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O GANDHI BRASILEIRO
Por Luiz Henrique da Silveira - Senador da República
Assunto não me faltaria para preencher este espaço hoje.
Ao longo da história, entre os dias 5 e 7 de maio nasceram ou morreram personalidades como: Kierkegaard, Marx, Delfim Neto, Péricles Prade, Napoleão Bonaparte, Mário Quintana, Robespierre, Freud, Rabindranath Tagore, Henry Thoreau, Brahms, Tchaikovsky e o cirurgião brasileiro Euryclides Jesus Zerbini. E, para quem gosta de boa música, talvez um dos maiores eventos de toda a História: a estreia da 9ª Sinfonia, de Beethoven, no Kärntnertortheater de Viena.
Mas, entre todas essas maiúsculas efemérides, sobre as quais tanto teria a dizer, minha admiração profunda pela sua vida não me permite outra escolha senão a de comemorar os 147 anos de nascimento de Cândido Mariano da Silva, o nosso Marechal Rondon.
Poucos brasileiros tiveram tanto reconhecimento como esse nosso “Gandhi Brasileiro”.
Em 1913, Rondon acompanhou o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt numa expedição de mais de 3 mil quilômetros pelos sertões de Mato Grosso e Amazonas. Em novembro do ano seguinte, após a publicação do livro “Nas Selvas do Brasil”, Roosevelt realizou conferências sobre o tema na Sociedade de Geografia de Nova York, onde recebeu o Prêmio Livingstone em nome de Rondon, que teve seu nome inscrito, em letras de ouro maciço, no “Livro da Sociedade de Geografia de Nova York”, ao lado de quatro dos maiores exploradores da história da humanidade (Amundsen, Peary, Charcot e Byrd). Na cerimônia da premiação, Roosevelt declarou: “A América pode apresentar ao mundo as suas realizações ciclópicas: ao Norte, a abertura do canal do Panamá; ao Sul, a obra de Rondon – científica, prática e humanitária”. Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz pelo Explorer’s Club, de Nova York. Em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Rondônia, elevado a estado em 1981. Em 1952, Rondon consegue da Presidência da República a criação do Parque Indígena do Xingu. Tão grande era o seu prestígio que, em 1934, o governo brasileiro indicou-o para arbitrar o conflito que opunha o Peru à Colômbia pela posse do território de Letícia. Rondon venceu os obstáculos um a um e, em 1938, consegue a assinatura do tratado de paz.
Pouco tempo depois de começar a lecionar Astronomia, Mecânica Racional e Matemática Superior na Escola Militar, foi convidado para o serviço mais árduo do Exército - a construção de linhas telegráficas pelo interior do Brasil e não hesitou.
O governo republicano tinha preocupação com a região Oeste do Brasil, muito isolada dos grandes centros e em regiões de fronteira, decidindo, então, melhorar as comunicações construindo linhas telegráficas para o Centro-Oeste.
Rondon cumpriu com louvor sua missão. Instalou mais de 7 mil quilômetros de linhas telegráficas, sendo considerado o pai das telecomunicações brasileiras. Dos seus 93 anos, 57 foram dedicados a abrir caminhos, desbravar terras, lançar linhas telegráficas, fazer mapeamentos de terreno e, principalmente, manter contato e pacificar dezenas de povos indígenas, inclusive os nossos Xokleng, em 1914.
Em setembro de 1913, Rondon foi atingido por uma flecha envenenada dos índios Nhambiquara, sendo salvo pela bandoleira de couro de sua espingarda. Os soldados exigiram vingança. Um oficial gritou que seria uma vergonha o Exército não dar um corretivo exemplar naqueles selvagens. Rondon cortou-lhe a palavra: “Quem representa o Exército aqui sou eu, e o Exército não veio aqui para fazer guerras. Os Nhambiquara não sabem que a nossa missão é de paz. Se esta terra fosse vossa e alguém viesse roubá-la e, ainda por cima, vos desse tiros, o que é que os senhores fariam apesar de civilizados?”.
Esta foi a maior grandeza de Rondon: manter-se rigoroso na aplicação da sua máxima: “Morrer, se preciso for; matar, nunca!”.
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