Período de reconstrução em Anchieta
Mesmo com trabalho conjunto da população, aproximadamente 30% das casas atingidas ainda estão cobertas com lona
O cenário de prejuízos causados pelo temporal na noite do último dia 29, ainda são visíveis em Anchieta. Dados atualizados da Defesa Civil local apontam que as fortes chuvas, o vento e o granizo atingiram mais de 700 residências, um número bastante significativo para o município, que possui 6.378 mil habitantes (dado baseado no Censo 2010). Deste total, aproximadamente 30% das residências ainda estão cobertas com lonas e a previsão é de mais chuva para esta semana, informação que preocupa autoridades e a população anchietense. De acordo com o secretário de Agricultura, Indústria, Comércio e Meio Ambiente, Oscar Rizzotto, os problemas com falta de água, telefonia e energia já foram solucionados. Segundo ele, a maior dificuldade está na cobertura das residências, já solicitada à Defesa Civil, que diz estar analisando o pedido. O órgão confirmou o repasse de 60 colchões e 50 cobertores à comunidade anchietense.
Na manhã de sexta-feira, dia 2, a equipe da Secretaria da Agricultura, em conjunto com a Epagri, esteve reunida para elaborar um novo relatório detalhado sobre a atual situação. Segundo o secretário, uma das grandes perdas na área rural foi com a silagem, que teve sua cobertura de lona danificada com o granizo. “No município, as perdas com animais foram pequenas, apenas casos isolados com morte de terneiras e ovelhas”, aponta. Morador em Anchieta há 17 anos, Oscar Rizzotto salienta que este foi um dos temporais que mais prejudicou o município nos últimos anos. De maior intensidade foi o tornado de sete de setembro de 2009, que atingiu parte das comunidades do município.
No setor comercial, Rizzotto destaca que Anchieta não teve grandes prejuízos, apenas nos empreendimentos que não tinham a proteção de laje, e que acima do forro possuía apenas o telhado. De acordo com ele, uma das empresas mais prejudicadas foi a Cooperativa, que registrou prejuízos equivalentes a R$ 80 mil. Os prédios públicos já foram restaurados e a unidade de Saúde iniciou os atendimentos nesta semana. As aulas também já voltaram ao normal no município. “Nossa preocupação é com as casas descobertas, na maioria de pessoas carentes, que não possuem recursos e aguardam receber este material de algum órgão”, declara. O secretário de Agricultura, Comércio e Meio Ambiente cita, ainda, que outro ofício constando o relatório do prejuízos será encaminhado a Brasília, com o objetivo de conseguir algum recurso e benefício para a agricultura.
Na última sexta-feira, a equipe da Secretaria de Obras e Transportes também iniciou o trabalho de recuperação e limpeza das estradas. Já as tubulações receberão atenção especial nesta semana. A informação é do secretário e integrante da Defesa Civil local, Itamar Luiz Cavasin. De acordo com ele, algumas áreas do município foram bastante prejudicadas pelo temporal, que provocou desmoronamento, queda de galhos, trancando estradas, além do excesso de folhas, causando o entupimento dos bueiros. As principais comunidades atingidas foram: São Roque, Prateleira, Seara, Salete, Aparecida, São Domingos, Taquarussu, São Luiz e Medianeira. No entanto, Cavasin ressalta que, com base nos levantamento feitos, os bairros foram os locais mais afetados pelos fortes granizos.
“Se a Defesa Civil do Estado não nos ajudar urgentemente, a situação vai ser ainda mais crítica. Essas lonas pretas, com o vento, se rasgam por conta, o que nos preocupa ainda mais. Vamos mandar um novo relatório pedindo uma resposta se a ajuda vem ou não. Hoje, o que mais nos interessa é que venha o telhado por meio da Defesa Civil. Ainda não temos ideia deste prejuízo em valores”, declara o secretário. Segundo ele, o próximo passo é aguardar uma ação do Estado. No sábado, dia 3, foi realizado um mutirão para orientar as famílias sobre os cuidados com a lona, avaliar as necessidade e, onde for possível, colaborar com a reconstrução. A prefeita Ione Presotto afirma que a expectativa é que o município seja auxiliado pela Defesa Civil Nacional, que estará recebendo novos relatórios do município nos próximos dias.
ATENÇÃO
AO MUNICÍPIO
Na última quarta-feira, dia 31, o secretário de Estado da Defesa Civil, Geraldo Althoff, esteve no oeste catarinense visitando Anchieta e Formosa do Sul, que decretaram Estado de Calamidade Pública, após serem impactados por granizo nessa semana. De acordo com o secretário durante as visitas foram constatadas quais as principais necessidades dos municípios para que eles retornem à normalidade o mais breve possível. Segundo ele, entre os produtos encaminhados aos municípios estão: telhas, cestas básicas, cobertores, colchões, kits de limpeza e higiene.
Na última semana, o deputado federal Celso Maldaner e o chefe de gabinete do senador Casildo Maldaner, João Carlos Grando, reuniram-se com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra e sua assessoria, solicitando a liberação de recursos para reparação dos estragos provocados pelo mau tempo.
Com o mesmo objetivo, o deputado estadual Mauro de Nadal fez indicação para o secretário de Estado da Defesa Civil, Geraldo Althoff, para que atenda com agilidade a região Oeste. Conforme o deputado, deve ser dada atenção imediata às famílias atingidas, pois algumas não têm condições de refazer suas casas e recuperar suas propriedades.
O deputado padre Pedro Baldissera também defendeu a ampliação dos recursos dirigidos ao Fundo de Defesa Civil, utilizado para auxiliar os municípios atingidos por intempéries. Padre Pedro argumenta que hoje o Fundo de Defesa Civil é formado por 2% das taxas recolhidas pelo setor de segurança público do Estado, o que garante pouco mais de R$ 6,5 milhões, valor que considera insuficiente para atender às populações em situação de risco e agir preventivamente. O parlamentar defende que outra fonte de recurso deve ser incluída no repasse. A ideia é repassar parte do valor pago pelas hidrelétricas ao Estado, para o Fundo.
SÃO JOSÉ DO CEDRO
Dois dias de chuva com vento e queda de granizo em São José do Cedro resultam em estragos em mais de 70 propriedades no município, conforme informação do presidente da Defesa Civil, Pedrinho Casarin. Segundo ele, as comunidades de São Roque, Monte Castelo, Chaleira Alta, Chaleira Baixa, Rosangeles, São Mateus, Esquina Derrubada, Seis Barras e Esperança Baixa foram as mais prejudicadas pelas pedras e pelo vento. De acordo com ele, os números serão levados à Defesa Civil do Estado, para buscar recursos com o objetivo de auxiliar as famílias atingidas.
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