Conselho Regional de Farmácia alerta: remédio pode tratar ou matar
Ação de conscientização do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina alerta para uso racional de medicamentos. Dados apontam que em cinco anos, 60 mil brasileiros foram hospitalizados por intoxicações medicamentosas
Está comprovada, a automedicação é um risco. Para reforçar o alerta à população sobre este fato, celebra-se em 5 de maio o Dia Nacional Pelo Uso Racional de Medicamentos. O objetivo é conscientizar a população de que medicamento não é um produto qualquer. Dependendo da forma como é utilizado, ele tem o poder de promover a recuperação ou colocar em risco a vida do paciente.
Neste sentido, o CRF/SC (Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina) reforça que, para que o medicamento favoreça, é preciso que um médico faça o diagnóstico e a prescrição adequada, um farmacêutico oriente corretamente sobre o uso do medicamento, e o paciente faça sua parte, utilizando-o segundo a orientação.
De acordo com o diretor tesoureiro do CRF/SC, farmacêutico e bioquímico Paulo Sérgio Teixeira Araújo, dados apontam que em cinco anos 60 mil brasileiros foram internados em hospitais por intoxicações medicamentosas. Ele ainda ressalta que, segundo a Organização Mundial de Saúde, 50% dos medicamentos têm sido prescritos, dispensados ou utilizados de forma inadequada.
O Sistema Nacional de Informação Tóxico Farmacológico da Fundação Oswaldo Cruz também sinaliza que mais de 30% das intoxicações humanas no Brasil e 16% dos casos de morte por intoxicação são causados por medicamentos.
Alguns motivos das intoxicações medicamentosas:
- Automedicação;
- Excesso de ingestão;
- Facilidade de conseguir medicamentos em drogarias e farmácias;
- Falta de prescrição médica e farmacêutica.
“Reforço a importância do farmacêutico estar presente nas farmácias e nas unidades básicas de Saúde, ou onde tiver medicamento, porque o profissional farmacêutico está habilitado a lidar com medicamentos, além de dispensá-los, orientar à população. O remédio é uma ferramenta farmacológica, um bem social que a população adquire, e que pode inclusive aumentar a longevidade da pessoa, mas é preciso tomar de maneira correta. Para que o medicamento garanta mais qualidade de vida, é preciso que o farmacêutico esteja presente, orientando o paciente, principalmente nas Unidades de Saúde”, argumenta Araújo. Segundo ele, hoje, a faixa etária dos idosos é a que mais utiliza medicamentos, e se percebe muitas vezes que este público não toma o medicamento correto, ou por falta de orientação ou por esquecimento. O fato pede mais atenção das equipes de Saúde.
AÇÃO NA REGIÃO
Para orientar a comunidade, o Conselho está promovendo campanhas de conscientização e fiscalização em todo o Estado. Em São Miguel do Oeste, representantes do próprio Conselho, acadêmicos e professores do Curso de Farmácia da Unoesc SMOeste foram às ruas na manhã do último sábado, dia 3, para orientar e reforçar a importância do uso racional de medicamentos. Segundo o coordenador Everton Boff, a Ação Farmacêutico Presente foi bastante positiva e atingiu um público considerável.
O coordenador alerta, ainda, que a automedicação oferece diversos riscos à saúde e a população deve estar atenta. “Ela pode levar a intoxicações e a reações adversas, deixando lesões sérias e irreversíveis, que comprometem a qualidade de vida do usuário”, revela, lembrando que o medicamento só deve ser usado com prescrição médica e com atenção e orientação farmacêutica.
O representante do CRF/SC, Paulo Sérgio Araújo, salienta que a classe farmacêutica está preocupada no sentido que não é suficiente entregar o medicamento, é preciso fazer mais, orientar e acompanhar a população.
SUPERBACTÉRIAS
Araújo reforça que as pessoas precisam ter uma racionalidade para usar medicamentos. Segundo ele, o uso em excesso de algum medicamento torna a bactéria super-resistente e isso é um caso grave de saúde pública. Com uso em excesso, a bactéria cria uma resistência e sofre mutação. A situação já amenizou ao serem aumentadas as exigências para compra de antibióticos.
CUIDADOS FUNDAMENTAIS
- Apenas adquira medicamentos registrados pela Anvisa em estabelecimentos públicos e/ou privados. Caso haja dúvida, entre em contato com o farmacêutico ou o serviço local de Vigilância Sanitária. Não compre medicamentos em feiras livres, camelôs ou de vendedores ambulantes;
- Não ingira em hipótese alguma bebida alcoólica se estiver usando medicamento;
- Não tome medicamento indicado por amigos, vizinhos ou parentes. Solicite orientação do farmacêutico antes de comprar qualquer medicamento, mesmo que não precise de receita;
- Não utilize medicamentos vencidos, nem reutilize suas embalagens;
- Não interrompa o uso de medicamentos por conta própria;
- Não reaproveite sobras de antibiótico para tratar outras infecções. O uso incorreto de medicamentos pode atrasar o reconhecimento das doenças e até mesmo agravá-las;
- Obedeça aos horários e às dosagens para ingestão indicados pelo médico e também a orientação do farmacêutico;
- Guarde os medicamentos longe da luz, umidade e do calor.
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