Rota bioceânica Atlântico/Pacífico
Trechos ferroviários de carga ligando os portos do Brasil aos portos no Chile podem viabilizar o sistema logístico, reduzindo os custos de movimentação de carga
Na edição passada, o Folha do Oeste destacou os trabalhos da Ruta 27 na Argentina, obra que estreitará ainda mais o acesso Brasil-Argentina. O caminho também será parte da chamada rota bioceânica Atlântico-Pacífico, facilitando ainda mais o acesso entre os portos brasileiros e portos chilenos. Nesta edição, para falar um pouco do desenvolvimento da rota bioceânica, o Folha do Oeste recebeu a visita do presidente da Comissão Bi-Nacional Ponte Internacional Peperi-Guaçu Brasil/Argentina, Darci Zanotelli.
Zanotelli conta que esteve presente, semana passada, no Seminário de Integração Fronteiriça em Antofogasta, uma conhecida cidade portuária do Chile. O presidente da Comissão Bi-Nacional Ponte Internacional Peperi-Guaçu Brasil/Argentina comenta que na oportunidade foram tratadas com autoridades chilenas, bolivianas, peruanas e argentinas sobre os projetos dos corredores rodoviário e ferroviário bioceânico.
No encontro, Zanotelli diz que foi entregue um ofício da Frente Parlamentar Catarinense das Ferrovias e da Frente Parlamentar Mista das Ferrovias do Congresso Nacional. “Em nome da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), formalizei um convite aos governadores e empresários do centro oeste sul-americano para visitarem os setores industrial, comercial e a infraestrutura do estado de Santa Catarina”.
Inúmeros assuntos pertinentes ao corredor bioceânico foram amplamente discutidos. Os objetivos principais foram abordados nas reuniões que visam ao avanço dos projetos. Conforme Zanotelli, a rota bioceânica deve abrir as portas para mercados mundiais. O facilitamento no acesso entre os portos do Brasil com os portos do Chile deve ser benéfico para exportadores e importadores. “Uma viagem de caminhão saindo do oeste catarinense para Los Patos, no Chile, leva quatro dias. Por uma ferrovia levaria mais ou menos o mesmo tempo. Com o diferencial de ser 30% mais barato. É um ganho para importações e exportações que vai favorecer o consumidor final”, destaca.
Quanto aos portos do Chile, Zanotelli acrescenta que há o diferencial de serem mais econômicos tanto em ganho de tempo como em ganho financeiro. “Tudo o que for para a Ásia, os Estados Unidos, o México e o Canadá, teríamos um ganho que varia de cinco a 12 dias”, calcula.
Ele enaltece, ainda, que os portos do Chile possuem uma moderna infraestrutura, com uma ociosidade de ocupação de 30%. Além disso, com custos portuários bem inferiores aos do Brasil. “Uma grande vantagem para o setor empresarial com produtos para importação e exportação seria a redução do tempo nos negócios”, frisa.
A rota também está sendo considerada de extrema importância para o turismo bilateral entre os argentinos e brasileiros, pois vai reduzir significativamente a distância entre as praias de Santa Catarina e as principais cidades argentinas.
Para aqueles países que como o Brasil não possuem saída para o Oceano Pacífico, seria uma porta de acesso extremamente vantajosa para os mercados asiáticos, bem como para os da Austrália e Nova Zelândia. Ao mesmo tempo, países que não possuem saída para o Oceano Atlântico terão suas comunicações facilitadas com a Europa e o continente africano. E mesmo países sem saída para o mar, terão facilitado o comércio.
Os estudos estão sendo desenvolvidos no âmbito da categoria Prospecção do FEP (Fundo de Estruturação de Projetos). Constituído com parte dos lucros anuais do BNDES, o FEP apoia com recursos não reembolsáveis a realização de estudos ou as pesquisas que propiciem a formulação de políticas públicas ou a geração de projetos relacionados ao desenvolvimento econômico e social do Brasil e da América Latina.
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