Extremo Oeste define prioridades regionais durante plenária da Facisc com participação da Acismo |
Retomada movimentação por um tratamento oncológico mais próximo
Diariamente, ambulâncias de toda a região se deslocam à Chapecó para que pacientes possam realizar quimio e radioterapia
Há quase dois anos, São Miguel do Oeste a Chapecó tem sido o caminho percorrido todas as quartas-feiras por Nair Prates Ribeiro, de 76 anos. A moradora de SMOeste, que já teve câncer de mama, hoje faz quimioterapia semanalmente no HRO - Hospital Regional do Oeste. A rotina, na companhia do marido que a acompanha sempre, inicia às 6h30, horário que a ambulância de SMOeste se desloca a Chapecó, e só termina à noite, após atendimento de todos os pacientes migueloestinos. “Meu tratamento dura pouco mais de uma hora, e o restante do tempo ficamos sem ter o que fazer. O atendimento é ótimo, só tenho a agradecer, mas a distância percorrida torna o processo cansativo. É um mal necessário, e quem precisa se acostuma, mas não resta dúvida de que seria muito importante e facilitaria muito o processo se o tratamento fosse disponibilizado mais perto, como no Hospital Regional de SMOeste”, aponta. Nair salienta que o número de pessoas que necessitam de tratamento oncológico e frequentam o HRO impressiona. “Aquela ala de quimioterapia é lotada, é gente de toda a região em busca do tratamento”, relata a paciente, que destaca que se houvesse uma outra unidade oferecendo tais especialidades, amenizaria a movimentação no Hospital de Chapecó.
Ivo Gaikoski, de 61 anos, passou por uma cirurgia para retirar um tumor no pulmão e nos próximos dias deve iniciar a jornada para realizar quimioterapia em Chapecó. Ele ainda nem começou, mas já sabe bem como é, percorrer toda aquela quilometragem em busca de atendimento. “Todas as consultas e a cirurgia fiz em Chapecó. Desta forma, já estou preparado para encarar a estrada”, destaca. Assim como a paciente Nair, Gaikoski revela que o atendimento prestado é de qualidade e dedicação, porém ressalta que os fatores que tornam o tratamento mais complicado é o deslocamento para Chapecó e o tempo que se fica sem ter o que fazer no hospital, à espera do atendimento dos demais pacientes de SMOeste. “Com toda certeza, seria muito importante ter um atendimento mais próximo nesta área. Somos muito bem tratados lá, mas facilitaria o processo”, afirma.
De acordo com a assistente social e responsável pelo tratamento, fora de domicílio, da Secretaria Municipal de Saúde de SMOeste, Geni Girelli, são 1,3 mil pacientes do município que dependem de tratamento oncológico em Chapecó. O deslocamento de pacientes acontece todos os dias, algumas vezes até por dois veículos, devido ao grande número de pessoas. Segundo ela, alguns necessitam do atendimento por até seis anos, o que torna normal a rotina de percorrer toda a distância em busca do tratamento. Segundo a profissional, os pacientes que fazem quimioterapia retornam de Chapecó no mesmo dia, porém quem necessita de radioterapia acaba permanecendo na cidade durante toda a semana, para que o processo não se torne ainda mais cansativo, pois as sessões são realizadas todos os dias; desta forma, a saída é ficar em Casa de Apoio, pensão ou albergue. “É uma certa distância, mas é necessário, pois é o local mais próximo a oferecer esse tipo de tratamento”, salienta. Com base em relatórios, a assessoria de imprensa do HRO informou que mensalmente o hospital realiza mais de dois mil atendimentos de quimioterapia e aproximadamente 1,5 mil de radioterapia.
MOBILIZAÇÃO
A mobilização no sentido de oferecer tratamento oncológico mais perto da região extremo oeste foi retomada no início da segunda quinzena deste mês pelo deputado estadual Mauro de Nadal. Tendo em vista que a população do extremo oeste necessita dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia no município de Chapecó por ser a única opção disponível, e por não exigir longos e demorados deslocamentos até outros centros de referência em saúde, o parlamentar solicitou ao secretário de Estado da Saúde, Dalmo Oliveira, e ao secretário de Desenvolvimento Regional de Dionísio Cerqueira, Normélio Menegazzo, a implantação destes tratamentos no Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, de SMOeste.
Para o deputado, o atendimento a este pleito é urgente, pois facilitará o acesso a estes tratamentos, amenizando o sofrimento das pessoas que, além de enfrentar a doença, ainda se desgastam com longos deslocamentos pelas estradas e estadias longe de suas famílias. “Oferecer os tratamentos de quimioterapia e radioterapia em SMOeste também desafogará o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó”, conclui. O assunto já foi tema de discussão no mês de abril, momento em que a direção do Hospital Regional de SMOeste apontou à equipe do jornal Folha do Oeste que o Estado já havia sinalizado que o Ministério da Saúde dificilmente credenciará outro hospital na região para oferecer este serviço, uma vez que Chapecó supre a demanda. Desta forma, resta aguardar para ver se esta nova discussão terá um resultado mais animador ao extremo oeste.
Somente de SMOeste, 1,3 mil pacientes realizam tratamento em Chapecó
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