EDUCAÇÃO

Professoras falam sobre ensino na pandemia

Professoras falam sobre ensino na pandemia
Folha do Oeste

O governo do Estado de Santa Catarina publicou um decreto no DOE (Diário Oficial do Estado), no dia 17 de julho de 2020, com a prorrogação do prazo de retomada na educação básica. De acordo com a nova medida, as aulas presenciais na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos e Ensino Técnico ficam suspensas até 7 de setembro, nas redes municipais, estadual, federal e privada em todo o estado de Santa Catarina.

Enquanto não há o retorno das aulas, professores enfrentam uma situação nunca antes presenciada, mediar por tecnologias os diversos conteúdos que deveriam ser abrangidos. O Folha do Oeste conversou com três professoras da rede pública estadual de São Miguel do Oeste, da Escola de Educação Básica São Miguel para entender como está este processo. São elas Rosangela Gavan, professora do Ensino Médio e Fundamental, que trabalha na escola há 23 anos, Janete Palu, professora do Ensino Médio e nono ano, atuante há 21 anos, e trabalha na escola desde 2004 e Sandra Trevisol Scapin, professora de séries iniciais e segunda professoras para alunos PCD (Pessoas Com Deficiência), que atua na área há 24 anos e há dois na escola São Miguel.

 Atualmente a ferramenta utilizada pela rede pública para o ensino é o Google Classroom. As professoras contam como foi se adaptar a esse novo formato no começo. Rosangela afirma que os profissionais da educação já conheciam as mídias digitais e trabalhavam com elas, mas o novo método e as novas formas de trabalho exigiram muita adaptação. "Exigiu bastante esforços e investimentos, tive que comprar equipamentos mais modernos, foi surpreendente e chocante, mas foi também um desafio, algo a ser superado, as tecnologias já estavam aí esse desafio já existia há anos, mas a gente é um pouco resistente também", afirma a professora.

Janete conta que elas passaram por uma formação de 40h a partir do dia 2 de abril, se preparando em tempo integral para poder atender as crianças e adolescentes. "Eles têm muita dificuldade, pois as ferramentas que eles dominam são as redes sociais, então até para postar um vídeo no Google Classroom eles têm dificuldades. Desde que os professores tiveram a formação do estado, aprenderam e aplicaram as lições, já os alunos ainda enfrentam diversas dificuldades", comenta a educadora. As professoras concordam que muitas vezes os alunos não querem participar das aulas por vergonha.

Sandra comenta que nas séries iniciais, alguns processos são diferentes. "Postamos as aulas no Google Classroom e depois enviamos pelo WhatsApp para os pais, para que os pais consigam aplicar aos filhos que não conseguem fazer sozinhos as atividades", comenta. De acordo com Sandra no início foi uma loucura, com uma adaptação muito intensa, e a profissional trabalhava de 13 a 15 horas diariamente. "Agora estamos em uma rotina. Tive que ensinar aos pais como fazer para eles ensinarem aos seus filhos", complementa.

As professoras defendem que é necessário desmistificar que o funcionário está em casa sem fazer nada. "O que percebemos é que ao afirmar isso, não se vê o outro lado, e só quem está em contato percebe isso. A gente tem o dobro ou o triplo de trabalho na verdade, por estarmos aprendendo a ensinar, ensinando alunos e pais e estando presentes para resolver dúvidas", opina Janete. Sandra complementa dizendo que muitas vezes os pais afirmam que não é compromisso deles dar aulas aos filhos. As profissionais ressaltam também que há quem critique e quem defenda o ensino em casa, mas para elas, essa deve ser uma realidade apenas excepcional, em razão da pandemia, e não um projeto maior de educação.

"Por outro lado, eu vejo que tudo isso teve um ponto positivo que é perceber o quanto os professores são importantes. Às vezes os nossos trabalhos não geram lucro. Quando o pai tem que fazer o nosso trabalho ele não dá conta, não consegue nem fazer o filho sentar. Eu tive mães que me ligaram perguntando como que a gente consegue", comenta Rosângela, complementando que ser professor vai muito além do que ensinar conteúdo, tem que ter controle, disciplina, paciência, e conhecimento, além de saber pensar nas diversidades que existem dentro de uma sala de aula.

As professoras esclarecem que a situação é complicada. Na rede pública são diversas realidades diferentes, apenas cerca de 60% realiza as atividades e que não há previsão de terminar o primeiro trimestre. Além disso, a escola também tem recebido mais alunos novos. Dessa forma, a maior preocupação das professoras é com os alunos que não fizeram ainda as atividades, e como será quando houver o retorno das aulas para estes alunos. Ao mesmo tempo elas entendem a realidade dos alunos que não veem a educação como prioridade, quando, em algumas situações, precisam trabalhar dobrado pois os pais perderam emprego em razão da pandemia.

Por fim, elas apelam que os pais sejam participativos da vida escolar dos filhos, principalmente neste momento em que a educação depende da ajuda os pais. "A educação ainda é uma oportunidade de ascensão social, uma chance que eles tem para conseguir mudar de vida", relembra a professora Rosângela sobre a importância do aprendizado. 

Plataforma se destaca na pandemia

O retorno das aulas presenciais foi prorrogado no estado de Santa Catarina para o dia 7 de setembro. Enquanto isso, as escolas e universidades dos setores públicos e privados enfrentam uma situação diferente do normal, como nunca antes presenciada. Neste cenário, muito debate-se sobre a melhor maneira de ensinar e aprender em tempos de pandemia, e dessa forma, surgem algumas ferramentas ganham prioridade por sua eficiência. Uma delas de destaque nacional é a plataforma de ensino Plurall. Em São Miguel do Oeste, um exemplo de seu uso é no Instituto Educacional CVE.

A Plurall foi desenvolvida pela Somos Educação, uma entidade que reúne diversas editoras além de desenvolver ferramentas, como esse ambiente virtual que foi criado em 2013 com foco em turmas de Ensino Médio e o Ensino Fundamental II. Esta plataforma hoje em dia integra 1,3 milhão de alunos em seu ambiente virtual de 4 mil escolas privadas, e antes da pandemia cerca de 400 mil estudantes já eram atendidos.

A diretora adjunta do Instituto Educacional CVE, Clair Bernardi Tomazelli, revela que a escolha dessa plataforma se deu pelo fato do Instituto utilizar alguns livros didáticos da Somos Educação, para ensino dos alunos do 6º ao 9º ano. "Então pelo uso dos livros a escola já havia iniciado o uso dessa plataforma, e agora com o surgimento da Covid-19 e decorrente pandemia, o processo foi acelerado. O maior uso é do 6º ao 9º ano, mas os outros anos também começaram a usar", afirma Clair.

A escola atende crianças desde os primeiros anos de idade até o fim do Ensino Fundamental II e dessa forma, durante a pandemia o atendimento aos alunos muda conforme a fase. De acordo com a coordenadora pedagógica, Rosangela Gasperin Fontana, do Maternal até o Pré II, todas as professoras, incluindo Inglês, Espanhol e Educação Física, planejam aulas uma vez por semana e enviam para todas as turmas. Assim, se planeja o tema para um período, uma ou duas semanas, cada professora escolhe uma história, grava um vídeo da narração e desenvolve atividades relacionadas ao tema e à idade das crianças. Para o Ensino Fundamental I, nas turmas do 1º e 2º ano, toda semana os pais retiram na escola o material impresso e devolvem as aulas executadas pelos alunos. As professoras também enviam vídeo aulas todos os dias com explicações de atividades. As turmas de 3º ao 5º ano, fazem o envio de materiais on-line ou impresso na escola, de acordo com a necessidade de cada um. Na medida que vão executando as aulas, retornam o material para correção. Todas semanas as professoras fazem chamadas ao vivo para a explanação do conteúdo. A coordenadora afirma também que para o Ensino Fundamental II os alunos têm duas aulas ao vivo todos os dias, através da plataforma Plurall onde recebem aulas e atividades para execução, as quais são reenviadas aos professores mais tarde. "São encaminhadas vídeo aulas de acordo com a carga horária semanal de cada disciplina e os professores estão disponíveis para esclarecer dúvidas quando surgir", afirma a profissional.

A bióloga e professora de Ciências do 6º ao 9º, Cristiane Piccinini conta que esse período de pandemia está sendo uma experiência desafiadora, tanto para professores como para os alunos. Segundo ela, é necessária muita disciplina, pois a mudança do espaço sólido a que eles estavam acostumados para experimentações dentro do ciberespaço exigiu adaptação rápida, sem muita preparação, nem tempo. "A situação emergencial nos fez abraçar a tecnologia como uma ferramenta pedagógica, a qual nos aproxima dos alunos, o que é fundamental no presente momento. A minha rotina diária mudou completamente. O computador que antes era usado para elaboração de material, avaliações e outras atividades corriqueiras, hoje é peça fundamental para desenvolvimentos das aulas e interação com os alunos e os colegas de trabalho", afirma a professora. Todas as atividades escolares passaram a ser desenvolvidas online, e dessa forma a profissional realiza aulas por meio de videoconferências semanalmente para explicar o conteúdo e tirar dúvidas. As atividades, trabalhos em grupos, reuniões, entre outras, passaram a ser realizadas via internet. "Nesse sentido a plataforma Plurall, adotada pelo CVE ajudou-nos bastante, pois temos um canal direto com os alunos. Na plataforma disponibilizamos material para leitura, vídeos, atividades e realizamos as videoconferências. Podemos acompanhar a realização dos trabalhos de cada aluno, como fazíamos na escola, porém agora, remotamente", comenta Cristiane.

Além da Plurall, os profissionais do Instituto CVE utilizam o Google Drive, a Plataforma Zoom e a Plataforma Meet. "Desde a primeira semana de isolamento social nos organizamos e usamos meios para desenvolver as aulas. Nos preocupamos para melhor aproveitar as mídias e disponibilizar de maneira rápida e adequada os conteúdos para todos os alunos da escola. Nos desafiamos, nos reinventamos e nos adaptamos a cada dia para que as perdas, para todos, possam ser minimizadas", comenta Rosangela.


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