Edição 1262 (publicada em 29/11/2007)- Testemunhas afirmam que motorista sabia da

Promotor comenta sobre os depoimentos

Duas das oito testemunhas de acusação ouvidas pelo juiz da Comarca de Descanso, Fernando Speck de Souza, na terça-feira, dia 22, disseram que o motorista Rosinei Ferrari tinha conhecimento dos problemas nos freios da carreta Mercedes Benz que provocou o segundo acidente na noite do dia 9 de outubro, na BR-282, no qual morreram 16 pessoas. Os policiais militares Adenir Greggio e Manfredo Keske fizeram a segurança do motorista no hospital São José, de Maravilha, no dia seguinte ao acidente e disseram que ele sabia do problema.

Conforme o promotor Luís Felipe Czesnat que apresentou a denúncia, um dos policiais afirmou que já tinha trabalhado como mecânico e no dia do acidente olhou a carreta e viu que um dos freios estava isolado. \"Esse policial disse que comentou isso com Rosinei e perguntou se ele não sabia disso. Aí o Rosinei lhes disse que sabia e, inclusive, quando estava no caminho parou num posto de gasolina e isolou outro freio. Isso contraria o que ele havia falado no depoimento, de que não tinha ciência de nada\", comentou o promotor. De acordo com os policiais, ele não informou o local e nem se tinha ligado para a empresa para relatar o problema.

Outra testemunha fundamental, segundo o promotor, foi o motorista do caminhão Cilon Eickhoff. Ele estava na frente do caminhão guiado por Ferrari e parou na barreira quilômetros antes do local do primeiro acidente. Segundo Czesnat, este depoimento foi um dos mais longos, quase duas horas, mas rico em detalhes. \"Ele enfatizou que o caminhoneiro sempre sente quando o veículo não tem freio\", acrescenta o promotor.

Eickhoff contou que ao chegar na fila encostou o caminhão. Já a carreta guiada por Ferrari fez uma manobra como se fosse parar. \"Ele vinha devagar, mas acho que não conseguiu parar\", observou. Eickhoff ressaltou que Ferrari poderia ter jogado o veículo no barranco.

Conforme o promotor, o motorista disse que não havia ninguém no outro lado da pista e o alcance da visão era de aproximadamente 300 ou 400 metros. \"Inclusive, mais à frente, ele declarou que existia uma entrada para uma fazenda onde Ferrari poderia ter parado\", complementa.

Já o depoimento do perito Luiz Maran, de acordo com Czesnat, foi mais para esclarecer alguns pontos e, basicamente, ele informou que o caminhão não tinha condições de trafegabilidade, pois possuía um baixo índice de segurança já que contava com apenas 20% dos seus freios funcionando. \"As testemunhas também confirmaram que havia barreiras policiais, inclusive uma das testemunhas era um policial responsável pela barreira. Eles falaram que havia cone na pista, galhos, carro de polícia parado com giroflex e tudo mais\", destaca o promotor.

As demais testemunhas de acusação ouvidas na terça-feira foram: Gilmar Poletti, motorista de um dos guinchos que estavam no local; o agricultor Honorino Dall Magro e os policiais militares Vilmar dos Santos e Nilo Menegais. Os depoimentos encerraram por volta das 18h30 e as outras duas testemunhas de defesa prestarão as informações por meio de carta precatória, em Maravilha, na próxima semana. Também para a próxima terça-feira, dia 4, devem prestar depoimento as testemunhas de defesa.

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