Precisa-se de médicos no extremo-oeste

Precisa-se de médicos no extremo-oeste
Folha do Oeste

Há vários anos, dificuldade em contratar médicos é sentida na região

Sai ano, entra ano e a dificuldade de trazer profissionais médicos para a região persiste. A situação é ainda mais preocupante em municípios com menor número de habitantes. Nestas localidades, muitas vezes apenas um médico é o responsável pela atendimento de toda a população. Mas, e na falta deste profissional? Este é um dilema que já foi e continua sendo enfrentado por muitos secretários e administradores. No entanto, o que distancia os médicos da região? Como trazer estes profissionais para o extremo oeste?

De acordo com o ex-presidente do Colegiado de Saúde da Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina), Vittus Rittes, esta problemática não é da agora. Conforme ele, que esteve na área da saúde por 15 anos, há cerca de 10 que a região enfrenta dificuldades, quando o assunto é a contratação de médicos. “Essa é uma realidade de todo o extremo oeste, alguns com maior intensidade que outros, mas existe. Mesmo com a formação cada vez maior de profissionais da área, sempre enfrentamos dificuldades. Eu não entendo. Não posso afirmar que é por este ou por aquele motivo que isso acontece, mas acredito que os profissionais optam por centros maiores, pela tecnologia que existe naquela localidade e por se sentirem mais seguros. Pois, na maioria dos municípios interioranos, os médicos tem que assumir responsabilidades sozinhos, como ser o único responsável pelo atendimento de toda população. O que em cidades maiores, é uma responsabilidade assumida em equipe”, destaca.

No extremo oeste catarinense, a dificuldade na contratação de profissionais médicos atinge também a maior unidade de saúde da região, o Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, de São Miguel do Oeste. A informação é do diretor adjunto do hospital, Márcio Sottana. De acordo com ele, quando o assunto é contratação de médicos, há dificuldade para trazer à região desde clínico geral para urgência, até as demais especialidades. Além disso, poucos profissionais que são naturais do extremo oeste e se formam em outros centros, retornam para atuar aqui. Dos aproximadamente 50 médicos que atuam no hospital, menos da metade, são da região. “Talvez se houvesse uma formação mais próxima, se conseguisse absorver mais estes profissionais. Os médicos necessitam capacitações contantes, e em centros maiores isso é mais acessível, o que é um fator que pesa na escolha de vir ou não para o interior, e isso nos prejudica. Além da capacitação, as cidades grandes oferecem também mais opções de lazer e cultura”, avalia.

Segundo Sottana, outro fator que preocupa a direção do Hospital Regional no sentido de manter os médicos que ali atuam, é o fato de não ser alta complexidade. “Estamos buscando e precisamos o credenciamento em alta complexidade. Temos condições e profissionais capacitados. Alguns médicos já sinalizaram que se não houver esse credenciamento deixarão a região e isso nos preocupa”, lamenta.

O secretário da Saúde de Saúde de SMOeste, Airton Favero, afirma que no momento a secretaria não está enfrentando essa dificuldade, mas reconhece que existe esse problema de maneira regional. “A questão salarial as vezes é um problema, apesa de a região pagar razoavelmente bem. Acredito que a dificuldade de trazer médicos para o extremo oeste é mais uma questão cultural, de o profissional não querer deixar os grandes centros para atuar no interior do estado”, aponta. 

COMO MUDAR?

Para o diretor adjunto do Hospital Regional, Márcio Sottana, uma das formas de tornar as cidades interioranas mais atrativas, seria oferecer mais opções culturais e de lazer. “Outra saída para resolver essa dificuldade da região na contratação de médicos, acredito que seria por meio de incentivos aos profissionais, através de uma parceria com o governo. Uma espécie de auxílio bolsa, que beneficiasse médicos que optassem por atuar em instituições públicas e em cidades do interior do Estado. Com isso, os profissionais receberiam uma bonificação financeira. Pois acredito, que a remuneração também é uma questão que pesa na escolha”, considera.

Oferecer incentivo ao profissional que atua no interior, também é uma possível solução apontada pelo ex-presidente do Colegiado de Saúde, Vittus Rittes, para resolver este entrave do extremo oeste quando o assunto é a contratação de médicos. “Acredito que a oferta financeira da região não deve ser o maior problema. Já ouvi relatos inclusive de médicos, que os municípios menores pagam mais do que grandes centros. Porém, percebo que eles preferem receber um pouco menos, mas ter acessibilidade a tantos outros fatores, que apenas cidades maiores podem oferecer. Por esta razão, reforço a necessidade de oferecer algum incentivo aos médicos”, considera. 

Até o fechamento de edição, a equipe do Folha do Oeste, não conseguiu contato com representante regional do Sindicato dos Médicos, para se manifestar sobre o assunto.

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

Ministério da Saúde convoca médicos a aderirem ao Provab (Programa de Valorização dos Profissionais na Atenção Básica). Desde a última semana, médicos de todo o país já podem se inscrever para a segunda edição do Provab. O programa promove a qualificação profissional por meio da atuação em periferias de grandes cidades, municípios do interior ou áreas remotas. As regras para as inscrições constam no edital publicado no último dia 10. Após realizar a adesão, no prazo de 6 a 17 de fevereiro, os médicos devem indicar em quais municípios querem atuar.

Por meio da nova edição do Provab, os médicos cursarão pós-graduação em Saúde da Família e receberão bolsa custeada diretamente pelo Ministério da Saúde no valor de R$ 8 mil mensais, pelo período de 12 meses. O curso prevê atividades práticas na Atenção Básica, supervisionadas por instituições de ensino superior, bem como atividades teóricas desenvolvidas em ensino a distância pela UnA-SUS (Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde), rede de universidades públicas de referência.
“O principal objetivo do programa é complementar a formação médica com a atuação supervisionada na Atenção Básica em áreas vulneráveis, mais pobres ou no interior do país. Além disso, o programa permite que o médico, com essa complementação, seja valorizado quando for pleitear uma vaga de especialização”, explica o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Os profissionais bem avaliados pela IES receberão pontuação adicional de 10% nos exames de residência médica, conforme a resolução 03/2011 da Comissão Nacional de Residência Médica. Para o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales, a expectativa é que esta nova edição desperte mais interesse nos profissionais. “Além da mudança com relação à bolsa, que será custeada pelo Ministério da Saúde, o Provab 2 alia a formação supervisionada nas Unidades Básicas de Saúde com um curso de especialização, ou seja, um atrativo a mais para o médico”, aponta.

INSCRIÇÃO

A adesão dos médicos deve ser efetuada via internet, através do endereço eletrônico http://provab2013.saude.gov.br, por meio de preenchimento de formulário eletrônico e anexação dos documentos exigidos no edital. Após aderirem ao programa, os profissionais deverão escolher a localidade onde desejam atuar, no âmbito dos municípios que aderiram ao programa. A adesão dos municípios ainda está aberta. Os municípios podem aderir ao Provab 2013 até 1º de fevereiro.

O número de vagas em cada localidade dependerá da demanda informada pela respectiva Secretaria de Saúde, e a distribuição dos médicos obedecerá a critérios de preferência nos casos em que o número de profissionais interessados for maior do que a oferta de vagas. Terão prioridade na alocação, os médicos que se graduaram, obtiveram certificado de conclusão de curso ou revalidaram diploma em instituição de ensino localizada na unidade da federação a qual pertence o município, bem como os nascidos no estado. O segundo critério consiste na data e horário da adesão e, o terceiro, na idade do profissional, tendo preferência a maior.

Após a definição do local, o médico deverá se apresentar no município em que irá atuar durante o período de 20 a 26 de fevereiro. A lista final dos médicos e seus respectivos municípios será divulgada até o dia 28 do próximo mês, com início das atividades em 1º de março de 2013.

MUNICÍPIOS

Os municípios interessados em receber médicos pelo Provab 2 podem aderir até o dia 1° de fevereiro, por meio do site do Provab. As localidades listadas na Portaria Conjunta N° 1.377/2011, terão prioridade. Os gestores municipais serão responsáveis por acompanhar os profissionais durante sua atuação na unidade básica. Os médicos serão também tutoreados por instituições formadoras, por meio de supervisores remunerados pelo Ministério da Saúde com bolsas no valor de R$ 3 mil. Os profissionais serão avaliados, mensalmente, pelos gestores e pelas instituições. Eles também farão uma autoavaliação.

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Edição 1798 (16-01-2013)

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