INCENTIVO

Sebrae/SC apoia Expedição Bééé Brasil para fortalecer cadeia de ovinos e caprinos

Sebrae/SC apoia Expedição Bééé Brasil para fortalecer cadeia de ovinos e caprinos
Sara Bellaver/MB Comunicação

A ovinocaprinocultura catarinense reúne condições para ampliar espaço na economia rural, impulsionada por um mercado com demanda superior à oferta e pela articulação entre produção, indústria e instituições. Com esse foco, o Sebrae/SC apoiou o lançamento da etapa catarinense da Expedição Bééé Brasil, realizado na última sexta-feira, dia 14, em Chapecó. A iniciativa percorrerá todas as regiões do Estado para traçar um diagnóstico da cadeia e identificar caminhos para elevar produtividade, formalização e acesso ao mercado.

Para a gerente regional do Sebrae/SC Oeste, Marieli Musskopf, o setor ocupa posição estratégica entre as atividades com potencial de crescimento nas pequenas propriedades. “Entendemos que é uma cadeia que vem se desenvolvendo. Nosso apoio, por meio de consultorias, eventos e acesso ao mercado, busca preparar cada vez mais esses empreendimentos rurais para aproveitar as oportunidades do setor”, afirmou. Somente na Regional Oeste, o investimento do Sebrae/SC na cadeia supera R$ 800 mil em 2026.

Segundo o gestor do projeto estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, um diagnóstico realizado em 2024 apontou a cadeia como prioritária diante da demanda aquecida e da possibilidade de expansão da produção catarinense. “A produção estava reduzida e a demanda é muito grande. O trabalho busca conectar a propriedade, a indústria e o mercado para fortalecer todo o setor”, explicou.

O evento reuniu representantes de todos os elos da cadeia produtiva, entre produtores rurais, indústrias, frigoríficos, entidades de assistência técnica, instituições de ensino e pesquisa, associações e órgãos públicos. A programação também contou com degustação de carne de ovinos de raças leiteiras e derivados lácteos, com o objetivo de valorizar a qualidade da produção catarinense e aproximar o consumidor do potencial econômico do setor.

Coordenada pelo zootecnista Luciano Piovesan Leme, a Expedição Bééé Brasil prevê cerca de 115 visitas em Santa Catarina, sétimo Estado percorrido pelo projeto. O roteiro inclui todas as regiões do Estado, seguindo para Meio Oeste, Extremo Oeste, Norte, Sul e região litorânea. Ao final da etapa, será elaborado um diagnóstico com potencialidades e gargalos para subsidiar entidades e formuladores de políticas para o setor.

“Precisamos de cordeiro e falta cordeiro no mercado, mesmo com a importação. Então, temos um grande potencial de produção”, sublinhou Leme. Segundo ele, Santa Catarina reúne exemplos de organização e eficiência em pequenas e médias propriedades e tem condições de ampliar sua participação como fornecedora de carne ovina no mercado nacional.



MERCADO

Santa Catarina possui 349.499 ovinos, equivalentes a 1,6% do rebanho brasileiro, distribuídos entre cerca de 17,9 mil criadores. Na caprinocultura, são aproximadamente 33,9 mil animais e 3,8 mil produtores. O Estado ganha ainda mais relevância na ovinocultura leiteira: produz cerca de 390 mil litros, o equivalente a 41,5% do volume nacional.

Na carne, a diferença entre produção e consumo evidencia o espaço para crescimento. Em 2025, Santa Catarina importou 1,74 mil toneladas de carne ovina, volume equivalente a aproximadamente 96 mil cordeiros com carcaças de 18 quilos. O Estado respondeu por 33,6% das importações brasileiras do produto.

Os indicadores da produção local, porém, mostram avanço. Os abates oficiais de ovinos produzidos em Santa Catarina passaram de 8.419 cabeças, em 2016, para 28.282 em 2025. No mesmo período recente, a entrada de animais de outros Estados caiu de 67 mil cabeças, em 2020, para 32,7 mil em 2025, sinal de maior participação do rebanho catarinense no abastecimento.

A estrutura industrial instalada também favorece a expansão. Santa Catarina conta com 37 plantas frigoríficas habilitadas para o abate de ovinos, consideradas as unidades com inspeção federal/Sisbi, estadual e municipal distribuídas pelo território catarinense.

Para o coordenador da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos de Santa Catarina, Paulo Gregianin, o desafio está em transformar essa estrutura e a demanda existente em renda nas propriedades. A atividade se ajusta ao perfil fundiário catarinense por permitir maior número de animais por área, apresentar ciclo produtivo curto e ser conciliada com outras fontes de receita.

“Temos um rebanho em Santa Catarina estabilizado há alguns anos, com crescimento pequeno, mas existe uma oportunidade de mercado e viabilidade econômica. É uma atividade de alta densidade e cabe bem nas pequenas propriedades”, ressaltou. Oeste, Extremo Oeste e Meio Oeste concentram aproximadamente 42% do rebanho estadual, o que coloca a região entre os principais polos da atividade em Santa Catarina.



INVESTIMENTOS E FORMALIZAÇÃO

A estratégia de fortalecimento da cadeia reúne R$ 6 milhões em investimentos em 2026, considerados os recursos e ações articulados entre Sebrae/SC, Governo do Estado e Sistema Faesc/Senar/SC. As iniciativas abrangem assistência técnica e gerencial, consultorias tecnológicas, biotecnologias reprodutivas, gestão dos negócios, apoio às indústrias e acesso a mercados.

Para Felipi Andrade, um dos principais desafios está na formalização. A produção anual é estimada em 143 mil ovinos, mas apenas 28,3 mil seguem para abate inspecionado. Outros 114,7 mil aparecem nas estimativas de autoconsumo, cenário relacionado à forte presença da informalidade na cadeia.

A ampliação dos abates formais pode transformar uma produção já existente em renda, melhorar a conexão com a indústria e aumentar a segurança dos produtos que chegam ao consumidor. Nesse contexto, a capacidade frigorífica instalada no Estado representa um ativo importante para absorver uma eventual expansão da oferta.



PRODUTIVIDADE

Outro ponto central é a eficiência dentro das propriedades. Santa Catarina possui cerca de 210 mil matrizes produtivas e produção anual estimada em 143 mil cordeiros, média de 0,68 cordeiro por matriz ao ano. A meta do setor é superar um cordeiro por matriz e avançar para uma eficiência de 120%.

Para Paulo Gregianin, os ganhos passam por manejo sanitário, nutrição, reprodução, genética, padronização e gestão. O supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, destaca que a ATeG (Assistência Técnica e Gerencial) contribui para qualificar decisões e elevar o desempenho econômico das propriedades.

A possibilidade de conciliar a criação de ovinos e caprinos com atividades já consolidadas também amplia o potencial da cadeia. “O produtor vê que a atividade vale a pena. A vantagem é que pode ser conciliada com a bovinocultura de leite ou com outra atividade”, afirmou Barbosa.

Além do aumento da produção, o setor aposta em qualidade e regularidade para conquistar mercado. O consumo brasileiro de carne ovina permanece em cerca de 600 gramas por habitante ao ano, patamar que indica espaço para crescimento. Para a cadeia catarinense, o desafio combina duas frentes: substituir parte da carne que chega de fora e conquistar novos consumidores.





Sebrae/SC - MB Comunicação

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