ADOÇÃO

Na luta, em busca de uma Família

Na luta, em busca de uma Família
Ilustração

Foi comemorado no dia 25 de maio, quarta-feira, o Dia Nacional da Adoção. Apesar de a data já ter passado, este tema precisa ser lembrado todos os dias. A data foi criada pela Lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002. 
De acordo com a assistente social do Fórum de São Miguel do Oeste, Ivânia Welter, a luta para que esta data fosse instituída teve início ainda 1998, quando ocorreu o primeiro encontro dos Grupos de Apoio a Adoção. "É uma data em que se procura trabalhar a adoção, falar sobre ela e desmistificar alguns mitos e preconceitos. A nível nacional é um momento em que todo o país trata sobre o instituto da adoção", comenta. 
Dados do Conselho de Justiça do ano mostra que em 2015 havia mais de 33 mil pessoas esperando na fila para adotar, porém somente mais de cinco mil crianças esperam para serem adotadas e ter uma família.
Segundo Ivânia, a realidade da Comarca de São Miguel do Oeste não difere da realidade nacional. "O que nós temos são inúmeros pretendentes habilitados, aptos a adoção, e crianças que aguardam uma família que estejadisposta ou que esteja legalmente apta a adotadar", revela. 
Ainda sobre os dados, a assistente social detalha que as mais de cinco mil pessoas, entre crianças e adolescentes que esperam ser adotadas, são indivíduos que não se encaixam no perfil dos pretendentes. "É uma conta que não fecha muito bem. Há muito mais pretendentes do que crianças e ainda assim há crianças que continuam sem família", destaca.
No município, a profissional informa que apenas cinco pessoas esperam para ser adotadas enquanto há cerca de 30 pretendentes. Assim como os dados nacionais, na Comarca de São Miguel do Oeste, que atende cinco municípios da região, a conta não fecha. "A maioria dessas crianças, incluindo as crianças da comarca, que estão aptas e aguardando uma família são crianças mais velhas, com algum problema de saúde, são grupos de irmãos, que já envolvem adolescentes, maiores de 12 anos. Essa é a realidade", salienta.
Ela explica que nacionalmente, os pretendentes buscam um perfil bem restrito, e que estas pessoas desejam crianças de até três anos. "A maioria deseja uma criança de até três anos, de cor branca, e do sexo feminino. Essa é maior procura com relação a crianças aptas a adoção", observa. 
Conforme Ivânia, na Comarca, os pretendentes e as crianças disponíveis para adoção esperam por muitos para constituírem uma família em função do perfil requisitado, bem como do preconceito que envolve o tema. "Em nossa cultura, a adoção é carregada de preconceitos, de dificuldades, onde se acredita que a adoção é um instituto para simular ou fantasiar a impossibilidade biológica de gerar. Então ainda se acha que tem que adotar criança pequena, menor, por culpa dos preconceitos existentes, de que a criança não vai ser educada, de que não vai ter uma boa conduta porque é maior e pode ter algum fator relacionado com a consanguinidade", analisa. 
Para a profissional que trabalha com aqueles que desejam adotar e serem adotados, o preconceito muitas vezes está nos adultos e na sociedade de um modo geral. "As crianças que estão aptas a adoção desejam verdadeiramente uma família, inclusive eu trabalho com os dois lados, com os pretendentes e com as crianças, sempre comento que os pretendentes limitam idade, sexo e cor. E as crianças quando me procuram contam que querem uma família. E elas não me perguntam se a mãe será negra, magra ou gorda. Estes preconceitos vêm dos adultos, da sociedade de um modo geral", declara.
São fatores como estes citados acima, que tornam o processo de adoção mais burocrático. "A adoção é irrevogável. A burocracia vem para garantir o melhor interesse da criança. Muitas dessas crianças já sofreram alguma violência, algum trauma, então a burocracia existe para protege-las e garantir que elas tenham uma família que vai lhe dar amor, carinho, e tudo que for necessário", ressalta.
Ivânia reitera que o objetivo da Comarca de SMOeste, é fazer com que as crianças e adolescentes adotados encontrem nos novos pais, uma família. 

APOIO

Com objetivo de facilitar o processo de adoção, a assistência social conta que o Grupo de Apoio a Adoção foi reativado no município. Através de encontros bimestrais, várias pessoas podem trocar experiências e ter acesso a novas informações. " O grupo estagnou por um tempo e agora retornou. São encontros a cada dois meses, onde pessoas que já adotaram, desejam adotar, que gostam da causa, pessoas, crianças, adultos, que foram adotados se reúnem e discutem a temática da adoção. A cada encontro um novo tema é colocado em discussão", complementa ao dizer que temas como o preconceito também são debatidos neste grupo. 

ADOTE 

Ivânia diz que quem deseja se habilitar para adotar precisa ser maior de idade (18 anos) e procurar o Fórum de Justiça da Infância e Juventude da Comarca em que reside.  
Segundo ela, os interessados deverão providenciar uma série de documentos. Após esta fase, o indivíduo precisar realizar um curso, além de passar por uma avaliação que consiste em um estudo social e avaliação psicológica. Ao ser aprovado neste processo, o pretendente passa a integrar o Cadastro Nacional de Adoção.

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