Polícia Civil dá detalhes sobre chacina em Saudades
A Polícia Civil de Santa Catarina detalhou na manhã desta sexta-feira, dia 14, o inquérito final sobre a chacina do último dia 4, na Escola Infantil Pró-Infância Aquarela, na cidade de Saudades, que resultou na morte de cinco pessoas. Fabiano Kipper Mai (18 anos), autor dos crimes, foi indiciado cinco vezes por homicídio triplamente e por uma tentativa de homicídio triplamente qualificado. "Ele queria matar o máximo possível de pessoas", definiu o delegado da Polícia Civil de Pinhalzinho, Jeronimo Marçal, que conduziu as investigações.
"Ele agiu com esse intuito e ele estava com pressa. Ele queria atingir o máximo possível. Ele tentava entrar numa sala e não conseguia, já ia correndo para outra porque estava com pressa para atingir o objetivo dele", complementou o delegado, em entrevista coletivo. Ele afirmou ainda que a motivação do crime seria o ódio que desenvolveu das pessoas - fomentado por um isolamento social real e aguçado diante de um contato intenso pela internet com pessoas que tinham as mesmas ideias.
"Nos últimos tempos ele foi se isolando cada vez mais no mundo e se isolando do nosso mundo. E, ele entrou num mundo em que ele começou a ter contato com muito material violento, muitas ideias violentas e com pessoas que pensavam parecido com ele - com pensamentos ruins, com sentimentos ruins. Ele começou a alimentar esse ódio dentro dele, nos últimos meses, a ponto de ele resolver descarregar tudo isso em alguém. Na população em geral. Ele não tinha um ódio contra um grupo específico, contra alguém especificamente. Ele criou esse ódio generalizado", detalhou o delegado.
O perfil foi traçado com o auxílio de uma psicóloga policial e com o resultado das perícias nos materiais eletrônicos de Fabiano, principalmente o computador. O delegado Jeronimo citou que o alvo principal seria uma unidade escolar do ensino fundamental. "A intenção dele, num primeiro momento, quando ele começou a querer executar todos esses pensamentos, foi contra pessoas que tinham um certo convívio com ele, na escola e tal. Esse era o objetivo principal dele, no início", frisou.
Como não conseguiu comprar uma arma de fogo e assim não seria capaz de enfrentar jovens da sua idade, Fabiano mudou o alvo. "Ele tentou adquirir a arma de fogo de várias formas e em várias oportunidades e não conseguiu. Como ele não conseguiu, ele achou que não daria conta de enfrentar esses rapazes com uma arma branca. E isso mostra que o ato dele - que por si só já seria covarde porque foi contra crianças e mulheres que não tinham condições de se defender - mas isso mostra que ele foi ainda mais covarde. Porque ele não se garantia contra aquelas outras pessoas e ele pensou: eu vou descontar essa minha raiva em pessoas que não têm nada a ver comigo, em pessoas inocentes que nunca fizeram nada para ninguém. Então, mostra que é um ato ainda mais covarde", contextualizou o delegado.
A faca, comprada por R$ 400 na internet, chegou pelo correio cinco dias antes da chacina. "Ele confessou o crime e admitiu que fez o planejamento todo sozinho", garantiu Jeronimo. O delegado assegurou ainda, que ele é completamente lúcido sobre os fatos da vida. "Ele tinha consciência de que o que ele fez foi errado. Isso mostra também que ele tinha discernimento, uma pessoa normal. Ele planejou, ele sabia que o que ele ia fazer era errado e fez mesmo assim. Ele falou estar arrependido, mas eu não consegui aferir se era um arrependimento genuíno ou se era um arrependimento do tipo: agora eu serei responsabilizado pelo o que eu fiz", analisou.
Fabiano recebeu alta médica na manhã desta quarta-feira, 12, e foi levado diretamente ao Presídio Regional de Chapecó. Ele foi liberado pela equipe médica às 6h30 e - algemado e já vestindo as habituais roupas do sistema carcerário catarinense - foi levado para a viatura do Departamento de Administração Prisional (Deap), que partiu por volta das 7h40. Ele deve permanecer preso até o julgamento. A defesa adiantou que pedirá o exame de sanidade mental. A ideia da defesa é justamente evitar o julgamento por um tribunal do júri.
O ataque de Fabiano levou as vidas da professora Keli Adriane Aniecevski, (30 anos), da agente educacional Mirla Renner (20 anos) e de três bebês: Sarah Luiza Mahle Sehn (1 ano e 7 meses), Murilo Massing (1 ano e 9 meses) e Anna Bela Fernandes de Barros (1 ano e 8 meses).
ABRE ASPAS - Jeronimo Marçal, delegado da Polícia Civil de Pinhalzinho
"Naquela manhã ele foi trabalhar, normalmente. Saiu no intervalo dele, foi para casa, fez alguma coisa em casa e foi para creche depois. Por volta das 9h50, chegou na creche"
"Ele agiu consciente do que fez, o tempo todo. Ele planejou a ação, já há vários meses - desde o ano passado ele vinha planejando. Não foi um crime premeditado"
"Ele tem sim que ser responsabilizado pelos crimes cruéis que ele cometeu no dia 4"
"Não há qualquer indicativo de que alguém o tenta o auxiliado. Nada nesse sentido. Ele agiu sozinho o tempo todo"
"Ele era uma pessoa muito isolada e tinha essa dificuldade de relacionamento, mas num nível muito acima do normal - muita gente tem essa dificuldade, mas ele era mais. Vou dar dois exemplos: a família se reunia para jantar, ele não jantava com a família, ele pegava o prato dele e ia pro quarto. Outro exemplo: ele precisava comprar uma roupa, pedia para a mãe dele comprar a roupa"
"A raiva dele era contra qualquer pessoa. Ele atacaria qualquer pessoa, em algum momento. Ele deixou bem claro, também, que foi pela fragilidade das vítimas"
"É uma pessoa normal. Ele tinha absoluta consciência do que ele fazia, do que queria fazer"
Fonte: Jornal do Comércio
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