Na luta pela reconstrução

Na luta pela reconstrução
Folha do Oeste

7 de Setembro: o feriado que nunca será esquecido

Feriado ficou marcado na vida da população por uma tragédia: a passagem do tornado que arrasou Guaraciaba, matou quatro pessoas e modificou vidas 

Com os corações apertados e as lembranças vivas na memória, os olhos da população regional, na noite de ontem, novamente se voltaram para o céu. Ouvidos atentos a qualquer sinal de temporal, afinal a noite de 7 de setembro de 2009 ficou marcada na vida de todos, e a lembrança de que um ano se passou desde a tragédia ainda deixa corações aflitos. 

Para muitas das pessoas atingidas pelo tornado que assolou Guaraciaba e outros municípios da região, a noite de 7 de Setembro ainda está viva na memória, e qualquer conversa sobre o assunto nos traz lágrimas aos olhos. Lágrimas de tristeza, misturadas entre as de medo, de alegrias pelo poder da reconstrução, e também pela vida. 

Há um ano, nesta manhã do dia 8, equipes de resgate trabalhavam incansavelmente para salvar o pouco que restou, alimentar os desalojados, cobrir casas, salvar animais. A chuva não dava trégua, mas com o passar dos dias a solidariedade mostrou sua grande face e a população de uma cidade, de uma região, de um estado, se mobilizou para ajudar. 

Em um ano, muita coisa mudou. Os escombros, tão visíveis e impactantes naquela manhã, praticamente desapareceram. As casas, completamente destruídas, aos poucos vão ganhando formas e as famílias reconstroem seus novos lares. As árvores, a vegetação, os pontos de mata virgem começam a se recuperar, em um processo que pode levar décadas. Os bens materiais se reconquistam, a paisagem se modifica, mas a vida das pessoas atingidas nunca será a mesma. É por isso que, um ano após a passagem do tornado, a equipe do Folha do Oeste voltou aos locais visitados naquela manhã e conversou com algumas das pessoas entrevistadas na época. Para quem reviveu essa experiência, fica o sentimento de impotência e respeito ao poder da natureza, de alegria ao ver a reconstrução e de tristeza por aqueles que ainda sofrem, que têm pesadelos com aquela noite e outros que nem conseguem dormir.

 

O TORNADO

O tornado que atingiu Guaraciaba e se propagou para outros municípios, como Barra Bonita, São José do Cedro, Princesa, Guarujá do Sul, Dionísio Cerqueira e Anchieta, em menor intensidade, já havia atingido localidades da Argentina em dias anteriores, sendo que destroços do país vizinho foram recolhidos em Bandeirante e Paraíso. 

Na noite da tragédia, os ventos fortes e o granizo começaram por volta das 21h e anunciavam o que estava por vir. O que os moradores relataram como um vento muito forte, capaz de arrancar suas casas, e que durou apenas alguns segundos, foi classificado mais tarde pelos meteorologistas como um tornado de magnitude F3, que passou pela região com ventos entre 253 e 333 km/h, deixando um rastro de destruição, quatro mortes e mais de 90 feridos. Ao todo, 112 casas deixaram de existir ao cabo de instantes. Além das casas, outras 611 edificações foram atingidas, sendo que 252 foram destruídas. Na agricultura, os prejuízos ultrapassaram R$ 18 milhões, com a perda de 50 mil litros de leite e mais de 45 mil animais mortos.

Nas famílias dos quatro mortos na tragédia: Odalice Schwaab e Edvino Schwaab, que residiam na linha 24, e Judite Lazari e Ana Paula Térsi, de apenas 9 anos, residentes na linha Sede Flores, a dor é ainda maior. A casa da família da pequena Ana Paula não é mais a mesma. A família não suportou a idéia de voltar ao local depois da tragédia, de reconstruir a vida onde perderam a família, e trocaram as terras por uma outra propriedade na linha Sanga Bonita.

 

Prefeito lamenta denúncias após o tornado

Para o prefeito de Guaraciaba, Ademir José Zimmermann, depois de todo o processo encaminhado desde os primeiros momentos após o tornado, esse último ano foi de grandes desafios e muitas exigências para todos. ?Muitas e muitas pessoas colaboraram para que pudéssemos ter condições de reabilitar todos os espaços. O primeiro, o da dignidade humana, que é a casa, onde buscamos, em mais de 120 reuniões com lideranças, autoridades e Defesa Civil, importantes ajudas, conseguindo recursos para poder reabilitar essas residências?, enfatizou. Zimmermann destacou também que considera o trabalho feito em um ano como pró-ativo, com superação em muitos setores, principalmente na reconstrução das casas, com reabilitação de 95%. ?Tivemos muitas dificuldades, mas houve muita superação, desde as famílias, da força que tiveram. Claro que quando falamos de quatro pessoas que perderam a vida, não tem como consolar e mensurar, mas todos tiveram muita vontade de reconstruir e inspiraram essa confiança, essa força no trabalho do dia a dia?, destacou o prefeito.

Sobre os recursos, o prefeito enfatizou que foi realizada uma audiência pública, com participação de toda a sociedade, lideranças e autoridades, para apresentar a aplicação dos recursos. ?Foi muita coisa, tivemos recursos somente do Governo federal de mais de R$ 6,1 milhões, com apoio do Estado, nas escolas e no atendimento imediato e muitas doações. Tudo isso veio para ajudar, assim como a elaboração dos dados para distribuição dos recursos por parte da Epagri, no interior. Já na cidade, os danos foram menores, apesar de cerca de mil casa apresentarem danos, mas nesse caso batalhamos para liberar o Fundo de Garantia dos trabalhadores. Todos os critérios foram baseados em dados técnicos e ainda estamos buscando mais recursos para continuar. No momento que acontece uma tragédia, é um minuto para destruir tudo, mas para reconstruir demora muito tempo?

Sobre as denúncias de má aplicação dos recursos, o prefeito lamentou a situação e afirmou creditar as informações à conotação política. ?Isso não vem ajudar em nada, muito pelo contrário. Lamentamos essas denúncias, porque talvez uma ou outra pessoa, e mais por aspecto político, queira denegrir a imagem do próprio município. Para mim, como prefeito e ser humano, resta o nosso agradecimento à   sociedade, à imprensa, afora a solidariedade e a ajuda humanitária, que, todos, através do esforço, fizeram para restabelecer esse momento tão difícil pelo qual passamos. É preciso agradecer a toda a sociedade, sem citarmos nomes para não sermos injustos, mas esse trabalho integrado, com mais de 8 mil pessoas que passaram pelo nosso município para ajudar, foi muito importante e demonstra o espírito solidário, de ajuda mútua, toda a força de vontade para ajudar nosso município e nossas famílias?.

O prefeito ressaltou também a importância da organização dos municípios para dar as primeiras respostas após a tragédia. De acordo com o prefeito, logo após o tornado houve muitas dificuldades, sendo que o trabalho dos bombeiros, do Samu, do hospital e dos voluntários foi fundamental. ?Tínhamos deficiências e hoje temos um preparo maior, criamos uma condição de estoque de materiais e existe uma discussão bem adiantada para a implantação de um Fundo de Defesa Civil, para dar o suporte necessário e imediato?.

 

?Financiamento foi a opção para reconstruir?

 

Na família de Leocir Izoton, na linha Guataparema, a destruição foi total no tornado de setembro de 2009. A casa dele resistiu, a do irmão caiu e as benfeitorias da propriedade, como chiqueiros e estrebarias, foram arrancados pelo vento. Na semana após o tornado, encontramos Izoton e familiares trabalhando na ordenha manual do leite em uma estrebaria improvisada, coberta de lona. Não havia energia elétrica, a produção estava quase toda perdida, mas era preciso cuidar dos animais. 

Hoje, a tristeza ainda está estampada na fisionomia da família quando o assunto é o tornado. Segundo eles, não existe uma só dia que não se lembre daquela noite, do terror, do medo, da dor. ?Se ficarmos pensando naquela noite e nos dias que se seguiram, é difícil, só nos faz sofrer. A nossa sorte, depois, foram os financiamentos, para podermos reconstruir?, lembra.

O agricultor lamenta que não recebeu muita ajuda depois do tornado e culpa as avaliações feitas sobre a má distribuição dos recursos. ?Eu perdi tudo, a casa só não caiu porque tem laje, mas o telhado foi embora, o resto foi tudo e eles avaliaram que eu tive perda de 10%. Pra reconstruir eu tive que financiar e usar um pouco de dinheiro que tinha no banco, que estávamos guardando para comprar uma terra vizinha. Agora, investimos tudo na reconstrução. O meu irmão perdeu a casa e ele sim ganhou 100%, os R$ 30 mil da Defesa Civil para construir a casa nova, mas não deu dinheiro que chegasse. Mas tivemos ajuda das pessoas pra quem trabalhamos, que vieram carregar os porcos depois do temporal e ajudaram a cobrir a nossa casa. estávamos guardando dinheiro há uns 8 anos e também perdemos tudo conquistado em uma vida inteira. Acho que vamos levar mais uns 20 anos pra pagar as dívidas e agora temos que ter sorte no negócio dos suínos para nos levantarmos?, enaltece.

A família lembra que, logo após o tornado, mais de 40 pessoas se abrigaram na casa e as roupas foram cedidas para todos, porém depois as doações de roupas e outros bens não chegaram até eles. ?O tornado não passou aqui em casa, parece que ele subiu aqui e baixou do outro lado, que não nos atingiu. E sabe que socorremos todo mundo, que durante uma semana fizemos almoço pra todo mundo aqui. Não havia outro lugar para ir e nós abrigamos todo mundo. Ganhamos R$ 5 mil em material de construção, equivalentes aos 10% que disseram que perdemos, mas isso foi uma vergonha. Tem gente que ganhou casa, móveis, material de construção, ganhou tudo, mas aqui a avaliação foi errada. Tinha gente que nem tinha casa e está ganhando casa, não podemos provar, mas sabemos que aconteceu?, afirmam Leocir e a esposa Silvia.

Silvia também afirmou que sabe que a Defesa Civil está avaliando a distribuição dos recursos e destacou que ficará todos os dias esperando a visita. ?Eu vou revelar tudo, é um direito nosso, também contribuímos e por que não temos direito de ganhar também? Sabemos que foi erro na avaliação, na comissão que fizeram para avaliar, quem não tinha nada ganhou e a gente, que perdeu, não ganhou nada. Ajudamos os outros, levaram as nossas roupas para ajudar os outros e no outro dia nem tínhamos roupas secas para usar. Eles querem saber por que não investimos na casa, só arrumamos o telhado, mas com R$ 5 mil eu vou fazer o quê??, disseram.

De acordo com a família, a ajuda veio de parentes e amigos que doaram roupas e comida. ?Na distribuição de comida, nem conseguimos as cestas porque não estávamos na lista. No primeiro dia, corri o dia inteiro atrás de uma vaca para ter leite para a minha menina, mas, depois, uma amiga me trazia leite toda semana, porque os outros não se preocupavam. Não estávamos na lista por causa da primeira avaliação e me recusaram cesta básica duas vezes. Na terceira, liguei para a prefeitura e então eles vieram com a cesta, dizendo que foi erro deles, mas primeiro fomos humilhados, tivemos comida recusada e isso machucou muito?, lembra Silvia. 

Sobre a noite do tornado, a família recorda que foram apenas alguns minutos para que tudo fosse arrastado pelo vento, mas que durante toda a noite houve o medo de um novo tornado. ?Ninguém estava preparado e sabemos que nunca vamos esquecer. Ninguém sabia que isso ia acontecer, não tinha como fugir. A minha filha não dorme quando chove, quando o tempo se arma para um temporal. Ela passa mal mesmo, mas vamos fazer o quê, temos que conviver com essa lembrança; se for pra acontecer novamente, vai acontecer?, conta Sandra Izoton. 

 

?As lembranças vivas dão força para recomeçar?

 

Para a família Schimit, da linha Sede Flores, as lembranças da noite de 7 de setembro de 2009 e dos dias que se seguiram ainda estão vivas na memória e conversar sobre o assunto ainda é doloroso, principalmente lembrar que tudo o que foi construído em 30 anos pelo casal Lauro e Marli foi perdido em minutos. 

A casa teve o telhado arrancado pelo vento, sobrando somente as paredes. Os galpões, estrebarias e chiqueiros desabaram e somente na última quarta-feira, dia 1º, enquanto recebiam a visita da reportagem do Folha do Oeste, foi que uma máquina da prefeitura esteve no local para derrubar o que sobrou do chiqueiro e da esterqueira. ?O chiqueiro nós não reconstruirmos mais e temos que fechar a esterqueira. Essa foi só mais uma lembrança, porque cada dia que acordamos enchergamos tudo o que aconteceu e o que não recuperamos mais. Fizemos o essencial, mas não tudo. Tínhamos seguro da casa, mas do restante nada. Ganhamos alguma coisa para iniciarmos a recuperação, mas tivemos muita ajuda da família e dos amigos, de onde veio a nossa força, o prejuízo não foi só material, foi de tudo. Eu sempre falo pros meus filhos que como sobrevivemos poderíamos ter morrido, e nessa hora a vida é o mais importante?, enfatiza Marli.

Segundo ela, quando passou o temporal, o casal só pensou em ajudar os outros, principalmente os pais de Marli que são idosos e vivem sozinhos. ?Aqui tinha estourado tudo, portas, janelas, pensei que a casa ia ser arrancada. Nunca imaginamos viver isso, quem não viveu e não viu, depois não acredita. Depois, não sabíamos nem o que tinha acontecido, ficamos sem luz por nove dias e só sai daqui, mesmo, no Natal. Os outros vieram pra ajudar, fizeram tudo por nós, mas nós não sabíamos o que fazer. Tínhamos que tirar leite, mas não tinha telhado, não tinha ordenhadeira, não tinha onde colocar, nossa vida parou?, lamenta.

Marli afirma que a família teve sorte em já ter plantado a safra, mas milho e insumos que estavam no galpão foram perdidos. Alguns animais também morreram e outros ficaram presos nos escombros por três dias. ?Vivemos do leite e estamos investindo nisso. Também temos algumas roças, mas os porcos não vamos mais criar, só pro nosso consumo mesmo, porque o chiqueiro caiu e não vamos reconstruir. Na época, perdemos tudo e ainda ficamos sem recursos, porque não podíamos trabalhar, não recebíamos. Mas, na época, tivemos ajuda, pois comida e água não faltou. Tudo o que construímos em 30 anos de trabalho se perdeu em uma noite?, destaca.

Sobre o clima na região depois do tornado, Marli destaca que o que mais mudou foi o vento, já que no local existiam muitas árvores que foram arrancadas. ?Eu não consigo viver com esse vento, não tem nenhuma árvore para atacar esse vento e agora estamos plantando algumas mudas. A prefeitura estava doando e plantamos mudas de Ipê, mas só agora é que estamos tendo tempo, porque tínhamos que reconstruir. Nem as hortas sobraram, tem que fazer tudo de novo, até os galinheiros se foram. Cada ventinho que tem dá muito medo, todo aquele dia volta na memória?, ressalta Marli.

 

Expectativa pela casa nova

 

Na família Nofre, na linha Sede Flores, a expectativa ainda é para a casa nova, em fase de construção. Conforme Valmir Nofre, os recursos para a casa nova vieram da Defesa Civil, depois que a residência desabou com o tornado de setembro de 2009, porém, para não pagar a mão de obra para a construção, é o próprio Valmir, com apoio de esposa e  filhos, quem constrói a casa. Enquanto  as obras não são finalizadas, a família reside em uma casa improvisada, construída por voluntários logo após a tragédia. 

Hoje, a família lembra da tragédia com tristeza, mas como um renascimento, já que a salvação da família foi ao lado de um Fusca, que estava no porão da casa. ?Agora reformamos o Fusca, que custou uns R$ 3 mil, mas se não fosse por ele teríamos morrido esmagado, não tínhamos para onde fugir?, lembram.

Segundo Nofre, depois de um ano, as dificuldades da família ainda são grandes, sendo difícil recuperar tudo o que foi perdido em poucos minutos naquela noite. Hoje, a prioridade da família está na plantação de fumo e milho, de onde virão os recursos para manter a família pelo próximo ano. ?Tínhamos tudo e agora não temos mais nada. Moramos aqui a vida inteira e tudo o que construímos se foi em menos de 10 minutos. O dinheiro para a casa nova veio da Defesa Civil, mas só o material, sem mão de obra. Os móveis foram doação, usados, mas eu ganhei. Porque o que a gente tinha foi tudo, não sobrou nenhuma xícara, quebrou tudo, tudo junto com a casa que desabou. Devagar vamos construindo tudo de novo. 

No início, a família se abrigou em vizinhos e depois em uma barraco de lona, até que voluntários de São Miguel do Oeste construíram a casa improvisada, que tem sido o lar da família durante o último ano. ?No inverno foi bem difícil, mas esperamos que daqui a um ou dois meses estejamos na casa nova, mas precisamos plantar agora para vivermos durante o próximo ano. Não adianta terminar a casa e não ter para comer depois, se a gente ficar trabalhando na casa e não plantarmos não temos dinheiro, do que viver, ninguém nos dá dinheiro. E agora ainda temos que contar com a natureza novamente, que mande chuva para podermos produzir. Hoje mesmo, tentamos abrir um poço e onde sempre teve água está seco?, lamentam.

Sobre a época do tornado, a família afirma que teve sorte em ter comprado as sementes e insumos para a nova safra, mas os produtos não foram entregues. ?Se eles tivessem entregado, tínhamos perdido tudo, porque aqui não sobrou nada, o galpão caiu, os canteiros de fumo foram destruídos e as plantas apodreceram, animais morreram. Nossa última safra foi totalmente prejudicada e agora temos que trabalhar para sobreviver, porque na agricultura não temos salário, dinheiro fixo todo mês. Dependemos de uma safra para viver o ano inteiro. Esse último ano foi muito difícil, com o frio nessa casa. Tínhamos uma casa boa, grande, estávamos pensando em colocar piso na área, mas não tivemos tempo, só sobrou o banheiro de pé?, lembra Nofre.

Na noite do tornado, a família se preparava para dormir quando o vendaval começou e logo as janelas começaram a bater. ?Logo que entrei no quarto, o meu filho chamou, tinha estourado a janela e eu não consegui mais segurar. Logo depois, estourou a porta da cozinha e quando eu fui trancar a porta, a parede caiu e me jogou para baixo, para fora da casa. A casa caiu e eu fiquei embaixo, no ripamento, e eles se esconderam ao lado do Fusca. Quando consegui sair, veio mais um vento e então nos salvamos ao lado do Fusca, isso foi em questão de segundos e daí sim se foi tudo, o galpão caiu também. No outro dia, não tínhamos nem roupas e ficamos assim até que conseguimos erguer esse ranchinho aqui, onde ficamos, nove pessoas, sem água nem luz. Depois que passou o tornado, eu lembrei logo do meu pai, achei uma camisa velha e saí pra ver eles, de pé no chão. Quando cheguei lá, eles estavam bem, mas tudo tinha caído e as coisas boiando na água, onde eu achei um calça. Coloquei eles em um canto que sobrou e corri para ajudar o vizinho que estava gritando por socorro, mas a menina deles já estava morta?, recorda. 

Agora, a família Nofre pensa no futuro, na construção de uma nova casa, mas sempre com os olhos voltados para o céu, de esperança da chuva para a plantação, mas que ela venha calma, sem tempestades, tornados e granizo, apesar do medo e da sensação de que todo o pesadelo de 7 de Setembro de 2009 possa voltar.

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