Mãos que transformam

Mãos que transformam
Folha do Oeste

Em Belmonte, grupo de artesãs é referência na confecção de acolchoados com lã de ovelha

Mãos ágeis e mentes criativas, essa é a impressão que fica ao conhecer o talentoso trabalho desenvolvido por mulheres belmontenses, no espaço chamado Ateliê da Mulher. É no pequeno cômodo da antiga Câmara de Vereadores de Belmonte que Maria Luiza de Cristo de Boni, Romilda Maciel dos Santos e Salete Leão de Souza se reúnem todas as tardes para desenvolver seus produtos, todos realizados a partir de técnicas artesanais e ecologicamente corretas. O Ateliê da Mulher, que hoje é referência na região, surgiu a partir de um projeto social que tinha como objetivo potencializar o trabalho de um grupo de mulheres artesãs transformando-as em empreendedoras. Resultado: missão cumprida. Após passarem por diversas capacitações, as belmontenses beneficiárias do Bolsa Família produzem, controlam a necessidade de materiais precisos, administram o dinheiro das vendas e ainda divulgam o trabalho e produtos pela região, e feiras nacionais.
Por meio do Ateliê da Mulher, constituído legalmente desde 2009, o objetivo da administração é melhorar a geração de trabalho e renda. O grupo conta ainda com o apoio do Instituto Acordar na elaboração de projetos para captação de recursos junto à Instituição Brazil/Foundation. “Inicialmente, o trabalho era desenvolvido por 12 mulheres, mas como os lucros não são altos, elas foram saindo, restando apenas nós três, que pretendemos dar continuidade a este trabalho, que já é reconhecido pela comunidade”, destaca a integrante Salete, que participa do grupo há três anos. Para a moradora na linha São Jorge, em Belmonte, além de um trabalho, desenvolver os produtos no Ateliê é uma terapia. “Antes eu trabalhava na agricultura, mas como meu problema de coluna evoluiu, não tinha mais como ajudar a família. Com isso fui ficando até depressiva. Porém, com a implantação do Ateliê minha vida mudou. Além de poder contribuir com as despesas básicas, minhas condições de saúde melhoraram. Me sinto útil e motivada. Gosto muito do que faço”, revela.
A integrante Maria também aponta as mudanças positivas em sua vida, após iniciar as atividade no Ateliê. “Estava desempregada e hoje me sinto realizada em ver cada produto finalizado, e além disso posso ajudar com os gastos de casa. Pretendo melhorar cada vez mais a produção do artesanato”, aponta. De acordo com ela, atualmente parte dos recursos adquiridos com a venda dos produtos são destinados à compra de novos materiais necessários para a fabricação e os lucros são divididos entre as participantes, o que resulta mensalmente em um montante de R$ 100,00 a 200,00 para cada uma, dependendo da quantidade de encomendas. Segundo as artesãs, os municípios que mais adquirem seus produtos são de Belmonte, São Miguel do Oeste e Iporã do Oeste. No entanto, aceita-se encomendas de qualquer empresa ou local da região.
Hoje, o grupo de artesãs é referência na confecção de acolchoados com lã de ovelha, sendo o principal produto comercializado. Salete destaca que todo o processo de fabricação é feito com muito cuidado e dedicação. Produtores de ovelhas da região contribuem com o trabalho desenvolvido pelas belmontenses e muitas vezes até doam a lã. Conforme ela, o primeiro processo é a lavagem desse material, em seguida ela passa por uma escovação, até ficar desfiada. Posteriormente, o material passa por uma máquina que forma blocos de lã. Na sequência, em um trabalho conjunto, o acolchoado é estruturado e finalizado. “Um trabalho de grande qualidade que resgata as tradições das famílias locais. Antigamente, nossos avós só confeccionavam as cobertas dessa forma artesã”, salienta. Além dos acolchoados, as artesãs produzem tapetes, almofadas, chinelos bordados, toalhas, mantas, entre outros. Interessados em conhecer o trabalho e adquirir produtos desenvolvidos pelas belmontense podem entrar em contato pelos fones: (49) 9105 3160 ou 9112 7469, ou no endereço Rua Santos Dumont, centro de Belmonte.

AUXÍLIO

Para orientar e contribuir com o trabalho desenvolvido pelas artesãs, a monitora Sandra Fiore, cedida pela Administração Municipal, participa do grupo uma vez por semana. Segundo ela, a avaliação que se faz do rendimento das profissionais e dos produtos confeccionados são altamente positivos. De acordo com ela, o trabalho de qualidade produzido pelas belmontenses já é reconhecido não somente na região, mas em outros locais do Brasil em que os produtos são expostos. Resultado disso são as encomendas frequentes feitas às artesãs.
Sandra explica que as atividades artesanais iniciaram ainda em 2006 pelo setor social de Belmonte, com dois grupos intitulados Tricô e Arte, que produziam peças em tricô e chinelos bordados e Aprendendo a Criar, com artesãs que confeccionavam os acolchoados com a lã de ovelha. “As atividades artesanais contavam com a participação de 20 mulheres que, com o tempo, por motivos particulares, foram se afastando do grupo”, destaca. Segundo ela, em 2009, com o apoio do Instituto Acordar é que foi fundado o Ateliê da Mulher, que hoje conta com a participação de três artesãs. “É um trabalho admirável, criativo e de muita qualidade”, considera a monitora do grupo, Sandra Fiore.

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