Rodovias problemáticas: sinônimo de tragédias no trânsito

Rodovias problemáticas: sinônimo de tragédias no trânsito
Folha do Oeste

No Dia do Trânsito - alerta para motoristas e preocupação com a condição das estradas

Neste domingo, dia 25, comemora-se o Dia do Trânsito e a data é sempre foco de inúmeras campanhas, principalmente pela conscientização de motoristas e pedestres quanto às suas responsabilidades ao utilizar as vias públicas. Com serviços de transporte público precários e as facilidades para aquisição do carro próprio, o trânsito brasileiro tem se tornado sinônimo de problema. É cada vez mais comum ver apenas um pessoa em cada veículo, gerando os terríveis problemas de estacionamento, como o que está sendo registrado em São Miguel do Oeste, e os congestionamentos, que deixam de ser realidade somente dos grandes centros. SMOeste, por exemplo, registrava em 2010 mais de 22 mil veículos para uma população de pouco mais de 36 mil habitantes.
Além do trânsito complicado no perímetro urbano nas cidades, com muitos veículos rodando e com capacidade de carga cada dia maior, vem outro problema - a condição das estradas, que não foram projetadas para suportar um trânsito tão intenso. A BR-163 por exemplo, no trecho extremo oeste, conforme o superintendente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), João José dos Santos, foi projetada na década de 1960 para um tráfego de quatro a cinco mil veículos e hoje tem um fluxo de mais de dez mil veículos diariamente, somando-se a ele o transporte de carga. Segundo ele, obras de recapeamento são medidas emergenciais, mas que não resolvem o problema. A solução está na reconstrução da base desse asfalto. “Atualmente, essa é uma rodovia que não possui base e sub-base e por isso as recuperações feitas até o momento não têm atendido as necessidades. O maior problema está na BR-163, que foi construída em uma época que não se pensava nesse volume atual de carga”, explica. Projetos de readequação da BR-163, de São Miguel do Oeste a Dionísio Cerqueira, ao custo de R$ 120 milhões, eram anunciados ainda em 2008, porém, praticamente no último trimestre de 2011, ainda não há previsão de licitação das obras.
BR-282 é tema de estudo
Rodovias problemáticas, além do desgaste nos veículos, têm uma consequência direta - acidentes, muitos acidentes. No Oeste, o grande problema está BR-282, que já é chamada de rodovia da morte. Foi na BR-282, que corta o Estado e por onde é escoada grande parte da produção local, que se registraram duas das maiores tragédias do trânsito catarinense. Em 2007, 27 pessoas perderam a vida em um duplo acidente nas próximidades da ponte do Rio das Antas, em Descanso. Também em Descanso, na linha Santo Expedito, 29 pessoas morreram numa colisão frontal em março deste ano. Tragédias dessa proporção são esporádicas, mas servem de alerta para as pequenas tragédias diárias.
Na última semana, foi divulgado um estudo da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) que aponta serem necessários R$ 320 milhões para desafogar e melhorar as condições de segurança da BR-282, rodovia catarinense que vai de Florianópolis até Paraíso, na divisa com a Argentina. O trabalho mostra que a capacidade de tráfego da rodovia pode ser caracterizada como em fase de esgotamento. O trabalho avaliou in loco os 665 quilômetros da rodovia. O estudo sugere a implantação de terceiras faixas, a readequação de trevos de acesso, a restauração de pavimentos, a melhora da sinalização e o aumento do efetivo e de equipamentos da Polícia Rodoviária Federal. “As obras propostas exigem investimentos relativamente baixos, mas podem minimizar o número de acidentes, principalmente aqueles com morte”, diz o autor do levantamento, engenheiro Ricardo Saporiti.
Grande parte da economia transita pela BR-282, que atende um quarto da população catarinense. Somente a cadeia industrial instalada na região Oeste, que abrange o transporte de carne e insumos, movimenta cerca de 1,1 mil carretas de 30 toneladas por dia na rodovia. O setor de alimentos no Estado, com principal polo produtor na região, tem 3,4 mil indústrias, 96,8 mil trabalhadores e foi responsável por 39% das exportações catarinenses em 2010. O estudo da Fiesc mostra que, como o transporte das agroindústrias e dos diversos fornecedores de empresas de outros setores é terceirizado, os pequenos e médios transportadores enfrentam os altos custos de manutenção dos veículos. Há situações em que até 40% do faturamento do caminhão é destinado para a manutenção do veículo. Estatísticas da PRF, de janeiro de 2007 a julho de 2011, apontam a ocorrência de uma média de seis acidentes diários e uma morte a cada três dias no local da ocorrência.
Os investimentos propostos pelo estudo da Fiesc foram divididos em dois segmentos. Num deles, de Campos Novos até a divisa com a Argentina (355,7 quilômetros), estima-se que o custo das obras é de R$ 180 milhões. Este trecho é considerado crítico pelo fato de ter grande movimentação diária e índice elevado de acidentes. Ocorrem 6,5 acidentes por dia, com uma morte a cada três dias no local do acidente, sem contar os óbitos no transporte e nos hospitais, segundo dados da pesquisa.
Conforme o engenheiro, o Dnit está duplicando alguns dos segmentos mais críticos do trecho, como o contorno das cidades de Lages (sete quilômetros), Xanxerê (14 quilômetros), Chapecó (sete quilômetros) e Pinhalzinho (quatro quilômetros). “No entanto, as perspectivas de duplicação de toda a rodovia não são para médio prazo. Com isso, as obras sugeridas no trabalho da Fiesc buscam amenizar consideravelmente o número de acidentes, assim como os custos operacionais para os usuários da rodovia”, explica Saporiti.
 

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