PREPARE O GUARDA-CHUVA

El Niño continuará atuando este mês

El Niño continuará atuando este mês

Novembro deve ser mais um mês chuvoso em Santa Catarina. Mas, passada a fase inicial do desenvolvimento das plantas, prejuízos à agricultura tendem a ser menores

Santa Catarina voltou a ter seu clima afetado pelo El Niño de forte intensidade, depois de vinte anos. A última vez que este evento ocorreu com intensidade forte foi entre 1997 e 1998, quando Santa Catarina registrou 45 dias de chuva nos meses da primavera. Antes disso, o El Niño atuou na década de 1980, quando foram registradas as grandes enchentes.
Dados do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina) apontam que entre setembro e outubro o total de chuva superou os 400 milímetros em grande parte do Estado. No Extremo Oeste, o acumulado chegou a 228 milímetros, mas no Alto Vale ficou próximo dos 800 milímetros de chuva.
De acordo com o extensionista rural da Epagri de São Miguel do Oeste, Valmir Kretschmer, não foi feito um levantamento específico para avaliar os impactos do fenômeno climático, que deve perdurar pelos próximos meses, mas, sim, notar prejuízos, como a perda de fertilizantes e a erosão nas lavouras. "Há situações de perdas no cultivo de pêssego por causa do granizo, e nas lavouras de trigo pelo excesso de chuva, em que os agricultores tiveram que acionar o seguro rural, mas são casos mais pontuais. O que observamos, de forma geral, foi um crescimento desuniforme nas lavouras de milho por conta da perda do fertilizante, que agora começa a se recuperar", explica. 
A perspectiva, segundo ele, é de safra cheia, ainda que o El Niño continue atuando neste mês. Relatórios da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional do Departamento de Comércio Americano indicam que há 90% de chance que isso aconteça. "A maior parte das lavouras de milho está começando a formar o pendão e é nessa fase que o milho mais precisa de água e sol; com essas condições teremos safra cheia", ressalta.plantio-de-milho-agricultura-no-sudao.jpg

PRESERVAÇÃO DO SOLO

Para o extensionista rural, as mudanças no comportamento climático ocorrem principalmente por fatores cíclicos, ou seja, de tempos em tempos. Mas, ele próprio considera que há medidas capazes de frear os impactos negativos do excesso de chuva na agricultura. "É bom fazer a cobertura de solo, plantar em nível, distribuir mais matéria orgânica e não compactar tanto a terra", orienta Kretschmer. Ele pontua que esses cuidados preservam a qualidade produtiva do solo. "Se não protegermos a terra, com o tempo ficaremos só com laje e pedra. Numa chuvarada perdemos dois centímetros de solo, enquanto que para formar um centímetro leva entre 300 a 400 anos", exemplifica.

PREVISÃO

A expectativa é de que em janeiro de 2016 a intensidade do fenômeno El Niño diminua. Mas, se ele continuar em atividade no ano que vem, há perspectiva de que ele volte com força em maio e julho.

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