Estiagem: ?Cada dia que passa é um problema maior?

Estiagem: ?Cada dia que passa é um problema maior?
Divulgação - Em SJOeste, açudes que abastecem a ETA de Beato Roque estão secando

Sem indícios de chuvas, municípios da região tentam de todas as formas amenizar a estiagem e garantir água potável para a população

A seca segue sem dar trégua na maioria dos municípios do extremo oeste catarinense. Com previsões desanimadoras, a Epagri/Ciram já divulgou que é muito provável que no trimestre entre fevereiro e abril deva chover pouco ou abaixo da média climatológica no grande oeste do Estado. Isso significa que o problema de estiagem nos últimos meses é bastante severo, e as chuvas esperadas para esse trimestre não serão suficientes para reverter a situação.

Alguns municípios estão praticamente secos. É o caso de Guaraciaba, que já não tem mais demanda de água suficiente para a população. De acordo com o assessor de planejamento, Luiz Alfredo Scapini, a administração de Guaraciaba está ‘importando’ de 80 a 100 mil litros de água potável do município de São José do Cedro. “Estamos buscando essa água no município vizinho e deixando numa estrutura que fica à disposição da população da cidade”, disse Scapini.

Para o interior do município, o assessor destaca que a falta de água nas propriedades é amenizada pelo que ainda resta nos mananciais. Nesta semana, Scapini ressalta que uma reunião com a Defesa Civil, realizada em Guaraciaba, determinou ações e medidas para suportar os efeitos da estiagem, e uma delas é economizar ao máximo o uso da água, priorizando-a para o consumo humano.

O município, que já recebeu da Defesa Civil quatro tanques, deverá adquirir mais dois nos próximos dias para dar conta da demanda. Festas e eventos promovidos pela Administração Municipal foram suspensos momentaneamente até que volte a chover de maneira significativa na região.

SDR Dionísio Cerqueira viabiliza mais kits para transporte de água

A SDR (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional) de Dionísio Cerqueira confirmou, na tarde de ontem, dia 10, a liberação de mais dois kits de emergência para municípios atingidos pela estiagem. De acordo com o secretário Regional, Flávio Berté, os municípios de Palma Sola e São José do Cedro foram contemplados com os equipamentos, liberados em forma de comodato, pela Defesa Civil. Os dois municípios devem receber os kits até na próxima segunda-feira, dia 13. “Os materiais liberados pelo Governo do Estado serão utilizados, exclusivamente, para abastecimento de água à população urbana e rural que sofre bastante em função da estiagem”, destacou o secretário.

Mais equipamentos

O gerente de Agricultura da SDR Dionísio Cerqueira, Ademilson Stuani, esteve na tarde de quinta-feira, dia 9, visitando os municípios da Regional, na companhia de representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. De acordo com Stuani, a situação é complicada e, mesmo com a chuva que caiu anteontem em grande parte da região, os níveis dos rios e dos açudes continuam baixos.

Depois da visita, a equipe esteve reunida no gabinete do secretário regional para deliberar sobre a possibilidade de liberar mais equipamentos da Defesa Civil para os outros municípios que ainda não foram atendidos.

Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água

Nesta quarta-feira, dia 8, o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, esteve em Brasília para reuniões no Ministério da Integração Nacional. Um dos objetivos da viagem foi negociar com a coordenadora de Projetos Especiais do Ministério, Daniela Nogueira, a aplicação do Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água (Água para Todos) nos municípios atingidos pela estiagem em Santa Catarina.

De acordo com Rodrigues, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão incluídos no Programa Água para Todos, que visa garantir o amplo acesso à água para o consumo próprio ou para a produção de alimentos e a criação de animais destinados à sua segurança nutricional. “O programa é direcionado às famílias que se enquadram no Programa Bolsa Família, dando preferência às comunidades indígenas e aos assentamentos”, explicou.

O programa Água para Todos vai estimular a ampliação da utilização de tecnologias, infraestrutura e equipamentos de captação e armazenamento de águas pluviais e de água oriunda de corpos d’água, poços ou nascentes. Conforme afirmação do secretário, na próxima semana haverá uma reunião com os prefeitos dos municípios que podem ser beneficiados pelo programa nacional para orientação de documentação.

Mais de 580 mil são atingidos pela estiagem

De acordo com a Defesa Civil, 86 municípios decretaram emergência por conta da seca. Em pronunciamento, o deputado padre Pedro Baldissera lembrou que “há muito tempo nós insistimos em que é preciso uma política consistente para evitar que essas populações, em especial os agricultores familiares, sofram com as estiagens ano após ano. Mas agora o que precisamos é socorrer essas pessoas, e com urgência”, afirmou o parlamentar, defendendo que a situação poderá levar a problemas sociais dramáticos, principalmente no oeste do Estado. “Em 2009, nós tivemos uma estiagem que tem consequências até hoje no oeste e extremo oeste. Menos de três anos depois vivemos de novo a ameaça de que a agricultura engrosse o cinturão de pobreza”, ressaltou.

Descanso: Casan reduz 75% de cargas de água transportadas pelo município. O secretário de Obras e Urbanismo de Descanso, Fábio Berté, um dos responsáveis pelo transporte de água para as comunidades de Campinas, Itajubá e São Valentin, foi pego de surpresa nesta última quarta-feira, dia 8. Por dia, aproximadamente 15 cargas de água, 150 mil litros, eram utilizadas para abastecer as três comunidades, e nesta semana a Casan apenas autorizou quatro cargas, correspondente a 25% do total. Segundo funcionários, a empresa não poderia ceder mais porque também está enfrentando sérios problemas com a estiagem. “Não estou aqui culpando a empresa, muito pelo contrário. Só quero que a população tenha ciência de que nós, enquanto Administração Municipal, estamos fazendo o possível e o impossível para que todas as famílias não fiquem sem água”, disse. Para piorar a situação, o secretário diz que todas as fontes de água que o município usufruía costumeiramente, já há muitas semanas estão abaixo do nível, impossibilitando a retirada. “As alternativas estão se esgotando. Se não chover em breve, a situação só tende a piorar”, prevê.

São João do Oeste: Pela segunda vez desde a conclusão da obra de recalque em 2009, o município poderá recorrer ao sistema de bombeamento de água do Rio Uruguai. A rede adutora de Sede Capela à cidade de São João do Oeste possui 12 quilômetros de extensão. O sistema tem capacidade para recalcar até um milhão de litros por dia. Neste momento, a estação poderá tratar até 500 mil litros a cada 24 horas. O sistema poderá ser acionado até o final de semana, caso não chova. Os reservatórios (barragem do Rio Fortaleza e açudes) que abastecem as ETAS da cidade e de Beato Roque estão secando.

O prefeito Sérgio Theisen lembra que em 2011 a Administração Municipal efetuou várias melhorias no sistema de água para o abastecimento humano e com isso o município resolveu o problema da falta de água para o consumo humano nos períodos de estiagem. Segundo Theisen, atualmente o consumo de água na cidade de São João do Oeste gira entre 300 e 400 mil litros por dia e atende a 750 famílias. Informa que na ETA de Beato Roque é registrado consumo diário de 230 mil litros. A rede pública atende a 300 famílias de Cristo Rei e Beato Roque. Theisen pede para que a população que reside nos perímetros urbanos evite o desperdício de água.

Guarujá do Sul: Comunidades do interior de Guarujá do Sul novamente apresentam problemas de água para consumo humano. A informação é do secretário da Agricultura, Ênio Barrichello. Segundo ele, a situação segue bastante complicada. Barrichello elenca que as comunidades mais atingidas com a falta de água são Barro Preto, Baixo Arara, Linha Coronel, 13 de Maio e Linha Cembrani. “No Barro Preto, a água está faltando até para consumo humano”, explica. A procura para confecção de fontes caxambu está sendo grande, e a Administração tem solicitações de pelo menos 20 fontes. Ele lamenta que a cada dia que passa a situação agrícola se agrava. Depois do milho, as perdas começam a ser grandes também no cultivo da soja. O secretário enaltece que a administração está trabalhando num ritmo forte para tentar diminuir a dificuldade dos agricultores de Guarujá do Sul.

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