Justiça definirá futuro do salão em linha Caxias

Membros da Associação Cultural Caxiense ingressaram na Justiça contra a demolição do salão comunitário

Uma divergência interna entre membros do Conselho da Igreja Católica da comunidade de linha Caxias e da Associação Cultural Caxiense terminou com uma demolição parcial do salão da comunidade e o caso foi parar na Justiça. Na manhã de segunda-feira, um grupo de aproximadamente 50 pessoas começou a demolição, mas foi obrigado a parar em razão de uma ordem judicial.

Adelar Dilli, presidente da Associação Cultural Caxiense, explicou que o que aconteceu é lamentável e triste, que chocou os membros da associação, da igreja e também as pessoas que têm ligação com a comunidade. Ele repudia a atitude destas pessoas que partiram para a demolição do clube. "Essa discussão começou faz cerca de dois meses, e numa assembléia esteve presente o Corpo de Bombeiros, para dar o parecer em relação à conservação do salão. Fomos informados de que o local estava em perfeito estado e não havia necessidade de muitos investimentos para adequação. Nossos associados, a quase maioria absoluta, decidiram pela manutenção do clube atual, porque existe um projeto para um novo pavilhão desde 2006. Com essa diretoria atual da capela, não houve mais acerto entre as diretorias nem a concordância nossa em demolir o salão atual. Com duas ou três promoções, as despesas das readequações seriam pagas", explica.

O salão, inaugurado em 1972, tem a parte térrea toda de alvenaria e o pavimento superior é todo em madeira. Nessa época, Dilli lembra que, em comum acordo, duas partes do salão seriam da capela e uma da Associação Cultural. "O pessoal da capela fez um contrato para a venda da madeira sem nos consultar e o mais surpreendente é que o bolão estava fora das tratativas e foi por onde eles iniciaram a demolição. É um equipamento delicado, que precisaria de uma pessoa mais especializada para fazer a remoção do material", diz.

Dilli revelou que por parte da capela existe um projeto encaminhado para a construção de um novo salão. Por parte da associação, ele revela que existe um projeto junto à prefeitura e ao Estado, bem como à Secretaria de Lazer, Cultura, Esporte e Turismo, para um pavilhão completo, com quadra de esportes, bolão, bocha, vestiários para o campo de futebol, para atender todas as necessidades da comunidade, mas tudo está ainda sem resposta. "Fizemos a readequação do projeto e ainda não temos a definição de quando poderemos iniciar essa obra, mas de uma hora para outra tudo pode ser liberado", expõe.

O presidente do Cultural explica que a terra foi doada por Vendelino Braun e posteriormente registrada em nome da Mitra, portanto pertence à capela. Dilli destaca que o prejuízo social dessa atitude é grande, porque não existe mais a copa para venda da bebida, não tem mais energia elétrica e água. "Mesmo estando o campo intacto, não há mais condição de ativar a modalidade. Agora não sabemos quando nossos atletas irão praticar esporte novamente, os idosos não têm mais seu local para os encontros. Os pioneiros não têm mais onde se encontrarem nos finais de semana. Quando tivermos de volta as instalações, não mais os mesmos frequentadores, qual será o destino deles?", questiona.

Agora, a decisão para a continuidade ou não da demolição do salão será dada pela Justiça. Dilli ainda espera que haja uma possibilidade de acordo, mas afirma que a associação não abrirá mão de seus direitos. "Ainda não assimilamos a ideia de eles afirmarem que são a fim do esporte. Cerca de 90% do pessoal que estava envolvido na demolição não é associado ao esporte", informa.

Outro membro do setor do esporte, Aurélio Valter Braun, disse que o diálogo acabou e os membros da igreja não querem conversa. "Eles queriam derrubar o salão porque têm mágoa do nosso bolão e de pessoas da cidade que são sócias na comunidade e vêm aqui praticar esse esporte. A primeira coisa que eles fizeram foi arrancar o bolão fora. O salão era muito bom e precisava de pouca coisa para readequar", salienta.

Aurélio disse, ainda, que seu pai, Vendelino Braun, um dos pioneiros da comunidade, inclusive doou parte do terreno para a construção, e está chocado com a situação. "Agora meu pai, que é idoso, não tem mais local para jogar baralho com os amigos e fica sentado na área de casa vendo o salão do jeito que está. A gente sente muito porque ajudamos a construir o salão. Tem pessoas que não deram nenhuma tábua e não sentem nada", desabafa.

A versão da Comunidade Católica de linha Caxias

A primeira missa na comunidade de linha Caxias, interior de São Miguel do Oeste, aconteceu em 1950, celebrada pelo Padre Aurélio Canzi, na então escola. Em agosto de 1972 foi inaugurado o clube da comunidade, que por muito tempo se destacou entre os salões de baile da região, pelo tamanho, pela estrutura e qualidade. De acordo com membros da igreja, no ano de 2005, por não atender aos padrões mínimos de segurança e oferecer riscos aos usuários, a comunidade teve indeferida uma solicitação de atestado de funcionamento, pelo Corpo de Bombeiros Militar. Devido ao alto custo para adequação às normas vigentes, a comunidade decidiu, em assembleia no dia 7 de junho deste ano, suspender a promoção de quaisquer eventos, inclusive a festa do padroeiro, que costumava ser realizada no primeiro domingo de agosto de cada ano.

O coordenador da capela, Valdir Palú, explica que novas assembleias foram realizadas na comunidade com o intuito de debater e encontrar soluções para o assunto em questão, e no dia 8 de agosto, inclusive com a presença de representantes da Associação Cultural Caxiense, mais uma vez decidiu-se pela venda do antigo/atual clube e posterior construção de novas e melhores instalações para realização de eventos que atendam aos anseios da comunidade, visitantes e demais pessoas que por ali passam. Na segunda-feira seguinte, o presidente da Associação Cultural Caxiense teria passado às mãos do coordenador do Conselho da Capela as chaves do referido clube, a fim de serem iniciadas as providências, como por exemplo, a avaliação do clube por pessoa competente, de acordo com sugestão do próprio presidente da citada associação, conforme consta na respectiva ata, que também foi assinada por este e mais alguns sócios da associação, além de demais pessoas presentes.

"Depois de esgotados os debates, avaliação por idôneo corretor de imóveis, elaboração de projetos, levantamento de preços para venda da madeira e para aquisição de material de construção, inclusive com assinatura dos respectivos contratos de compra e venda, decidiu-se pela demolição do clube, que iniciou no começo desta semana", afirma Palú.

Segundo ele, foi grande a surpresa dos aproximadamente 50 sócios da capela e, entre eles alguns sócios da Associação Cultural Caxiense, organizados em pequenos grupos de trabalho quando, após o meio dia, uma ordem judicial determinou a paralisação das tarefas, tais como a retirada de móveis e utensílios do interior do salão, a acomodação dos mesmos em locais apropriados e o início da demolição.

"Estávamos cumprindo uma decisão tomada em assembléia, onde a maioria concordou, em demolir o clube antigo, que oferece riscos, para a construção de novas instalações, com 600 m², quadra poliesportiva para realização de diversos eventos. Isso não pode ser considerado ato de vandalismo", desabafa Palú.

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