MPF/SC denuncia 35 acusados de contrabandear cigarros

MPF/SC denuncia 35 acusados de contrabandear cigarros
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Organização atuava nos estados de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul, além do Uruguai

O Ministério Púbico Federal em Santa Catarina denunciou 35 pessoas envolvidas na Operação Loki, desencadeada pela Polícia Federal, e que resultou em diversas prisões em flagrante e desmantelou uma organização criminosa acusada da prática dos crimes de contrabando de cigarros oriundos do Paraguai e corrupção de agentes públicos. A ação corre em segredo de Justiça.
A operação da PF começou a ser estruturada após inúmeras prisões em flagrante e apreensões de cigarros provenientes do Paraguai ocorridos na região de Dionísio Cerqueira. A partir daí, a operação foi montada utilizando como principal meio de investigação as interceptações telefônicas. A denúncia do MPF é da procuradora da República em São Miguel do Oeste, Maria Rezende Capucci. Segundo ela, durante o período de monitoramento telefônico descobriu-se que o grupo mandava os cigarros contrabandeados do Paraguai para os estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além do Uruguai. Para tanto, agia a partir de diversas cidades e possuía estratégia de ação.
Conforme o MPF, o contrabando de cigarros do Paraguai é uma atividade altamente lucrativa. Em um só carregamento, os contrabandistas podem ganhar mais de R$ 360 mil. No Uruguai, o lucro é ainda maior. Por isso, muitas vezes, a organização transportava as cargas nas rodovias com a proteção de “batedores”. Os veículos utilizados para o transporte da mercadoria eram, em sua maioria, clonados ou haviam sido roubados em outras regiões. A organização preferia automóveis de grande potência e rebaixados, que eram previamente adaptados. Muitos deles eram equipados com rádios transmissores. A investigação levantou que os motoristas desses carros efetuavam manobras extremamente perigosas na rodovia, como por exemplo, ao tentarem desviar de barreiras policiais. Em alguns casos, as manobras resultaram em mortes. Os áudios flagraram, ainda, outros delitos praticados pela organização, como a compra de armas.

Crimes interestaduais
As investigações levaram à conclusão de que a organização tinha ramificações nos estados de Santa Catarina, do Paraná e Rio Grande do Sul e se estruturava em quatro subgrupos.
No oeste do Paraná, havia um subgrupo responsável pelo fornecimento e distribuição dos cigarros para as demais regiões. Contava com diversos integrantes, adquirindo os cigarros no Paraguai e providenciando toda a logística para a entrada da mercadoria em território nacional, desde o transporte até o armazenamento. “Inclusive, era um integrante deste subgrupo quem estipulava os valores das propinas a serem pagas aos policiais para facilitar o contrabando”, cita o MPF.
No Rio Grande do Sul, o grupo também contava com a participação de diversas pessoas. As cargas negociadas por seus membros eram também encomendadas pelo subgrupo anterior. Este subgrupo era responsável também por coordenar e providenciar os locais para armazenar as cargas de cigarros contrabandeadas. Conforme os áudios, este subgrupo também atuava no Uruguai. Mais ao sul do estado gaúcho, estabelecia-se outro subgrupo, responsável em distribuir a mercadoria contrabandeada para o extremo sul do país, bem como para o Uruguai. Mantinha-se o elo entre o lado brasileiro da organização e os membros que atuavam no país vizinho, chegando a movimentar mais de 300 caixas de cigarro por semana.

Intermediários
A investigação separou em um subgrupo os policiais e outros agentes públicos, bem como os intermediários, cuja principal atividade era servir de “olheiros” para os demais membros da organização. O objetivo era estruturar o esquema para que a mercadoria contrabandeada chegasse ao destino final sem qualquer apreensão. Segundo a denúncia, pessoas monitoravam o policiamento nas rodovias por meio de uma rede de informantes e colaboradores. Assim, a organização podia direcionar suas condutas e garantir o sucesso das empreitadas.

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