Mulheres agricultoras mostram força

Mulheres agricultoras mostram força
Folha do Oeste - Encontro em sua 17ª edição, reuniu mulheres de 19 municípios da Associação de Sindicatos das Três Fronteiras

Encontro anual ocorreu sábado em Guaraciaba e gerou um documento com reivindicações

Discussão de políticas públicas para a mulher agricultora, reivindicações, motivação e integração foram os lemas tratado no 17º Encontro Regional do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais, realizado durante o último sábado, em linha Caravaggio, interior de Guaraciaba. Cerca de 2.000 mulheres dos 19 municípios que fazem parte da Associação dos Sindicatos das Três Fronteiras participaram do evento, que serviu para celebrar o Dia Internacional da Mulher, relembrando as conquistas e lutas do movimento sindical para a categoria.

No encerramento das atividades, foi elaborada uma pauta com reivindações, encaminhadas à Secretaria de Desenvolvimento Regional de São Miguel do Oeste e ao Governo do Estado. Várias lideranças participaram das atividades, que iniciaram ainda pela manhã.

PAUTA DO ENCONTRO

O presidente da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina), José Walter Dresch, afirmou que o movimento sindical teve como compromisso comemorar o Dia Internacional da Mulher, mas o que esteve em debate foram as conquistas alcançadas, bem como as lutas futuras das mulheres trabalhadoras rurais. Para Dresch, as mulheres têm avançado muito, principalmente a partir da Constituição de 1988. “Retornei recentemente do 11º Congresso dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, em Brasília, onde as mulheres ocupam seu espaço, garantindo a paridade nas federações, e isso já demonstra que elas estão num grande momento, construindo a sustentabilidade da agricultura familiar”, comenta.

Para ele, não somente no oeste de Santa Catarina, mas no Brasil inteiro existem milhares de propriedades sendo administradas por mulheres, que acabaram sozinhas por um ou outro motivo. Dresch comenta que a sensibilidade da mulher precisa ser respeitada pois, além de cuidar da família, encaminham todas as situações e problemas da propriedade. Não podemos entrar numa queda de braço, dizendo que o homem ou a mulher é melhor. Todos têm capacidade e o que falta é a sociedade compreender esse lado. Eles devem trabalhar juntos e manter unida a estrutura familiar. Não encaro como um problema ver uma mulher tocando o trator, o caminhão, o cabo da enxada, inclusive o planejamento e a gestão das propriedades”, finalizou o dirigente.

O presidente da Associação dos Sindicatos das Três Fronteiras e também do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Oeste, Joel de Moura, afirmou que o trabalho deste 17º Encontro das Mulheres começou ainda no ano passado, visto que, além das homenagens que o movimento sindical faz para as mulheres, também é um momento de trabalho. “Foi entregue um documento para a Secretaria Regional, com várias reivindicações das mulheres e a principal está relacionada com a verticalização da agricultura. Hoje, algumas empresas estão encurralando os agricultores, obrigando-os a comercializar para estas empresas todos os seus produtos. Esperamos avançar nesta luta, que é muito importante para toda a sociedade. Também é realizada uma feira de artesanatos e produtos coloniais produzidos pelas próprias agricultoras, podendo divulgar ou comercializá-los”, conclui Joel de Moura.

O prefeito de Guaraciaba, Roque Meneghini, destacou que foi importante o município sediar este encontro, pois mostrou a organização das mulheres e que, segundo ele, as agricultoras se sobressaem perante outras classes, pela união e organização demonstradas neste encontro, onde defendem seus direitos e os da agricultura familiar. “O sustento e a manutenção das famílias nas propriedades dependem muito das mulheres”, reiterou.

Na visão do deputado estadual Mauro de Nadal, a mulher é a grande base da família e tem a firmeza de superar as dificuldades do dia a dia. “O encontro também discutiu políticas que envolvem mulheres. O desenvolvimento da bacia leiteira do Oeste nasceu porque nos primeiros anos que se começou a falar de vaca de leite na região, as cooperativas tiveram a inteligência de convidar as mulheres para tomarem conta deste projeto e por isso deu certo. A mulher está mais aberta aos novos meios e iniciativas de produção. Graças a este leite estamos aplaudindo a permanência das famílias no campo”, exemplificou.

Para a coordenadora das Mulheres na Microrregião Três Fronteiras, Simone Drehmer Schutz, o evento, realizado a cada ano, deve ser lembrado não como uma data meramente comemorativa ao Dia da Mulher, mas sim pelo real sentido da história de luta de companheiras, que continua até os dias atuais. “Não podemos deixar de mencionar o papel fundamental que o Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais e o Movimento Sindical têm em relação às conquistas e lutas do movimento sindical para a categoria, como por exemplo a aposentadoria rural para a mulher, que antes era concedida somente ao homem; o auxílio-maternidade; Pronaf Mulher e Previdência. São muitas as conquistas, mas a história não acabou e precisamos continuar a escrevê-la”, destaca.

AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES

*Políticas públicas que favoreçam a Agricultura Familiar e a Sucessão Rural;
*Desburocratização das leis de Inspeção Municipal e Estadual da Agroindústria Familiar;
*Mais liberdade de negociação e de administração, livre da Verticalização na Agricultura;
*Maior atenção no direito à Previdência para a agricultora, mesmo que o marido trabalhe com carteira assinada para complementar a renda familiar;
*Maior autonomia para administrarmos o que é nosso, sem manipulação do sistema;
*Agricultura melhor assistida;
*Leis Ambientais que não venham a excluir tantos agricultores do meio rural;

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