Policiamento Comunitário: um modelo que não funcionou em SMOeste

Modelo foi implantado em 2001, mas resistência da comunidade, de policiais e queda no efetivo impediram continuidade

Poucos sabem, mas uma modalidade de policiamento muito utilizada em grande centros como Rio de Janeiro para aproximar a polícia da comunidade já foi testada em São Miguel do Oeste, mas não rendeu o esperado.
Em Santa Catarina, a Polícia Militar trabalha com a filosofia de Polícia Comunitária, que visa a participação social, envolvendo todas as forças vivas da comunidade, na busca de mais segurança e nos serviços ligados ao bem comum. A Polícia Comunitária é pertinente à Instituição Policial, envolvendo ações de policiamento ostensivo (Polícia Militar) e investigativo (Polícia Civil) e conta com a parceria da comunidade na busca de soluções criativas para resolução de seus problemas.
Porém, em São Miguel do Oeste, conforme explica o coordenador de Comunicação Social do 11º Batalhão de Polícia Militar de São Miguel do Oeste, capitão Jailson Franzen, a experiência foi de Policiamento Comunitário, com ação desenvolvida pela polícia por meio de uma forma de realizar as ações operacionais. No município, o foco principal desse trabalho começou em 2001, quando a cidade foi dividida em cinco setores, onde, em cada setor atuava uma equipe de policiais. “Isso funcionou por algum tempo, e a redução do efetivo depois disso acabou inviabilizando a manutenção dessas equipes nos setores. Também, por se tratar de uma inovação nos conceitos da Polícia, houve muita resistência, muito por parte da população e principalmente por parte do próprio efetivo. É difícil mudar uma cultura, uma forma de pensar e, hoje, daqueles cinco setores, no qual também estava um Conselho Comunitário de Segurança, somente um tem o conselho ainda atuante, que é o do setor Oeste, que pega os bairros São Gotardo e Progresso. O Conselho permaneceu, porém a equipe da polícia que atuava já não existe”, enaltece.

“A Polícia atua no ambiente, não tem como tirar da cabeça da pessoa a
 vontade de ela cometer o crime, não tem como evitar que uma pessoa se torne vítima em potencial, mas tem como tornar um ambiente menos favorável, e essa é a ideia”, 
capitão Franzen


O modelo de Polícia e Policiamento Comunitário vem funcionando bem em muitas cidades, como é o caso das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, porém, muitas vezes potencializa resistências. “Para quem é contra, para quem não acredita e assim teve fortes argumentos para pôr fim a esse modelo. Existem várias cidades de Santa Catarina que têm trabalhado nesses modelos, no entanto isso demanda tempo, e na maioria dos locais ainda não se consolidou. Essa é uma vontade da Corporação, queremos que isso avance porque é o que se tem de mais moderno em termos de polícia no mundo hoje, porém é uma mudança cultural, que exige participação da sociedade e de todos os órgãos de segurança pública e outras entidades. Não podemos impor mudanças, mas devem ser feitas por convencimento. Sempre pensamos em retomar isso, mas não podemos impor essa vontade, mas temos a expectativa de que com o tempo todo o nosso efetivo esteja priorizando ações de Polícia Comunitária”, reforça.
Já sobre a atuação tradicional da Polícia e no caso do Policiamento Comunitário, Franzen destaca que isso não será percebido no trabalho diário do policial e sim no contato com a comunidade, nas conversas, em identificar os problemas e dar encaminhamentos para solucionar. Franzen explica que para que haja um crime, um delito, é preciso uma pessoa disposta a cometer esse crime, uma vítima em potencial e um ambiente favorável. “A Polícia atua no ambiente, não tem como tirar da cabeça da pessoa a vontade de ela cometer o crime, não tem como evitar que uma pessoa se torne vítima em potencial, mas tem como tornar um ambiente menos favorável, e essa é a idéia. Então não vai se notar diferença no atendimento, com uma polícia mais leve, não tem nada disso. A diferença é que, além de fazer policiamento tradicional, vai se tentar resolver os problemas, em orientar os moradores a buscar a solução e oferecer recursos. Diferença no trabalho não vai ser percebido, vai se perceber é a integração entre a polícia e a comunidade, de reduzir os fatores propícios ao crime e não somente na repressão ao criminoso”, enfatiza o capitão.
Conforme Franzen, com essa proximidade dos policiais com a comunidade, proposta pelo Policiamento Comunitário, o cidadão ia ter muito mais espaço para falar. “Se uma pessoa tem um vizinho traficante, ela não vai querer que uma viatura pare em frente à sua casa para fazer uma denúncia; agora, imagine se fosse comum todos os dias um policial passar nas casas do seu bairro, acredita-se que não seria muito mais fácil ficar sabendo o que está acontecendo. Se houvesse reuniões constantes com possibilidade de denúncias, mesmo que anônimas, ou até mesmo um ato de corrupção policial, será que a pessoa viria até o batalhão fazer uma denúncia? Então é essa a ideia, é aproximar e criar uma cumplicidade entre a sociedade de bem e a polícia, tornando mais difícil a atuação do criminoso, que atua em cima da suposta tranquilidade, o que não acontece quando se tem o risco de a comunidade conversar com a polícia. Porém, aqui, o entusiasmo já se perdeu, por resistências internas, por resistências da comunidade e principalmente pela falta de colaboração dos outros órgãos públicos de todas as esferas e tipos que não levavam a sério uma reivindicação desse tipo, principalmente por forças políticas, onde muitas vezes uma reivindicação, que para a segurança pública seria excepcional, não é tão interessante para o ponto de vista político e eleitoral”, lamenta.

 

Anterior

Delegacia da comarca atende em novo endereço

Próximo

Realizada a maior ExpoSuper de todos os tempos

Deixe seu comentário