, onde assumiu a função de chefe de planejamento e operações.
De acordo com ele, os 12 meses de serviços prestados junto à ONU (Organização das Nações Unidas) representam uma experiência valiosa e incomparável. “As experiências profissionais do Brasil foram de suma importância e demonstram que a segurança pública no Brasil está muito à frente até mesmo de países conhecidos como primeiro mundo ", destaca.
Enfrentando os ataques de guerrilhas, o capitão contraiu malária duas vezes, mesmo assim manteve-se na missão de treinar os policiais do Sudão do Sul. Diariamente, o efetivo era monitorado e orientado para o serviço de investigação, de policiamento no trânsito, de combate à violência doméstica e de respeito aos direitos humanos. Também eram levadas em conta as ações para melhorar as condições de trabalho dos policiais em acordo com os padrões exigidos pela ONU.
PRECARIEDADE
Segundo Binder, nos primeiros cinco meses de missão essas atividades foram realizadas na cidade de Akobo, no Estado de Jongley, próximo à fronteira com a Etiópia. “A base da ONU nesse local era um lugar muito precário para se trabalhar, pois não havia água potável e nem água corrente. Não havia alojamentos adequados, Não havia eletricidade 24h por dia e o serviço de telefonia e internet eram demasiado precários”, conta revelando que esta é uma das bases que ainda requer muita atenção por estar localizada em zona de conflito entre duas tribos em guerra e pela ação de rebeldes, guerrilhas e milícias contra o exército nacional.
Para ilustrar melhor essa situação, o capitão conta que em 21 de dezembro de 2012 foi derrubado um helicóptero da ONU nessa região e os quatro tripulantes russos foram mortos. No último dia 09 de abril um comboio da ONU foi atacado por uma guerrilha onde cinco boinas azuis foram mortos.
DESAFIO
No final de agosto do ano passado, o policial brasileiro foi remanejado para a cidade de Torit, a capital de Eastern Equatoria State, na fronteira com Uganda. Ali a estrutura e as condições de trabalho eram melhores. Havia uma base da ONU maior e melhor equipada, com alojamentos, água encanada e tratada, eletricidade e um ambiente menos insalubre. Nessa cidade a maioria das pessoas falava inglês, o que praticamente dispensava o emprego dos interpretes do idioma árabe.
Na nova base, o capitão precisou acumulou com as demais atividades de instrução e treinamento policial, a função de Oficial de Logística da ONU para aquele estado. “Esta parte da missão durou os últimos sete meses e foi a mais problemática, pois eram poucos os policiais da ONU para desempenharem as atividades de treinamento policial e a atividade de logística demandava muita atenção, pois todas as atividades da ONU naquele estado dependiam dela”, cita.
PERIGO
Nessa região, conforme ele, além dos conflitos entre as tribos e a presença de guerrilhas armadas, ainda havia o perigo das minas terrestres. Nos últimos três meses de missão, durante patrulhas em comboios de veículos da ONU, em duas ocasiões Binder deparou-se com a estrada fechada devido a presença de minas terrestres, ocasião em que foi necessário aguardar a chegada e a atuação do serviço de desativação de minas. “As minas terrestres são um dos maiores problemas nessa missão, pois ceifam a vida de dezenas de pessoas e deixam centenas delas mutiladas todos os anos. Nesse momento ainda existem mais de 700 áreas minadas no país que são resquícios das duas guerras civis que duraram mais de 25 anos e deixaram aproximadamente dois milhões de mortos e mais de três milhões de refugiados”, salienta o capitão.
Para o policial militar, esse período da guerra civil atrasou muito o desenvolvimento do país, pois apenas 5% da população têm acesso à eletricidade e menos de 30% da população é alfabetizada.
Jonas Binder frisa que muitas atividades da ONU num país como esse envolvem risco aos policiais, porque há muita instabilidade política, conflitos entre leis tradicionais e leis constitucionais, muitas pessoas pobres e muitas pessoas armadas, além de guerras internas entre tribos que, a qualquer momento podem chegar a envolver o efetivo da ONU, direta ou indiretamente, pois, para a maioria delas, um funcionário da ONU representa um invasor.
APRENDIZADO
A atividade policial em ambiente internacional permitiu troca de experiência devido às diferenças culturais entre os participantes da missão. Eram cerca de 600 policiais de 37 países, o que de acordo com o capitão, tornou possível constatar que os policiais brasileiros estão entre os melhores do mundo.
Ele ressalta que, um dos questionamentos mais feitos pelos policiais estrangeiros era por que um país grande como o Brasil enviava tão poucos policiais para participarem de uma missão de paz, já que eram somente cinco nessa missão. “No Sudão do Sul, o efetivo brasileiro era o menor dentre os 37 países participantes. A explicação para isso é simples e se deve aos rigores dos testes. O processo de seleção foi muito rigoroso e extenso, durando praticamente um ano, onde foram testados a capacidade de comunicação em língua inglesa, os conhecimentos das atividades da ONU, a habilidade na condução de veículos 4 x 4 e tiro, sendo que a última etapa do teste é uma entrevista por telefone (em inglês) com alguém do departamento de recursos humanos da ONU, e essa entrevista geralmente não é conduzida por um nativo de língua inglesa, o que a dificulta ainda mais. A chegada na área da missão se deu cerca de 5 meses após a entrevista, a etapa final do teste de seleção”, relata.
Major Marcelo de Wallau, capitão Jonas Binder e tenente coronel José Leopoldo Alves de Moura
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