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Saiba qual a alimentação correta do bebê
Pediatra orienta sobre como deve ser feita a alimentação complementar mais adequada aos pequenos
Após o nascimento, a primeira relação que o bebê tem com a alimentação é por meio do leite materno. O leite não é somente um veículo de energia e nutrientes. Satisfaz, também, outras necessidades, de natureza psicológica, como a de segurança e a de aproximação. A informação é da médica pediatra Daniele Piske Pohlmann (CRM-SC 9942 - RQE 4333). De acordo com ela, é aí que têm início vários sentimentos que influenciarão para sempre o comportamento da criança.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda aleitamento materno exclusivo até seis meses de idade, pois existem evidências consistentes dos benefícios da amamentação exclusiva até essa idade. A partir dos seis meses de vida, recomenda-se a introdução de alimentos complementares, sendo o aleitamento materno mantido por até dois anos ou mais. Segundo a profissional, considerando o desmame como um processo de desenvolvimento da criança, o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competência para tal. “O desmame natural pode ocorrer em diferentes idades, em média entre os dois e quatro anos, e raramente antes de um ano. Esse tipo de desmame proporciona uma transição mais tranquila, menos estressante para a mãe e para a criança, preenche as necessidades fisiológicas, imunológicas e psicológicas da criança, até que ela esteja madura para o desmame”, explica a pediatra.
Conforme Daniele, o período de introdução da alimentação complementar é uma fase de transição de elevado risco para a criança, tanto pela administração de alimentos inadequados, quanto pelo risco de contaminação, favorecendo a ocorrência de doença diarréica e desnutrição. A orientação adequada por profissionais de Saúde é de fundamental importância. Ela ressalta que é necessário lembrar que a introdução dos alimentos complementares deve ser gradual, sob a forma de papas, oferecidas com colher. A partir dos seis meses de vida, as frutas devem ser oferecidas preferencialmente sob a forma de papas e sucos, sempre em colheradas. “O tipo de fruta a ser oferecido terá que respeitar as características regionais, o custo, a estação do ano e a presença de fibras, lembrando que nenhuma fruta é contraindicada. Os sucos naturais devem ser usados, preferencialmente, após as refeições principais e não em substituição destas, em uma quantidade máxima de 240 ml/dia”, salienta.
Daniele aponta que a primeira papa salgada deve ser oferecida entre o sexto e o sétimo mês, no horário do almoço ou jantar, podendo ser utilizados os mesmos alimentos da família, desde que adequados, complementando-se a refeição com a amamentação, enquanto não houver boa aceitação. Tal refeição deve conter alimentos dos seguintes grupos:
* Cereais e tubérculos (arroz, milho, macarrão, batata, mandioca etc);
* Leguminosa (feijão, soja, ervilha, lentilha, grão de bico etc);
* Proteína animal (carne de boi, frango, peixe, vísceras, ovos);
* Hortaliça (legumes e verduras).
ORIENTAÇÕES
Segundo a médica pediatra Daniele Piske Pohlmann, os alimentos na mistura devem respeitar a seguinte proporção: para cada três partes do alimento base (cereal, raiz ou tubérculo), colocar uma parte de alimento protéico (de origem animal), uma parte de leguminosas e uma parte de hortaliças. A papa deve ser amassada, sem peneirar, nem liquefazer. Não se deve retirar a carne, assim como as fibras. O óleo vegetal e o sal devem ser usados em menor quantidade, assim como devem ser evitados caldos e temperos industrializados.
A profissional orienta que entre sete e oito meses deverá ser introduzida a segunda refeição de sal, respeitando-se a evolução da criança. Assim que possível, os alimentos não precisam ser muito amassados, evitando-se, desta forma, a administração de alimentos muito diluídos, e proporcionando uma oferta calórica mais adequada. “A criança amamentada deve receber três refeições ao dia: duas papas de sal e uma de fruta; e aquela não amamentada, seis refeições: duas papas de sal, uma de fruta e três de leite. Não se deve acrescentar açúcar ou leite nas papas, na tentativa de melhorar a sua aceitação, pois podem prejudicar a adaptação da criança às modificações de sabor e consistência das dietas”, alerta.
A exposição frequente a um determinado alimento facilita a sua aceitação. Em média, são necessárias de oito a 10 exposições ao alimento para que ele seja aceito pela criança. Conforme a pediatra, devem-se evitar alimentos industrializados como refrigerantes, café e chás contendo xantinas, embutidos, entre outros. Segundo Daniele, no primeiro ano de vida não se deve usar mel (acredito que deva ser), pois, nessa faixa etária, os esporos do Clostridium botulinum são capazes de produzir toxinas na luz intestinal e, consequentemente, o botulismo.
ACEITAÇÃO
A especialista destaca que é importante estar atento para o grande aprendizado que esse momento de introdução de novos alimentos representa para o bebê. A maneira como será conduzida a mudança do regime de aleitamento materno exclusivo para a dieta complementar poderá determinar atitudes favoráveis ou não em relação ao seu hábito e comportamento alimentar. “Nessa fase inicial se manifestarão as predisposições genéticas, assim como a preferência pelo sabor doce, a rejeição aos sabores azedos e amargos e uma certa indiferença pelo sabor salgado. Para as crianças em uso de fórmulas infantis (leites em pó próprios para a idade do bebê), a introdução de alimentos não lácteos, a partir dos seis meses de vida, poderá seguir o mesmo preconizado para aquelas em aleitamento materno”, lembra.
Daniele cita que, após o primeiro ano, a criança começa a desenvolver novas habilidades psicomotoras que lhe dão maior liberdade de movimentos e aumentam o interesse pelo ambiente que a cerca. Ao mesmo tempo, o alimento passa a ter importância secundária, levando as mães a fazer a queixa mais comum nessa idade: “Meu filho não come”. Situação que deve ser encarada pela família como normal. Quando os pais interpretam essa mudança de interesse como um problema ou doença e fazem pressão ou chantagem para a criança comer mais, o resultado pode ser o desenvolvimento de falta de apetite comportamental. “A atitude correta é deixar a criança explorar o ambiente que a cerca, que aliás lhe traz muito prazer, e intercalar a alimentação entre uma atividade e outra, desde que ela esteja crescendo adequadamente. Por outro lado, não se deve esquecer da formação dos hábitos alimentares, o que torna esse período muito crítico, ou seja, respeitar os interesses da criança, dar condições de crescimento e ensinar a comer uma dieta equilibrada. É preciso tranquilidade e dar exemplos de bons hábitos alimentares”, garante a médica pediatra.









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