Polícia Civil prende seis por fraude e receptação
Quadrilha atuava em Santa Catarina, no Paraná e no Rio de Janeiro e era especializada em fraudes contra seguradoras, receptação, sonegação fiscal e adulteração de veículos
Uma mega operação da Polícia Civil de Santa Catarina resultou na prisão de seis pessoas, interdição de empresas e cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão. A Operação Copacabana Sul foi deflagrada na manhã de segunda-feira, dia 25, em São Miguel do Oeste, Maravilha, Pinhalzinho e Chapecó, além de outras cidades de Santa Catarina, do Rio de Janeiro e do Paraná. Com a operação, foi desarticulada a quadrilha especializada em fraudes contra seguradoras, receptação, sonegação fiscal e adulteração de veículos automotores.
As ordens de prisão partiram da Justiça da comarca de Maravilha e foram cumpridas pela Polícia Civil catarinense, com apoio do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Civil do Rio de Janeiro. As investigações foram feitas pela Divisão de Investigação Criminal da Polícia Civil de São Miguel do Oeste que, durante quatro meses, monitorou a vinda de dezenas de veículos do Rio de Janeiro para o oeste de Santa Catarina. Após a chegada destes veículos e a receptação dos mesmos por proprietários de autopeças locais, estes veículos eram dados como furtados ou roubados no Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Civil, o prejuízo financeiro, em média, causado pela organização criminosa às seguradoras, chega a R$ 1 milhão por mês. A polícia destaca que, no ano de 2009, um dos investigados já havia sido preso quando ocultava peças de aproximadamente duzentos veículos com registro de furto e roubo. “Acreditamos que a Operação Copacabana Sul irá de uma vez por todas desarticular esta quadrilha que há muito age no oeste Catarinense”, destaca o delegado Albert Silveira, coordenador da Divisão de Investigação Criminal de São Miguel do Oeste.
O delegado Regional de São Miguel do Oeste, Ricardo Newton Casagrande, destaca que estes veículos eram, via de regra, desmontados e suas peças revendidas no mercado formal de peças de veículos. “Cabe à população conscientizar-se no sentido de verificar a procedência destes produtos antes de adquiri-los, pois este mercado incentiva muitos crimes como os que estão sendo investigados nesta Operação”.
Prisões
Foram presos, em São Miguel do Oeste, Marcos Antonio Massignani e Ezidoro Antonio Funez; em Pinhalzinho, João Batista Wronski e Sérgio Willian Wronski Brandão; em Maravilha, Ivan Cleones Bolfe. Estão foragidos, da cidade de Chapecó, Valdomiro Bonfante Júnior e Dierley Andrey Rodrigues. Ao todo, 16 mandados de prisão serão cumpridos e esse número ainda pode aumentar.
Durante a Operação, os agentes ainda interceptaram um caminhão transportando dois veículos, provenientes do Rio de Janeiro, que estavam chegando em São Miguel do Oeste. O motorista foi preso e confirmou que os veículos são objeto do esquema criminoso e seria entregue a um dos receptadores (também preso na operação). Os referidos veículos foram apreendidos.
Ainda durante a tarde desta segunda-feira, os presos começaram a ser interrogados na sede da DIC. “Com a apreensão de farta documentação e a oitiva dos investigados, está sendo possível identificar outras ramificações da quadrilha. O nosso objetivo é recolher o máximo de provas possível, para que o Ministério Público e o Poder Judiciário tenham subsídios para denunciar e condenar todos os envolvidos”, destaca o delegado. Segundo Silveira, há novas ordens judiciais a serem cumpridas e provas a serem coletadas e analisadas. “Ainda vamos ouvir os acusados e pretendemos nos próximos 10 dias encerrar o inquérito policial e encaminhá-lo ao Poder Judiciário. Os suspeitos foram presos preventivamente, sem previsão de término. Cada caso é um caso. As prisões foram pedidas justamente para facilitar as investigações e evitar que esses crimes continuem”, ressalta.
Estabelecimentos comerciais também foram interditados. Em São Miguel do Oeste, estão fechadas as empresas Marcos Peças e a Import Car. Conforme o delegado, será realizado um levantamento e, se necessária, perícias. “Justamente por isso, os locais foram interditados para que seja preservado o local do crime. Após esse período, as empresas poderão ser abertas novamente, desde que atuem na legalidade. A Justiça pode determinar o fechamento definitivo, mas, no momento, não há nenhuma previsão legal que impeça o funcionamento dos estabelecimentos”, explica Silveira.
Crimes de longa data
Um dos presos na Operação desta semana, Marcos Antonio Massignani, já foi preso sob acusação de receptação e adulteração. Em maio de 2009, a Polícia Civil localizou um depósito de motores no interior de São Miguel do Oeste. Na época, o empresário foi preso por ser proprietário de mais de 100 motores considerados ilegais, além de outras peças automotivas. Massignani respondia ao processo em liberdade, porém, nesta semana foi preso sob novas acusações. No Fórum de São Miguel do Oeste já tramitam dois processos nos quais o empresário é réu e com data de julgamento marcada para maio de 2012. Ainda são réus, nos antigos processos, os irmãos de Marcos - Márcio Cesar e Maurício Massignani, além Cleonir Biondo, Neori Correia e Rudinei Fontana, todos acusados de crimes contra o patrimônio, falsificação, corrupção, adulteração e receptação.
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