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Dia das Mães: A maternidade durante a pandemia
Ser mãe é gerar dentro de si uma nova vida, e em tempos de pandemia como todas as pessoas estão vulneráveis a se infectarem pelo vírus que causa a doença da Covid-19, as mães merecem uma atenção especial. Desde o mês passado, para o Ministério da Saúde, passaram a fazer parte do grupo de risco as gestantes e mulheres puérperas (período depois do parto). Dessa forma, a pandemia tem se tornado um período de cuidados redobrados para as mulheres que se tornaram mães recentemente. Para a ginecologista e obstetra, Josiane Castro (CRM: 5291), os cuidados de uma grávida devem levados a sério como os das outras pessoas, ou seja, não sair de casa sem necessidade, quando tiver que sair usar a máscara, lavar as mãos quando chegar em casa tirar e os sapatos, higienizar ambientes e superfícies, e outros.
Josiane afirma que se no momento do nascimento do bebê, a mãe não está doente ela precisa proteger a criança das outras pessoas, não receber visitas, familiares e isolar a criança das pessoas que chegam, para que haja uma preparação antes de entrar em contato com o bebê. E se a mãe for contaminada com o novo Coronavírus, ela então tem que tomar alguns cuidados. De acordo com um estudo feito por cientistas chineses e publicado na revista de pediatria Frontiers in Pediatrics, a transmissão não ocorre de mãe para filho (a) no nascimento, somente pelas gotículas contaminadas em via aérea ou por contato de vírus em mucosa (olhos nariz ou boca). A médica explica que nesse caso, ao ter a criança ela pode inclusive amamentar sem problemas, e essa informação foi confirmada por meio de uma nota oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria em conjunto com o Departamento Científico de Aleitamento Materno. O documento, se baseia em um estudo publicado no Lancet1 que traz uma pesquisa com recém-nascidos. A pesquisa revela que o leite materno não contém a presença do vírus, e, portanto, a transmissão vertical não ocorre. Apesar disso a nota, bem como a ginecologista Josiane, recomenda que essa mãe que estiver doente, ao amamentar (e sempre que estiver perto do bebê) use máscara adequadamente, lave bem as mãos antes de tocar no bebê, e tome cuidado durante a amamentação. Se ela não se sentir confortável para amamentar diretamente, o recomendado é que ela extraia seu leite para que um cuidador saudável ofereça ao bebê.
Josiane ainda reforça que é bem difícil que as crianças fiquem muito doentes ou que se acometam gravemente pela doença, pois elas têm um sistema imunológico muito bom. Mas isso ainda pode acontecer se o neném tiver alguma má formação cardíaca ou problemas respiratórios como asma, etc.
Josiane também dá algumas dicas sobre a imunidade das mães que estão grávidas, que pode ser melhorada através da alimentação saudável. No entanto ela afirma que há muitas fake news que circulam, dizendo que comer esse ou aquele alimento específico vai resolver. A alimentação saudável se dá com diferentes nutrientes, que agem de forma conjunta: proteínas, carboidratos, frutas, legumes e vegetais. "Tudo que a gente compra numa feira é bom, e é preciso cuidar para não comprar muita coisa industrializada. No mais, manter a alimentação normal já deixa a imunidade em seus níveis normais, sem precisar complementar", diz a médica.
A ginecologista pede atenção ao fato de que uma gestação começa antes da mulher engravidar, quando a mulher se pergunta qual a razão de querer ter um filho, "porque filho é coisa séria e é para sempre", diz. Em se tratando de um momento incerto na economia, e com uma crise no sistema de saúde, também deve se questionar se há uma disponibilidade não só financeira, como também emocional. Nesse sentido a médica lembra que uma criança muda a vida da mãe pois essa passa a viver para o filho, que será dependente dela por muito tempo. Em alguns casos pode acontecer também, e, de acordo com a obstetra, é necessário levar em consideração as pequenas chances que a criança tenha complicações de saúde, que a deixem dependentes dos pais por mais tempo de as outras crianças, ou a até a vida inteira. Se mesmo assim a vontade permanecer, é de suma importância fazer o planejamento. A iniciar pela questão da saúde da mãe antes de engravidar, há um processo muito importante de consulta pré-gestacional. A mulher que será mãe também precisa lembrar de fazer as vacinas (que não poderão ser feitas depois, durante o período de gestação), tomar ácido fólico (que é usado para prevenir más formações nos bebês). "Se a paciente já chega no consultório estando grávida, ela não tem muita escolha", diz a médica. A ginecologista reforça ainda que uma mulher responsável não deveria jamais deixar a gravidez acontecer sem querer. "Ter filho não é obrigatório, por mais que a sociedade ou os pais cobrem um neto, essa decisão tem que partir da mulher, pois é a vida dela que vai mudar completamente, com uma responsabilidade enorme", ressalva.
Não só na vida social, financeira e familiar, a mulher também presencia um momento emocional causado pelos hormônios muito significativo. O corpo todo se adapta para receber mais uma vida, e as alterações são diversas: muda a parte do funcionamento do aparelho digestivo, na estruturação do corpo, há alterações no cabelo, pele, e muitas outras. Depois de nascer o bebê, todas as mulheres vão enfrentar também um período chamado puerpério, que há uma baixa hormonal significativa e nessa hora a presença da família é fundamental. Nesse momento pode ocorrer depressão, queda de cabelos, e surgem inúmeros questionamentos, principalmente em relação a criança. E essa questão como também muda de mãe para mãe não tem como ser prevista pelos médicos, mas as chances desse período ser menos complicado diminuem quando a gravidez é planejada e querida pela mãe.
Esse é o caso de Juliana Finger, que teve uma filha recentemente, no dia 15 de abril. A Heloísa veio ao mundo por parto normal é sua segunda filha, sendo a primeira também uma menina, chamada Helena com cinco anos (foto). Nascida em meio a pandemia, Heloísa não tem ideia do que está acontecendo, e sua mãe conta que como é professora, está em casa desde quando paralisaram as aulas. Desde então, também pela gravidez, esteve em casa, saindo somente para as consultas e para o parto.
Juliana conta que como no começo a pandemia era novidade, assustou muito as pessoas e ela também. Mesmo antes de ter um caso no município ela já se cuidava e nesse sentido o marido é quem fazia todas as compras, indo ao mercado e depois voltando para casa e se higienizando ao chegar. A família ainda não conhece pessoalmente a pequena, pois ela evita visitas. Ela conta que as pessoas ligam por chamada de vídeo, e as redes sociais facilitam muito nesse processo. "E todo mundo entende a questão, sabe que é um momento que vai passar, mas é estranho, a família não poder conhecer o bebê pessoalmente", comenta.
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