8 DE MARÇO

Mulheres participam do desenvolvimento

Mulheres participam do desenvolvimento

A ciência e a tecnologia, áreas por muito tempo protagonizada por homens, hoje em dia tem crescente inserção de mulheres, que tem tido feitos relevantes. Na academia, elas são a maioria em diversas áreas, e lideram pesquisas e descobertas importantes para a Saúde.

Conforme relatório Education at Glance publicado em 2019 pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), no Brasil, 18% dos homens de 25 a 34 anos têm ensino superior, em contraste com 25% entre as mulheres da mesma idade. A pesar do índice ser abaixo das médias de outros países, demonstra que elas se preparam mais e estudam mais durante sua vida.

Dessa forma, elas desestabilizam aos poucos uma desigualdade histórica. De acordo com um estudo publicado em 2008 na revista de divulgação científica Scielo, que analisa os Censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 30 anos as mulheres conseguiram reverter a desigualdade na academia, e ocupar aos poucos espaços masculinos, se tornando a maioria graduada, cerca de 60%.

Em São Miguel do Oeste, Naiara Sebben é uma destas mulheres que se aventuraram para aumentar a representatividade feminina nas universidades. Como matriculada no Curso de Sistemas de Informação, ela foi uma das poucas mulheres a se graduar em sua turma. Mas ela não parou por aí, conta que sempre quis aprender sobre coisas difíceis e como essa área chamou-lhe a atenção, fez ainda algumas especializações voltadas para tecnologias, como Desenvolvimento Web e Engenharia de Software.

Hoje em dia, Naiara e seu marido têm uma empresa desenvolvedora de sites e softwares, e ela segue atuando na área da tecnologia. A empresa de Naiara, a DB' Links, recentemente desenvolveu um produto que acabou se tornando uma startup de e-commerce, e essa agora tem se tornado a principal dedicação, (além de seu filho de um ano e oito meses). "Criamos uma segunda empresa para esse produto que é um software de vendas on-line para supermercados. Este é meu projeto full time e tudo que faço hoje gira em torno disso. E do meu nenêm", conta.

A plataforma se chama OSuper e proporciona para supermercados a alternativa de compras on-line, muito utilizadas durante a pandemia. A empresa de Naiara, agora mesmo voltada para atender os clientes da plataforma, ainda trabalha com alguns desenvolvimentos de sites. E para isso, também conta com uma equipe bem representada em força feminina. De 15 funcionários, cinco são mulheres, um número alto para a área que é majoritariamente ocupada por homens. Ela comenta a atuação de mulheres na área da tecnologia tem aumentado, mas ainda é pequena. "Por diversas vezes me vi fazendo cursos em que eu era a única mulher, com mais uma ou duas colegas", afirma.

De acordo com Naiara, a educação básica hoje em dia é a mesma para meninos e meninas, no entanto, ainda há coisas vistas como profissão de homem e profissão de mulher. Felizmente, ela conta que há diversos movimentos voltados para incentivar a participação de mulheres no desenvolvimento da tecnologia.

Além disso, o Brasil carece de desenvolvimento de tecnologias para auxiliar no crescimento da ciência. A afirmação é da cientista da área da microbiologia, professora e pesquisadora, Eliandra Mirlei Rossi. A especialista em microbiologia avalia a ciência feita no Brasil como muito promissora, mesmo em um cenário de pouco recurso financeiro e investimentos em educação.

Eliandra fala ainda sobre a participação de mulheres na ciência e afirma que na área da Saúde elas têm grande protagonismo. Ela acredita que é importante relembrar como era antigamente, e como elas adquiriram muito espaço dentro da academia. "Se olharmos a evolução na história delas foi muito grande, e se deixou de lado muito do pensamento que mulher não pode fazer tal coisa", afirma.

Ela se diz feliz por acompanhar que atualmente, no mundo, muitas mulheres trabalham com ciência. No Laboratório de Microbiologia, onde atua na Unoesc além das aulas, ela conta com a ajuda de várias profissionais, como as biomédicas Jessica Honorato e Andréia Bordignon Schneider, diversas estagiárias e bolsistas.

O grupo trabalha com d pesquisas no mundo da microbiologia e da Saúde, além de trabalhos prestados para a comunidade, como análises de água para prefeituras, hospitais, serviços de alimentação, piscinas de clubes, análises de efluentes, serviços para Epagri, e cooperativas, bem como a população em geral.

No laboratório também são desenvolvidas pesquisas que tem relevância social, o que faz com que a comunidade reconheça e busque os serviços da universidade. Eliandra destaca algumas pesquisas feitas pelos estudantes como, por exemplo, a análise da macrobiota intestinal de pessoas em razão da alimentação, análise de cachorros quentes vendidos, estudos sobre a probióticos, entre outros. Também recentemente, em conjunto com a Vigilância Epidemiológica foi realizada uma pesquisa sobre a dengue. Além disso, Eliandra coordena linha de estudos sobre resistência de microrganismos frente a antibióticos.

Ela ressalta que tem como objetivo fazer ciência e trazer resultados com uma linguagem possível de atingir a população, e que por muitas vezes é complicado explicar como atuam organismos que são invisíveis, como o vírus da Covid-19, mas que a tecnologia vem para auxiliar nisso. No começo da pandemia a professora atuou intensamente para esclarecer como atuava o novo Coronavírus, formas de prevenção e cuidados, e conta que até teve que reorganizar seu tempo para ajudar a população.

Além do desenvolvimento de equipamentos para melhorar a visualização dos organismos, a ciência conta hoje em dia com uma grande facilidade na divulgação de conhecimentos, por meio das redes sociais, que facilitam acesso a conteúdos que antes eram privilégio para algumas camadas da sociedade. No entanto, ela ressalta que há de ter cuidado com as fake news.

Naiara e Eliandra são exemplos de como atualmente mulheres atuam no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, áreas interligadas que desenvolvem comunidades trazendo o futuro para uma realidade mais próxima. Assim como elas, muitas mulheres estão engajadas nisso e cada vez mais proporcionando cenários mais atrativos para a participação feminina. 

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