Hidroponia - agricultura urbana

Hidroponia - agricultura urbana
Folha do Oeste

O crescimento das cidades associado ao êxodo rural são alguns dos fatores que vêm estimulando a produção de alimentos na cidade. A prática, em ascensão no país, é denominada agricultura urbana

Você já imaginou cultivar alguma planta ou vegetal sem o solo? Por mais estranho que essa pergunta possa parecer, isso é algo perfeitamente possível. Cada vez mais difundida no país, a hidroponia, segundo o engenheiro agrônomo de Belmonte, Bernardo Pancotte, é uma técnica que desenvolve plantas sem a presença do solo. ?Nesse processo, as raízes recebem uma solução que contém água e vários nutrientes  essenciais para o desenvolvimento da planta?, diz. Em São Miguel do Oeste, o casal de aposentados Eloi e Etelvina Malinski decidiram, desde 2006, apostar nessa forma de produção. Por incentivo do filho, que é formado em agronomia, a dona de casa e o marido decidiram aproveitar o quintal da casa para investir e construir um sistema hidropônico. Com uma estufa de aproximadamente 200 m² e com 13 bancadas, lá são cultivadas verduras como alface, agrião, rúcula e outros, todos sem contato com o solo, apenas com água proveniente de poço, e sais minerais. ?É uma verdura mais crocante, limpa, saborosa e mais saudável porque não usamos agrotóxicos?, diz Etelvina.

O sistema disponível na propriedade do casal Malinski funciona da seguinte maneira: a solução nutritiva é armazenada em caixas d?água, de lá é transportada para a parte superior do leito de cultivo, denominada bancada, onde estão as ?canaletas?, nas quais as plantas estão inseridas. A água e os nutrientes se espalham pelos canais e depois retornam ao reservatório. Na estufa, a circulação da solução nutritiva é comandada por um sistema regulador de tempo. Esse equipamento permite que o tempo de irrigação e drenagem ocorra de acordo com a programação que se deseja. ?Nosso temporizador funciona de 15 em 15 minutos?, explica Malinski, acrescentando que as caixas d?água são abastecidas com os adubos industrializados de manhã, de tarde e de noite. ?Se a verdura é adulta, ela consome bastante água e nutrientes?, comenta.
A maioria dos materiais usados no sistema hidropônico do casal são provenientes de São Paulo. ?Usamos materiais próprios para esse tipo de cultivo e compramos direto da fábrica?, diz Etelvina. Conforme ela, na região, os equipamentos são vendidos por preços muito acima dos pré-estabelecidos no mercado, o que os obriga a realizar a compra em outros lugares.
Na propriedade, há um espaço denominado por Etelvina de ?maternidade?. Ela explica que é lá onde se inicia todo o procedimento. Por meio de semeaduras, a dona de casa prepara a espuma fenólica e adiciona as sementes. A espuma fenólica é usada para a germinação da semente em material inerte, ou seja, que não interfere na nutrição. Além disso, a espuma propicia boa sustentação para a muda, tem alta capacidade de retenção de umidade e excelente aeração, o que evita problemas degenerativos nas raízes. Outras vantagens importantes são em razão de a espuma fenólica dispor de elevada produção de mudas em menos espaço e pela praticidade do uso, sendo fácil de manusear e transportar. Depois de germinadas, as mudas são adicionadas à estufa hidropônica e em menos de um mês estão prontas para consumo. 
O sol é um fator que contribui muito para o desenvolvimento das plantas produzidas por hidroponia. No entanto, independente da estação, as verduras hidropônicas se desenvolvem com o mesmo vigor. ?Pode haver uma demora no inverno, mas é pouca diferença?, argumenta Etelvina. 
  
RENTABILIDADE
A produção é satisfatória e, se bem cuidadas e instaladas, as verduras cultivadas por meio de hidroponia podem propiciar um bom retorno financeiro ao produtor, pois alcançam um grau de produtividade bastante elevado. Etelvina revela que tem uma boa clientela e grande parte do que produz é repassada à cooperativa Alfa, de SMOeste. Por ser um sistema que pode ser realizado no meio urbano, fica mais próximo dos consumidores da cidade. Além disso, a hidroponia é uma técnica nova e que praticamente não existe na região Extremo Oeste. Conforme Pancotte, o mercado para o segmento é promissor e pode ser muito bem explorado. ?É um mercado com amplo espaço, pois dispõe de produtos com ótima qualidade, sem dúvida é uma boa opção de ganhos financeiros?, comenta. A dona de casa destaca que, no início, o investimento é alto devido à necessidade de terraplenagens, à construção de estufas, mesas, bancadas, sistemas hidráulicos e elétricos, mas que, depois de um tempo, os lucros são satisfatórios, pois se encurta o ciclo de produção da planta.
A aceitação mercadológica se dá cada vez mais pela qualidade que o produto oferece,  e em razão de o comércio ter aceitado muito bem as verduras produzidas pelo sistema hidropônico, embora no varejo os produtos sejam um pouco mais caros em função do  tamanho, da aparência e qualidade que apresentam. As maiores vantagens das verduras hidropônicas em relação às cultivadas no solo, como já relacionadas no texto acima, é que as mesmas são mais crocantes e saborosas, além do que, em um espaço de 30 dias, já estão prontas para o consumo, sendo que no solo são cerca de dois meses para ficarem prontas. ?Quem começa a comer a verdura produzida na hidroponia não come mais da outra?, descreve Etelvina, enfatizando que o trabalho é agradável, mas exige empenho, dedicação e muitos cuidados. ?É muito gostoso, para mim isso também é uma forma de terapia?, destaca.
A maior despesa neste tipo de cultivo é com a energia elétrica, que é responsável pelo funcionamento dos sistemas hidráulicos que promovem a circulação da água. 
 
CUIDADOS
Na hidroponia, a incidência de pragas e doenças é menor, mas, quando ocorrem, causam certas dúvidas quanto ao que fazer, já que um dos pontos fortes para a comercialização do produto hidropônico é que não se empregam fungicidas e inseticidas no processo de cultivo. No entanto, o engenheiro agrônomo destaca que o consumidor não pode associar o produto hidropônico com a agricultura orgânica. ?As plantas hidropônicas são cultivadas sobre suportes artificiais, em água, recebem soluções químicas para nutrição e tratamento de eventuais doenças?, realça.
Porém, mesmo em hidroponia, podem ocorrer doenças e ataques de insetos. Mas, conforme o engenheiro agrônomo, as ocorrências são esporádicas, pois as plantas são mais protegidas das adversidades do clima, dos patógenos e dos insetos, além de serem melhor nutridas durante o ciclo. Um dos cuidados a serem tomados na produção é com a proliferação de insetos. Principalmente borboletas que, segundo Etelvina, depositam ovos nos vegetais. ?Temos que ter um cuidado muito grande e ficar catando e retirando os ovos. Controlar e ver se não tem bichinhos?, adverte. 
Malinski buscou um maior conhecimento antes de iniciar o cultivo hidropônico, já que seguiu as orientações do filho, formado em agronomia. Inclusive realizou um curso de três dias em Florianópolis que, de acordo com ele, foi muito esclarecedor e interessante. ?No começo, sentimos um pouco de dificuldade, mas depois que pegamos o jeito, as coisas deram certo?, comenta.   
 
EXPERIMENTO
Existem muitos vídeos e sites na internet que ensinam qualquer pessoa interessada a desenvolver o sistema hidropônico; no entanto, o acompanhamento e as dicas de um profissional podem garantir maior proveito do sistema para quem deseja ingressar no ramo. O aluno da 6ª série da Escola de Educação Básica Guilherme José Missen, Eduardo Varella Metzdorf, de 13 anos, provou que desde que se tenha vontade e determinação, qualquer um pode realizar o plantio por hidroponia, mesmo em produção de pequena escala.
Eduardo fez um pequeno experimento hidropônico para apresentar na Feira de Ciências Regional, realizada na Escola de Educação Básica Sara Castelhano Kleinkauf, de Guaraciaba. O jovem desenvolveu todo o trabalho sozinho, mas contou com a supervisão da professora de Ciências, da escola. ?Foi fácil, olhei na internet e consegui uma noção. Fiz sozinho, passo a passo e testando até acertar?, conta. No site www.folhadooeste.com.br o leitor poderá acompanhar fotos do experimento de Eduardo.
Na Feira de Ciências, onde o experimento hidropônico foi exposto, Eduardo relata que houve um grande interesse dos visitantes: ?As pessoas perguntavam bastante coisa sobre como funcionava. Alguns disseram também que queriam fazer um para ter em casa?. O jovem destaca também que a hidroponia é uma boa alternativa não só para produzir vegetais, mas também para outros tipos de plantas, como flores por exemplo.
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