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MPF denuncia esquema de tráfico internacional de mulheres
Ao todo seis pessoas responderão por vários crimes previstos no Código Penal
Batizada de "Operação Messalina", uma investigação do MPF (Ministério Público Federal), em Santa Catarina, descobriu um esquema que recrutava mulheres da Argentina e também da região Oeste, para trabalharem em casas de prostituição no Estado. O MPF ofereceu denúncia contra seis pessoas acusadas de montarem um esquema criminoso de tráfico internacional de mulheres para a prática da prostituição, que responderão por vários crimes previstos no Código Penal, como organização criminosa, tráfico internacional de pessoas, favorecimento da prostituição, submissão de menor à prostituição, tráfico interno de pessoas e rufianismo. A ação foi oferecida pela procuradora da República em São Miguel do Oeste, Maria Rezende Capucci, e corre em segredo de justiça. Tudo começou após a denúncia de uma mulher argentina que compareceu à Delegacia da Polícia Federal, em Dionísio Cerqueira, para relatar que sua filha e sua sobrinha, esta menor de idade, foram agenciadas para trabalhar no Brasil, mais especificamente em Rio do Sul. Os empregos oferecidos eram para trabalhar em um bar. Para a menor, cuidar de duas crianças. Porém, as jovens, que ingressaram no país clandestinamente, só descobriram que o "serviço" seria a prostituição. A partir das informações, a PF iniciou a investigação, que recebeu o nome de "Operação Messalina", com o objetivo de apurar a prática do tráfico internacional de mulheres para prostituição. Durante os procedimentos, constatou-se que todas as mulheres argentinas agenciadas eram da Província de Missiones (cidades de Bernardo de Irigoyen, San Pedro, Wanda e outros). Inclusive, entre os agenciadores está um casal que mora em Bernardo de Irigoyen, na Argentina. Operado a partir da cidade de Rio do Sul, o esquema também recrutava brasileiras da região de Dionísio Cerqueira. Inclusive, em muitos casos, os denunciados aliciavam menores para trabalhar nas casas de prostituição. Um das denunciadas, apontada como mentora do grupo, é proprietária de três casas de prostituição (uma em Ituporanga e duas em Rio do Sul), além de outros negócios na região, como um posto de combustíveis e um hotel. Por meio das interceptações telefônicas, os policiais comprovaram as ameaças utilizadas para impedir que as meninas, que iam viver e "trabalhar" nas casas, deixassem o local, bem como o tratamento dispensado àquelas que não se enquadrassem nas regras do esquema. Entre os inúmeros áudios, a denúncia destacou a fuga de uma menina das casas, a qual foi perseguida e estuprada, a mando da proprietária do estabelecimento. Além disso, a partir do conteúdo de muitos dos áudios, além das declarações das próprias vítimas aliciadas, ficou demonstrado que os denunciados atraíam as meninas à prostituição, mentindo sobre o emprego oferecido no Brasil, com uma falsa promessa de trabalho lícito. Apurou-se, também, que as mulheres oriundas da Argentina e das cidades fronteiriças brasileiras vinham muitas vezes com seus filhos e eram obrigadas a ficar separadas deles, encaminhando-os para uma "creche" criada para este fim. Após serem alojadas, as garotas eram sexualmente exploradas e ficavam à mercê das regras do estabelecimento, impedidas de contatarem seus familiares e vice-versa, bem como de abandonarem o local em especial pelas "dívidas" que, segundo os proprietários das casas, elas teriam contraído com passagem, alimentação, hospedagem e até mesmo produtos de higiene.
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