Ramos: ?Em 30 anos de vida pública, nunca ouvi alguém falar tanta besteira?
Presidente do Legislativo convoca coletiva, e guerra com o prefeito tem mais um embate em São Miguel
Dois dias após ser atacado em uma coletiva do prefeito Nelson Foss da Silva (PT), o presidente da Câmara de Vereadores, Flávio Ramos (PMDB), reuniu os veículos de imprensa de São Miguel do Oeste na manhã da última quinta-feira, defendeu-se das acusações e partiu para o ataque contra a atual administração. O prefeito fez duras críticas ao Legislativo, devido à rejeição de dois projetos, taxou Ramos de querer ser o dono da Câmara, que os vereadores estariam engessando o município e também sugeriu a destituição do vereador.
Segundo Ramos, o prefeito acusou ainda a Câmara de omissão, por não ter colocado na pauta o projeto da Reforma Administrativa, mas esta decisão foi baseada num parecer da assessoria jurídica, porque estão baixados dentro do prazo na Comissão de Finanças e Orçamento. “Temos esta prerrogativa de analisar. Quando ele coloca que eu deveria ser destituído, em 30 anos de vida pública, nunca ouvi tamanha besteira. A omissão teria ocorrido se eu não tivesse convocado a sessão extraordinária. O prefeito fala isso para criar um factóide e um clima de instabilidade”, diz.
Ramos sugere que isso faz parte de uma campanha do prefeito de querer mandar na Câmara de Vereadores, mas não consegue. “Isso é algo descabido, desproporcional e inaceitável. O prefeito busca criar uma crise institucional entre o Legislativo e o Executivo. Ele nunca se conforma com a votação e pensa que devemos votar conforme sua vontade. Se fôssemos uma filial do Executivo, poderíamos fechar as portas, pois precisamos de liberdade de atuação. Ditador é quem não aceita as decisões de um poder independente”, disparou.
Para o vereador, uma prova da irresponsabilidade do prefeito é dar férias ao secretário de Agricultura neste período de estiagem. “A cada pouco ele joga algo na imprensa para desviar o foco desta administração incompetente. Nó somos sempre os responsáveis por ele não poder cumprir as promessas de campanha”, reitera o vereador, que foi categórico ao dizer que tem certeza que termina esse mandato, mas o prefeito ele não tem certeza. “Eu já vi muitas Câmaras tirarem prefeitos, mas nunca um prefeito tirar vereadores. Estamos acompanhando uma série de questões e veremos de que forma vamos proceder”, completou.
O vereador ressaltou, ainda, que está havendo uma inversão de papéis, pois quem precisa fiscalizar e denunciar as questões é o Legislativo, mas toda semana a Câmara precisa ficar dando respostas por coisas que são jogadas no ar pela administração. Ele afirma não ter dúvida de que isso é uma antecipação da campanha política e uma estratégia de desviar o foco. “Um dia vai o prefeito, outro dia o secretário de Administração, o assessor jurídico e assim vai. É um rodízio para desviar o foco. Sigo a linha de pensamento do secretário de Estado da Agricultura, João Rodrigues, que disse que o prefeito não está à altura do município e nem preparado. Também vejo desta forma”, declarou.
Questionado sobre a condenação que teve por um ato no ano de 2002 quando era secretário de Educação em São Miguel e tachado de ficha suja pelo prefeito, Ramos lembrou que a questão estava relacionada a um curso de capacitação aos professores da rede municipal, que teria um custo de R$ 3 mil. “Fizemos uma parceria com uma empresa e o custo baixou para R$ 1.200,00. Esta empresa forneceu o material e o acompanhamento de profissionais, só que oferecemos o espaço para fazer este curso.
A Justiça entendeu que foi um curso legal, que existiu, mas que deveria ter sido feito no espaço da empresa e não em um local público. A Justiça ordenou o ressarcimento de R$ 480,00 e foi isso que aconteceu. Não me apropriei ou desviei recursos públicos, pois houve apenas um erro administrativo. Eu poderia ter recorrido desta decisão, pois a votação dos desembargadores foi de 2 a 1, mas decidi por conta própria pagar isso e dar um ponto final”, explicou.
Ramos ainda destacou que a desonestidade do prefeito causa indignação no Legislativo. “Em projetos aprovados por unanimidade, ele ainda sai dizendo que somos contra o município. Prova disso foi a agilidade em aprovarmos o projeto de calçamento no bairro Santa Rita, aprovado em 15 dias. O prefeito usa este jeito mesquinho e rasteiro em ações políticas, mas daqui a pouco a coisa vai endurecer aqui dentro da Câmara também. Percebemos que não é mais uma questão administrativa, mas sim política contra o Legislativo”.
Para os 11 meses que ainda restam em 2012, Ramos relata que espera a independência dos poderes e que as coisas aconteçam da melhor forma possível. Ele avisou que o prefeito precisa entender que no Legislativo o presidente não se assusta.
“Ele não vai pensar que vamos recuar. Tenho personalidade e vou falar aquilo que penso e encaminhar as coisas desta mesma maneira. Não vamos arredar o pé um milímetro em acompanhar, fiscalizar as ações do Executivo e preservar nossa soberania. É um ano de eleição, os ânimos estarão acirrados, mas saberemos lidar com isso”, finalizou.
Ramos (centro) conduziu a coletiva com Airton Fávero e Dete Fabiani, ambos do vereadores do PMBD
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