Portáteis em sala de aula: uma realidade que se expande
Comuns nas universidades, os netbooks agora também são utilizados nas salas de aulas das séries iniciais
Barsas, enciclopédias, atlas e pilhas de livros serviam como base para, em folhas de papel almaço, difíceis de serem manuseadas, desenvolver pesquisas e trabalhos científicos. Este era o cenário das salas de aula há alguns anos. Mas, com a evolução surpreendente da tecnologia, todo este material foi substituído e, hoje, tudo que se utiliza é apenas um portátil. Um equipamento de informática que revolucionou a história e provocou um nova realidade em sala de aula. Nas universidades, já é possível observar a presença dele na grande maioria das mesas escolares, quando não, em sua totalidade. Uma tendência que parecia distante tem resultado na substituição dos cadernos e para alguns, até mesmo da utilização dos livros. Aceitar e incluir o uso de notebooks nas escolas, parece ser uma situação que não tem mais volta, afinal a tecnologia está ai e a dica é usufruir de tudo que ela oferece de positivo.
Não há dúvida de que a utilização de portáteis durante o processo de ensino/aprendizagem é válido no sentido de contribuir e oferecer um grande leque de conteúdos que possam favorecer o aluno no momento de pesquisa. Porém, o grande dilema e a preocupação de alguns educadores é a concentração dos estudantes em frente ao notebook. No entanto, há quem diga que é possível contornar a situação e desenvolver um bom processo de ensino com a presença destas máquinas revolucionárias. De acordo com a professora universitária, Otília Donato Barbosa, que atua em um dos cursos onde é identificada a maior utilização de notebooks - Sistema de Informação - uma das dicas é conversar com os acadêmicos, principalmente os ingressantes, para que façam bom uso dos equipamentos. “Que usem com bom senso. Que seja realmente uma ferramenta de aprendizado, para que busquem complementar os conteúdos repassados em aula, utilizando os programas conforme sejam requeridos em sala”, explica a educadora.
Segundo ela, eventualmente se percebe que o aluno está utilizando o equipamento para outra atividade, e o que se faz é chamar a atenção. “Eu costumo pedir para voltar para minha aula. Porém, noto que, em muitos momentos, os alunos têm essa capacidade de realizar várias atividades simultaneamente, esta é uma característica dos jovens. Assistir TV e trabalhar no computador, ouvir rádio e digitar um texto. Então por que não assistir aula e estar conectado à internet? Mas exige uma capacidade de concentração e discernimento de informações diferentes simultaneamente”, avalia Otília. Segundo a profissional, em alguns momentos se percebe a diferença entre quem usa e quem não usa o portátil. “Muitas vezes, o uso de notebooks facilita o processo de ensino, pois também trabalhamos com programas, e com o uso dessa ferramenta há um rendimento maior.
EXPANSÃO
Comum em alguns países, como os Estados Unidos, a possibilidade de utilização pedagógica desse equipamento no Brasil é reforçada por algumas iniciativas governamentais, como o Prouca (Programa Um Computador por Aluno), que por enquanto é destinado apenas ao Ensino Fundamental. O Prouca tem o objetivo de promover a inclusão digital nas escolas e o que antes parecia fazer parte somente do mundo dos jovens e adultos, agora é possível observar nas mesas escolares dos pequenos. Um fato surpreendente que muitos esperavam presenciar somente daqui a longos anos, agora é realidade, e estudantes das séries iniciais passaram a utilizar o portátil como importante ferramenta em sala de aula. Na região, o primeiro município a adotar essa ferramenta é São João do Oeste. De acordo com o secretário de Educação, Denílson Grasel, há algum tempo a secretaria já estava buscando implantar esta tecnologia nas escolas, mas considerando os preços elevados não era possível. Porém, neste ano, a prefeitura aderiu ao programa federal e adquiriu 65 netbooks para os alunos da rede municipal. A intenção inicial era atender somente as 4ª séries, por ser um projeto piloto, no entanto se expandiu para a 5ª série.
A distribuição dos equipamentos aos estudantes ocorreu neste mês, mas, segundo o secretário, somente no início do próximo ano os educadores e a coordenação pedagógica poderão fazer uma avaliação de ‘o quanto’ essa ferramenta está somando e fazendo a diferença. “A partir do ano que vem vamos ter muito claro o que isso está trazendo de novo na rede de ensino e ao mesmo tempo se está sendo um desafio muito grande para o professor. Sabemos que hoje os alunos têm uma facilidade de lidar com essas tecnologias e o professor que já tem uma boa caminhada, sente maior dificuldade, por esta razão é que também se oferece formação para os educadores. Neste momento, alunos e professores estão recebendo orientações sobre como utilizar os portáteis em sala de aula”, explica.
Hoje, todas as escolas do município possuem internet. Desta forma, com este acesso, o netbook passa a ser uma ferramenta muito importante de pesquisa no dia a dia. A avaliação é do secretário de Educação. “A informática é interdisciplinar e faz parte do currículo em todas as disciplinas. Nosso propósito é que seja utilizado como ferramenta de pesquisa, ele será apenas um complemento, em momento algum vai substituir o caderno. A escola terá que se adaptar a essa nova realidade. A maneira como utilizar, que sites acessar durante a aula ficarão a critério do educador. O que se sabe é que a escola não vai permitir que o estudante acesse qualquer site e é importante que as famílias reforcem esta orientação em casa”, considera.
IMPRESSÃO
Frente à nova realidade em sala de aula, os alunos dizem ser legal, porque agora é um computador para cada aluno, diferentemente de antes, quando era somente um para três alunos, como nas aulas de informática. De acordo com a professora da 4ª Série, Inês Cassol Ruschel, os alunos estão apenas iniciando os trabalhos, e para eles é tudo novo, mas estão na expectativa de lidar com os laptops, principalmente como fonte de pesquisa, buscando substituir dicionários a favor da agilidade. Para a educadora, está sendo muito prazeroso trabalhar com essa tecnologia na sala de aula. “Não teremos mais dificuldades para pesquisa, encontramos diversos sites de boa referência com os assuntos da sala de aula. É bem interessante, porque alguns ainda têm dificuldade para pesquisar e são impacientes, então na internet é tudo mais prático e rápido, isso faz com que a aula evolua, pois aparecem imagens, resumos. Será utilizado interdisciplinarmente, e do jeito que o mundo anda rápido e como se vê avanços nessa área, temos que acompanhar as evoluções, porque vemos todos os dias nos meios de comunicação sobre a internet, então na fase que os alunos estão, isso será aliado para uma boa formação”, considera Inês.
Conforme a professora, não é novidade para eles a informática, a novidade é a informática sendo utilizada nas diversas disciplinas. “Eu vou me adaptando e acompanhando, porque eles são muito rápidos; então devo me especializar cada vez mais”, entende. “Deposito muita confiança neste projeto, acredito que ele vai agregar muito ao conhecimento dos alunos e ao crescimento pessoal deles. Nosso objetivo é preparar melhor nossas crianças para o mundo que os espera, para o mercado de trabalho e para as relações interpessoais. Hoje, não tem como não fugir dessa realidade da tecnologia em sala de aula. Os alunos das séries anteriores já estão empolgados para chegar o momento da utilização dos equipamentos. Com o projeto, as crianças se sentem mais valorizadas e valorizam mais a sua escola”, conclui.
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