Casan executa limpeza programada de fossas na Região Oeste |
Nevada foi espetáculo na cidade no ano de 1965
A maior nevada já verificada no Oeste de Santa Catarina, atingiu também regiões do Paraná e do Rio Grande do Sul. Em São Miguel do Oeste, a neve caiu de forma lenta e constante, formando uma paisagem europeia e cinematográfica, que as pessoas que acompanharam jamais esqueceram. O casal, Alexandre Tiezerini e Francisca Tiezerini, contou entusiasmado como tudo aconteceu.
Foi uma surpresa para todos. Choveu torrencialmente um dia antes e fazia muito frio. Na madrugada do dia 16 para 17 de agosto de 1965, começou a cair uma neve fina e peneirada. A partir das 10h passou a engrossar e às 15h verificaram-se flocos de neve. Foram três dias de nevada sem interrupção.
Os flocos faziam muito barulho nos telhados e no chão. No segundo dia não era possível ver um só telhado ou vegetação. Tudo era branco. Os troncos das árvores se transformaram em verdadeiros tubos de gelo. De vez em quando, as pessoas ouviam o ruído de uma árvore quebrando por não suportar o peso. A cidade de São Miguel do Oeste parou. As lojas e as escolas fecharam as portas e ninguém saia à rua, nem a pé, nem de carro, com exceção do Sr. Balbinot, leiteiro que continuava a entregar seu produto nas casas, desafiando o gelo com seu jipe.
O gelo permaneceu intacto por oito dias. Foi possível até fazer um boneco de gelo, na esquina da Rua Almirante Tamandaré com a Floriano Peixoto, o boneco ficou inteirinho por uma semana. Perto do Colégio Peperi, na Rua La Salle, os irmãos mediram uma camada de 70 centímetros de neve, enquanto na Almirante Tamandaré, próximo ao Hospital Missen, apresentou 50 centímetros. Quando tudo derreteu, formou uma enxurrada na cidade de água nas ruas.
"Foi um espetáculo, coisa que se via no cinema", afirmou Alexandre. O ex-patrão do CTG Porteira Aberta lembrou ainda outros aspectos da nevada: o frio não era tão intenso quanto alguns imaginavam, porque o vento parava. Além disso a neve não prejudicou a vegetação e a agricultura em geral, como a geada. Depois do gelo derretido, o verde continuou vivo.
Em 1976 houve um esboço de se repetir o cenário de 1965, porém o gelo não chegou a se acumular. A neve não caiu continuadamente, por isso se desmanchava sem se concentrar.
Matéria divulgada em 15 de agosto de 1987.
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