A produção de leite é uma atividade que se bem desenvolvida tende a propiciar bons resultados aos produtores. Mas, para se obter bons lucros é necessário conhecer bem o potencial de cada animal e também os recursos que a propriedade pode dispor. Na Cooperalfa, em São Miguel do Oeste, o gerente comercial Francisco Souza Leite, conhecido por Chico, explica que a cooperativa vem trabalhando desde o começo deste ano com o Programa Alfaleite. Com o auxílio do programa, os produtores podem conseguir um ganho de até 15%. ?O Alfaleite surgiu para dar uma definição na compra e comercialização do leite da cooperativa, também para dar sustentabilidade e maiores recursos para o produtor?, comenta.
Conforme o gerente, esse percentual pode ser alcançado depois de uma orientação técnica e também por meio de treinamentos. ?Investimos no produtor, para que ele consiga perceber onde pode estar melhorando. Possa evoluir e apresentar um crescimento percebendo os resultados?. Antes, o mercado pouco avaliava a qualidade do leite; hoje, no entanto, muitas empresas se preocupam e pagam justamente pela qualidade.
O Alfaleite é um programa que faz com que os produtores alcancem bons resultados, propiciando mais qualidade no leite. ?Para isso, temos técnicos disponíveis que acompanham os produtores e que detectam os gargalos da produção?, enfatiza Chico.
Além de dispor de recursos que orientam uma pastagem mais equilibrada, realizando aplicação de alguns produtos e uma adubação adequada, com base em uma análise apurada do solo, o projeto dispõe também de uma série de orientações sobre a criação de bezerras, objetivando um rebanho melhorado. O técnico agrícola Fábio Antonio Perego ressalta que o melhoramento genético é mais uma opção que está disponível, caso haja interesse e viabilidade do produtor. Com a técnica, pode-se produzir crias que resultem em ainda mais qualidade no leite.
O Alfaleite é um trabalho a ser realizado em longo prazo, e necessita que o produtor acredite no negócio. Chico ressalta que desde a implantação do projeto já houve uma boa aceitação dos produtores. ?Dessa maneira, os agricultores estão percebendo onde estão deixando de ganhar dinheiro?, comenta. Conforme o técnico agrícola, o programa possibilita que, com os mesmos animais ou até com menos animais, o produtor venha a ter mais resultados em produtividade e qualidade do leite e isso é consequência de uma pastagem melhorada, de uma boa sanidade e tratamento do animal. ?O produtor, buscando e concretizando qualidade, terá um preço diferenciado?, destaca Fábio.
Crise no Campo
Investir em qualidade e produtividade do leite, redistribuindo melhor os recursos, é sem dúvida uma boa alternativa para os produtores da região. Mas de acordo com o vice-presidente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Nelton Rogério de Souza, as excessivas, maciças e desnecessárias importações de leite do Uruguai estão prejudicando a cadeia produtiva brasileira de lácteos. Conforme ele, ?essa é uma das mais graves crises enfrentadas pelo setor?, destacando que, em plena entressafra, os preços ao produtor chegaram a cair 6% em julho em relação ao mês de junho, enquanto os produtos lácteos no varejo subiram no mesmo período. A crise do setor leiteiro decorre das importações predatórias de lácteos. Foram revogadas as licenças de importações não automáticas do Uruguai, facilitando a entrada de produtos no Brasil. Aproveitando um amplo mercado de quase 200 milhões de consumidores, o Uruguai está despejando sua boa safra de lácteos, principalmente o leite em pó, no mercado brasileiro.
Contando com a revogação de medidas restritivas do comércio internacional, como as licenças de importação não-automáticas e a ausência de cotas, de janeiro a julho deste ano, o Uruguai exportou para o Brasil 18,8 mil toneladas de produtos lácteos. O percentual representa 30% do volume total de lácteos importado pelo país no período. A liberação do mercado brasileiro de lácteos ao Uruguai faz parte de um acordo firmado no início do ano entre os presidentes Lula e José Mujica. O Uruguai se comprometeu a retirar as restrições sanitárias impostas à carne de frango brasileira em troca da livre exportação de lácteos ao Brasil. Ao contrário do presidente do Brasil, o representante do país vizinho, para preservar o mercado local, estabeleceu cotas de participação para o ingresso da carne de frango brasileira no Uruguai. Os lácteos uruguaios, porém, têm acesso livre ao Brasil.
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