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Educadores aprovam greve em SC
Paralisação objetiva pressionar o governo estadual a implantar imediatamente o Piso Salarial Profissional Nacional
Após uma das maiores mobilizações sindicais em Santa Catarina nos últimos anos, mais de sete mil trabalhadores em educação de todo o Estado decidiram, nesta quarta-feira, dia 11, por greve da categoria, a partir do próximo dia 18 por tempo indeterminado. A decisão foi tomada durante a Assembleia Estadual do Sinte/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), realizada em Florianópolis. De acordo com a coordenadora estadual da entidade, Alvete Pasin Bedin, a paralisação tem o objetivo de pressionar o governo estadual a implantar imediatamente o Piso Salarial Profissional Nacional em Santa Catarina.
O Governo do Estado havia entrado com ADIN (Ação de Inconstitucionalidade), recusando pagar o Piso Nacional aos trabalhadores em Educação, segundo lei federal aprovada em 2008. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal julgou a ADIN do governo catarinense, derrubando o recurso impetrado, e mantendo a implantação do Piso Nacional. Em audiência com a Secretaria de Estado da Educação, a Coordenação Estadual do Sinte deu prazo, até 11 de maio, para que o Governo do Estado apresentasse proposta quanto à implantação do Piso, porém as negociações não avançaram. “Lamentavelmente, o governo de Santa Catarina não respeita a lei federal que garante Piso como remuneração a todos os trabalhadores em Educação. O governo estadual continua querendo acrescentar abono na folha de pagamento para dizer que paga o Piso Nacional. Não podemos aceitar isso, pois se trata de uma grande injustiça”, considera a coordenadora.
Mesmo sem exatidão no número de participantes na mobilização, que segundo o Estado foi de três mil educadores, já o Sinte divulga a participação de sete mil professores, embora esta tenha sido uma das maiores paralisações já vista na luta dos educadores catarinenses. De acordo com a coordenadora regional de São Miguel do Oeste, Sandra Zawaski, somente de SMOeste quatro ônibus partiram em direção à Capital, onde aconteceu a Assembleia Estadual. Maravilha também partiu com quatro coletivos de educadores, além de centenas de participantes de Palmitos e Chapecó, que representaram o Oeste. “Não aceitamos a proposta do governo que pode se chamar de indecente, porque vai contemplar 8,8 mil educadores de uma categoria que tem 65 mil profissionais. Nesta mobilização, esperávamos uma proposta que não deveria ser muito boa, mas não esperávamos que fosse tão esdrúxula como foi”, avalia.
ASSEMBLEIA REGIONAL
Com isto, os educadores decidiram fazer aulas de 30 minutos até a próxima terça-feira, dia 17, como forma de pressionar o governo para que mude de idéia, apresentando uma proposta melhor. A informação é da coordenadora regional. Segundo ela, caso não haja nenhuma outra proposta será deflagrada greve a partir do dia 18, por tempo indeterminado. Na quarta-feira, será promovida, em SMOeste, uma Assembleia Regional com os educadores. O evento deverá ser realizado na Praça Walnir Bottaro Daniel, a partir das 15h. Nesta assembléia, será escolhida uma comissão para organizar a greve e definir detalhes sobre a paralisação. Esta assembleia também deverá eleger o representante da regional no comando de greve estadual e discutir a organização da greve na regional e as atividades que serão realizadas.”Não adianta fazermos greve e ficar tomando chimarrão em casa. Temos que mostrar e dialogar com a população, explicando o porquê da paralisação. Se hoje se comparar o salário de um professor com o de qualquer outro profissional, o educador sempre ganha menos. Estamos sem reajuste de salário há praticamente 10 anos”, afirma.
Sandra destaca que, após a greve, os educadores, junto com os representantes do governo, deverão firmar um acordo e elaborar um calendário de reposição de aulas.
MÁ FASE DA EDUCAÇÃO
“Tínhamos uma grande expectativa com esta mobilização e fomos praticamente enganados. Os governantes dem onstravam que estavam de acordo e parecia que iam pagar sem dificuldades, ou negociar de forma mais fácil. E na verdade, a proposta deles parece que vai beneficiar somente uma categoria, que é o mínimo de educadores. Foi uma grande frustração, decepção e revolta, ninguém aceitou. Foi de certa forma humilhante”, considera Cléria Salete Ghizzi, educadora há 31 anos e que está praticamente há seis anos sem receber 1% de aumento. De acordo com ela, a classe quer que o piso beneficie todos. Segundo a educadora, vários deputados estiveram na assembleia e manifestaram que o Estado tem recursos para efetuar este pagamento.
Ao analisar as mobilizações, é possível perceber que o salário pode ser um fator que fará muitos educadores desistirem da carreira. “Já se sente a falta de professores habilitados no início do ano letivo. Por esta razão, já está se contratando profissionais não habilitados para que os alunos não fiquem sem aula. Só não desisto da profissão porque pretendo me aposentar em breve”, afirma. Para Cléria, a avaliação que se faz é que não se tem mais professor disponível, e a questão salarial é um empecilho que não atrai novos educadores. “Na verdade, a educação está bem complicada, em uma fase difícil. Se perdeu um pouco dos valores da educação, a classe está desvalorizada, tanto em salário como em respeito. Isso pode ser percebido ao analisar noticiários estaduais e nacionais”, acrescenta.
Cléria salienta que os educadores têm consciência de que o aluno é prejudicado com a greve, porém ressalta que se o estudante perde hoje, mas ganha mais tarde. “Se não fizermos nada agora, aí é que a educação está perdida mesmo. Daí perco minhas esperanças de que vá melhorar. Porque ninguém mais vai querer ser professor. Vemos, no dia a dia, educadores iniciantes dizendo “eu vou fazer outro curso, porque não aguento mais, não quero mais isso para mim’”, garante. De acordo com ela, precisa-se de um proposta de uma educação melhor, não somente salarial, mas que as escolas estejam bem equipadas e que tenham bons projetos pedagógicos.
Governo lamenta paralisação
De acordo com o secretário do Estado de Educação, Marco Tebaldi, a atual gestão sempre esteve disposta e aberta ao diálogo, demonstrou boa vontade em atender a classe e uma greve neste momento não vai ajudar a construir uma Educação de qualidade em Santa Catarina. “Não é o momento de uma greve já que abrimos conversação com o sindicato e explicamos que dependemos da publicação da sentença do STF sobre a constitucionalidade do Piso Nacional, para podermos verificar a extensão e o impacto de sua aplicação”, explica.
Em nota oficial sobre a decisão de paralisação dos professores, o governo ainda aponta a Secretaria de Estado da Educação como defensora da melhoria salarial e valorização dos professores e funcionários e já manifestou a intenção de cumprir o pagamento do Piso Nacional do Magistério. No documento, consta, ainda, que a partir deste mês de maio nenhum servidor da Secretaria de Estado da Educação terá remuneração menor que o piso de R$ 1.187,97. Além disso, se alega que a Secretaria entende a ansiedade da classe pela aplicação imediata do piso, mas é necessário prudência até a publicação do acórdão do Supremo Tribunal Federal, para quantificar a extensão da sentença e o impacto que causará na folha de pagamento, enquanto isso nenhuma decisão será tomada.









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