Pesquisa inédita alerta sobre acidentes com crianças

Pesquisa inédita alerta sobre acidentes com crianças
Ilustração Internet

Foram entrevistadas mães de cinco capitais brasileiras; estudo também traz recorte sobre uso da cadeirinha

A ONG Criança Segura, dedicada à promoção da prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos, aproveitou o Dia da Prevenção de Acidentes com Crianças, no último dia 30, para lançar uma pesquisa inédita sobre a percepção e o comportamento de mães, de cinco capitais brasileiras, a respeito de acidentes com crianças e seus filhos. A data foi instituída pela ONG para gerar alerta e ampliar a discussão sobre os acidentes, principal causa de morte de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos no Brasil.

O estudo foi conduzido pela Ipsos, multinacional francesa de pesquisa, sendo entrevistadas 500 mães de filhos entre 0 e 14 anos, pertencentes às classes ABCD, entre 25 e 45 anos, das cidades de Curitiba/PR, Brasília/DF, Manaus/AM, Recife/PE e São Paulo/SP. A pesquisa foi feita porta a porta, de 3 a 23 de março de 2010.
 
Conhecimento sobre os riscos em geral - metade das mães revelaram acreditar que seus filhos correm mais riscos fora de casa, mas este dado já demonstra uma contradição: queimaduras e quedas, que comumente acontecem dentro de casa, representam os riscos mais presentes na mente das mães (33% e 21% respectivamente), mesmo misturados a outros tipos de acidentes comuns do ambiente externo - como acidentes em veículos, por exemplo - e a outros tipos de riscos como violências (envolvimento com drogas, assaltos, pedofilia). Queimadura também foi considerado o acidente que mais pode ser prevenido (90% das mães).
 
Grau de preocupação - para fazer esta avaliação, foi entregue às entrevistadas uma cartela com graus de preocupação para serem avaliados de 1 a 5 (sendo 1 nada preocupante e 5 extremamente preocupante) levando em conta os riscos, que elas consideraram, aos quais seus filhos estavam expostos. Entre os acidentes de maior preocupação estão os de trânsito: 78% das entrevistadas que distribuíram nota para o acidente no veículo, a maioria classificou este risco como extremamente preocupante e 75% fez a mesma consideração para os atropelamentos.
Os riscos ligados à violência (envolvimento com drogas, balas perdidas, más influências e lesões intencionais) apresentaram os maiores índices de preocupação entre as mães se comparados aos acidentes. Dados do Ministério da Saúde mostram porém que, até os 14 anos, crianças morrem aproximadamente  seis vezes mais de acidentes do que de violência.
 
Prevenção - o acidente mais evitado entre as mães é a queimadura: 71% das mães já fizeram algo para prevenir. Choques elétricos e cortes com facas e tesouras empatam em segundo lugar, com cerca de 45%. O menos evitado foi o acidente com a criança na condição de passageira de veículos; apenas 13% afirmaram prevenir este risco. O segundo menos evitado (apenas 13% das mães evitam/evitaram) representa a segunda principal causa de morte, entre os acidentes, de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil: o afogamento.
 
Acidentes ocorridos com seus filhos - a queda foi o acidente mais vivenciado pelos filhos das entrevistadas: 28%. Esse dado reflete uma realidade, já que a queda é a principal causa de hospitalização por acidentes de crianças e adolescentes no Brasil. Do total de quedas vivenciadas pelos filhos das entrevistadas, 60% ocorreu com crianças de 1 a 4 anos. O acidente de bicicleta, segundo mais vivenciado, vitimou crianças de 5 a 9 anos em 45% dos casos e a queimadura, terceiro mais vivenciado, vitimou crianças de 1 a 4 anos em 66% dos casos.
A presença de um ?cuidador? não impediu que estes acidentes ocorressem. Em 89% das situações, a criança não estava sozinha. Mas vale considerar que em 17% dos casos, a pessoa que acompanhava era uma outra criança. O acidente que mais ocorreu quando a criança estava sozinha foi o atropelamento, um risco do ambiente externo, considerado pelas mães o ambiente onde seus filhos estão mais expostos. 
 
USO DA CADEIRINHA
 
Um recorte específico sobre o uso da cadeirinha para o transporte de crianças em veículos também foi inserido ao estudo. Considerando o total de mães entrevistadas, 40% transportam seus filhos em automóveis. Deste número, apenas 32% possuem o dispositivo de retenção (bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação). Do total das famílias que possuem o equipamento, 92% possuem por questão de segurança, 17% possuem por ser de uso obrigatório, e 9% para proporcionar maior conforto às crianças. 
Das famílias que não possuem a cadeirinha, 67% responderam que a criança não está mais na idade de usar o equipamento, 26% disseram que a criança é transportada no banco de trás com o cinto de segurança, 7% contaram que não têm carro, usam o de parentes e 5% dizem que valor da cadeirinha é muito alto. A maioria das mães que não possui o equipamento respondeu que transporta seus filhos no banco de trás do veículo - 82%. Mas uma quantidade significativa transporta a criança no banco da frente - 18%. Do número total de mães que não possui o equipamento, 59% têm filhos com idade para estar na cadeirinha.
Transporte escolar: 17% das entrevistadas afirmaram que seus filhos utilizam a perua escolar. Desse total, 55% disseram que o transporte é feito com uso do cinto de segurança, 21% afirmaram que seus filhos não utilizam e 25% não souberam dizer se a criança utiliza ou não o cinto.
A cadeirinha passa a ser equipamento obrigatório a partir de hoje, dia 1º, segundo a Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito, para crianças de até sete anos e meio. Informações sobre a cadeirinha ideal, para cada faixa etária, tamanho e peso, além de como será a fiscalização do uso da cadeirinha, podem ser encontradas em uma matéria especial no site www.folhadooeste.com.br.
A importância desta causa - segundo o Ministério da Saúde, em 2007 (dados mais atuais), 5.324 crianças de até 14 anos morreram vítima de acidentes. A maior parte destes acidentes aconteceu no trânsito (2.134 mortes), seguido de afogamentos (1.382), sufocações (701), queimaduras (337), quedas (254), intoxicações (105), acidentes com armas de fogo (52) e outros (359). No caso das hospitalizações por acidentes, foram 136.329 no total, a maior parte delas por quedas (73.455 internações), posteriormente vêm acidentes de trânsito (15.194), queimaduras (15.392), intoxicações (5.013), acidentes com arma de fogo (551), sufocações (548), afogamentos (528) e outros (25.648). 
O acidente é uma séria questão de saúde pública que pode ser solucionada em 90% dos casos com ações de prevenção como a disseminação de informações sobre o tema, mudança de comportamento, políticas públicas que assegurem infraestrutura e ambientes seguros para o lazer, legislação e fiscalização adequada.
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