Gestão, sucessão e a importância da família são temas para 10 mil agricultores
Formar, educar e informar compõe um dos sete princípios universais do cooperativismo. É com essa premissa que a Cooperativa Agroindustrial Alfa, ancorada no SESCOOP e no Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), lançou oficialmente na quarta-feira, dia 18, na sede da Cooperalfa, em Chapecó, o programa “Família na Terra - A Essência do Campo” que se resume a 18 seminários pelo interior do Estado, dos quais deverão participar cerca de 10 mil pessoas que compõem parte significativa do corpo social da cooperativa.
Os temas debatidos com os agricultores durante os seminários de certa forma são delicados, a exemplo dos efeitos da afetividade e do sentimento conectados à função econômica do patrimônio, razão pela qual, acredita-se, muitos pais “nem querem tocar no assunto” com filhos, noras e genros, travando o processo de sucessão familiar, que encontra nesse conceito “paternalizante” o seu primeiro gargalo. O próprio presidente da Cooperalfa, Romeo Bet, que um dia teve de chamar seu filho Evandro para “uma conversa diferente”, sentiu de perto como é dividir o poder dentro de sua propriedade agropecuária, em Planalto Alegre, mas que, anos depois de permitir que mais decisões tivessem nas mãos as rédeas do filho, assim como o fatiamento da renda ali colhida, pode desfrutar hoje de um empreendimento modernizado, gerador de resultados positivos, e a perpetuação do negócio garantida. “Se os filhos, mesmo adultos, tiverem de pedir dinheiro aos pais para irem a um baile, é sinal que algo anda muito errado na gestão das propriedades”, alerta o pai e líder cooperativo.
A participação da moça-agricultora na gestão agropecuária é outro foco do programa Família na Terra - da Alfa, que remete a um passado recente, onde as noivas, ao se casarem, no máximo recebiam um modesto “enxoval”, que não passava de uma máquina de costura e meia dúzia de panelas, instrumentos que, na verdade, reproduziam um modelo de mulher submissa, meramente “dona de casa”, e nada mais. Para o primeiro vice-presidente da Alfa, agrônomo Cládis Jorge Furlanetto, alguns lares agrícolas já podem comemorar a existência de um público feminino mais autêntico e menos subalterno. “No entanto, faltam ainda muitos degraus para que, de fato, a igualdade entre homem e mulher possa ser comemorada”, reconhece Cládis.
Na região da Ameosc, os seminários serão realizados em São José do Cedro no dia, 15 de junho, em São Miguel do Oeste no dia, 16 de junho e em Palma Sola no dia 22 de junho.
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