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Consultora dá dicas às empresas em crise
A crise econômica causada pelas medidas restritivas do coronavírus já é perceptível em quase todos os setores. Lojas, indústrias, finanças, e outros têm sentido grande impacto. Em São Miguel do Oeste isso também aconteceu, pois, de acordo com pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), só na região Oeste quase 90% dos empreendedores registraram uma queda de pelo menos metade do faturamento, um total de R$ 1.5 bilhão.
Para falar sobre o assunto, a consultora Sandra Caron dá dicas de como as empresas precisam se reinventar nesse momento. Sandra nasceu em São Miguel do Oeste e sempre morou na cidade, atualmente trabalha em uma clínica de diagnóstico por imagem onde é gerente, faz consultoria a empresas, tem uma loja, é vice-presidente da Acismo (Associação comércio e Indústria de São Miguel do Oeste), é assessora legal da JCI (Câmara Júnior Internacional) e mãe de três filhos. Sandra é proprietária da Loja de presentes Contagiante, que conta com itens diferentes criativos, com artigos para presentes e decoração, que está há dois anos atuando no centro da cidade. Ela, por ser filha de empresários afirma que nasceu com a vontade empreender.
Durante os dias fechados, o comércio no geral sentiu muito impacto nas vendas, de acordo com uma enquete feita pelo Folha do Oeste nos estabelecimentos de São Miguel do Oeste, os lojistas sentiram, principalmente, a falta das vendas de páscoa, pois somente os estabelecimentos que vendem chocolates conseguiram abrir durante esse período e limpar o estoque. Mesmo assim tiveram uma perda significativa. Sandra vê que o problema não foi o medo do contágio do coronavírus, mas sim a intenção de comprar menos por causa da crise prevista.
DICAS PARA NEGÓCIOS
A consultora dá dicas para as empresas que estão sofrendo perdas. Primeiramente ela diz que é necessário repensar o mercado, porque ele mudou. "Não tenho medo da crise, tenho medo das empresas que não estão repensando", comenta. Ela usa de exemplo seu próprio negócio: seu público segue o mesmo, mas o jeito de comprar mudou (as pessoas estão mais cautelosas, compram coisas diferentes, coisas que vão facilitar a vida delas). Então os lojistas necessitam rever o que o cliente está comprando, e assim estudar novamente seus públicos para manter a quantidade de vendas, ou aumentar.
Da mesma forma, na consultoria, Sandra trabalha a questão da liderança. Informa que para um atendimento de qualidade, o líder deve dedicar atenção primeiramente nas pessoas (colaboradores), nos processos, e por fim nos clientes. "As pessoas não são robôs, a equipe precisa estar unida e engajada, ser um time. Um líder precisa ser um exemplo, mas não só ele, toda a empresa pode ser exemplo".
Nesse sentido ela relata que todos têm que ter respeito e pensar juntos para montar estratégias. No momento atual, pensar o negócio é primordial e aconselha para que os líderes façam alguma comparação de como era antes e como é hoje: Se antes tinha alguma divergência, agora ela se intensifica.
A empreendedora fala sobre a importância da liderança atuar de forma descentralizada, pensando nas propostas que recebe dos colaboradores, ouvindo os que atuam no dia a dia com os clientes. "Para que um atendimento seja encantador, isso precisa ser trabalhado. É necessário que a equipe seja trabalhada antes, pensar em reestabelecer processos, normas e objetivos, trabalhar controle de qualidade e estar preparado para o que o mercado for trazer de obstáculos" recomenda. Ela ainda coloca que muitas vezes funcionários em cargos operacionais podem ter muitas soluções que o líder não pensou.
INOVAÇÃO
A inovação sempre é importante em se tratando de economia e hoje ainda mais. É necessária, em um cenário pandêmico, a reflexão: Os clientes mudaram de 50% a 100%, isso significa que agora ele vai buscar por comodidade, ou algo que o faz bem, que os deixa felizes. "Muitos setores da sociedade mudaram (saúde e educação são exemplos), por que a empresa não vai mudar?", Sandra questiona. Ela ainda afirma "hoje, quanto mais comodidade pode oferecer para o cliente, melhor".
Além disso a consultora avisa: Ser uma loja como qualquer outra é perigoso. "Tudo vai mudar, me preocupo com as pessoas que há um ano tem os mesmos planos e as mesmas metas" diz e complementa "a cabeça de uma pessoa precisa estar aberta e atenta a tudo. É preciso dar feedbacks diários e não fazer só uma reunião mensal, por exemplo". Outro toque para melhorar o atendimento dos colaboradores é ensiná-los estando perto. "Sentar do lado e ensinar e se eu não sei busco quem sabe", comenta. Fala também que é preciso hoje, mais do que nunca, ter espírito de time e respeito a todo mundo, fazendo testes e medindo resultados.
Sandra ainda relata que vê muitas empresas que trabalham como trabalhavam há 40 anos, e acham que não devem mudar o que tem feito, pois têm medo. Afirma que se isso não acontecer, se não for feito uma revisão dos planos e objetivos, são essas empresas que terão prejuízos ou até chance de não sobreviver as grandes mudanças que estão ocorrendo.
VISIBILIDADE
Sandra também orienta que um estilo próprio é necessário. Criar uma marca, um jeito único de fazer as coisas, um estilo de produto ou serviço, de aparência, de modo de ser visto pelos clientes. "As empresas precisam buscar ser como elas querem ser reconhecidas", afirma. A consultora da mesma forma, recomenda a empresa a analisar se o atendimento é a cara da empresa. "Como quer ser visto no mercado, qual é o principal diferencial? O que faz o cliente ir na nossa empresa? Se sua empresa deixasse de existir o que o mundo perderia hoje? São questões a se fazer" diz.
A empreendedora expressa a importância do marketing. "Faria falta se não tivesse, não é um diferencial, mas sim uma obrigação. A empresa que não tem canal online e não faz divulgação em mídias está perdendo" e complementa que é preciso buscar meios de fazer isso de forma coerente com os princípios do empreendimento, e com os valores da empresa. "Não dá para se comparar com as outras empresas e tentar fazer igual, se o negócio não é o mesmo", aconselha. É preciso que o negócio tenha cara e tenha um jeito único, que saiba reconhecer seu público e trabalhar pra ele, pensando nos principais objetivos, promovendo campanhas, promoções, inovando sempre. "Tem que ter propósito para tudo, tem que reconhecer os clientes e fazer coisas diferentes", termina.
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