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Coligação entra com ações para cassar Valar e Trevisan
Coligação ?A Força do Povo? alega irregularidades na eleição em SMOeste
Lideranças do Partido dos Trabalhadores coordenaram uma coletiva com a imprensa em São Miguel do Oeste na tarde da última quinta-feira, dia 27, para tornar públicas algumas ações protocoladas na Justiça Eleitoral. Todos os partidos da coligação “A Força do Povo” (PT, PP, PR, PTB E PV) enviaram representantes para a coletiva, porém somente os petistas usaram a palavra. A militância de campanha também acompanhou os trabalhos, lotando o auditório do Hotel Solaris.
A advogada e vereadora eleita pelo PT, Maria Tereza Capra, iniciou a coletiva lendo uma denúncia de seis páginas confeccionada por Ivan Corassa, o estopim de um escândalo na véspera da eleição em São Miguel do Oeste. Nesta nova denúncia, datada de 12 de dezembro, Corassa reitera que lideranças do PMDB aproveitaram seu momento de fraqueza e desespero para dar um golpe, buscando a vitória nas eleições. Ainda assim, em momento algum, Corassa desmente as denúncias feitas na véspera do pleito de outubro.
De acordo com ela, a coligação havia protocolado uma ação de investigação judicial eleitoral contra a coligação “Unidos por São Miguel”, nas pessoas de João Valar (prefeito), Wilson Trevisan (vice) e Miguel Ângelo Gobbi, diretor do jornal Folha do Oeste. “Todos nós sabemos o que aconteceu, com a distribuição de panfletos, cds, Facebook e o jornal. Sabíamos destas ações orquestradas pela oposição e com isso ajuizamos a ação e agora com essa nova carta, fizemos um aditamento à petição inicial, para incluir todas as pessoas nominadas por Ivan Corassa”, explicou.
Dentre as pessoas citadas pelo denunciante, estão João Carlos Grando, Moacir Martello, Flávio Ramos, coordenadores de campanha por parte do PMDB, Alessandro Tiesca (assessor jurídico), Ivan Anzolin, Júlio Tiezerini, Sônia Basei (ambos faziam programas de rádio) e o radialista Ageu Vieira. “Queremos que esta ação investigue as irregularidades desta eleição, e que isso termine com a cassação dos eleitos, além da inelegibilidade destas pessoas mencionadas".
Ela disse que também foram ajuizados mais duas ações. Uma é o recurso contra a expedição de diploma, com anulação de todos os votos obtidos nas chapas proporcionais, que elegeram os vereadores Nini Scharnoski (PSD) e Vanirto Conrad (PDT). “A ação dá conta do não preenchimento das vagas, ou seja, usaram mulheres durante a campanha para fazer volume, mas elas não seguiram com suas campanhas até o final. Se essa ação for exitosa, haverá uma recontagem de votos”, finalizou Maria Tereza Capra.
O deputado Padre Pedro Baldissera comentou que em São Miguel houve uma série de situações, que remete a uma reflexão profunda para as eleições. “São denúncias sérias e não podemos se calar e se omitir, pois defendemos a política como uma ferramenta para o bem comum. Colocaram até em risco a vida de algumas pessoas em busca de uma vitória eleitoral. Irei relatar isso na tribuna da assembleia”, informou.
Por sua vez, o atual prefeito e candidato derrotado por uma diferença superior a 4.300 votos, Nelson Foss da Silva (PT), disse que sofreu muito nessa campanha, que na visão dele foi mentirosa e difamatória, com o objetivo de destruir sua imagem. “Colocaram em dúvida a minha pessoa, a minha conduta superior a 30 anos de militância, mas quem fez campanha para nós pode ter a certeza que não apoiou nenhum ladrão ou bandido e sim um homem honrado. Por isso estou aqui hoje”, disse.
Nelsinho aproveitou o momento e pediu para este governo não ser reconhecido, porque na visão dele foi eleito de uma forma ilegítima. “Não podemos concordar, pois a grande maioria de nós somos pessoas que lutamos muito contra a ditadura, para ter um país onde reinasse a democracia. Para mim este processo eleitoral em São Miguel do Oeste não respeitou os princípios da democracia. Por isso não podemos considerar e admitir ser conivente com um governo que se elege desta forma”, disparou.
RELEMBRANDO O CASO
Na semana que antecedeu a eleição, Ivan Corassa divulgou através de redes sociais na internet e também teria procurado veículos de imprensa, para denunciar um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de São Miguel, envolvendo diversas pessoas ligadas ao setor de obras e entre elas estavam o prefeito Nelson Foss da Silva (PT).
O Folha do Oeste, ao tomar conhecimento da publicação no perfil do Facebook o procurou para agendar, por telefone, uma entrevista, o qual concedeu sem fazer qualquer pedido. Ele tomou essa decisão por supostamente estar com pagamentos trancados na prefeitura de qual a cooperativa de mão de obra (Cooperastec) teria de receber da prefeitura.
Corassa que presidia a cooperativa, posteriormente chegou a acampar em frente a prefeitura de São Miguel do Oeste, buscando uma forma diferente de protestar e receber o que o poder Executivo lhe devia por serviços prestados em obras.
Grando propõe um desafio
Prontamente, já na manhã de ontem, devido as acusações, o presidente do PMDB de São Miguel do Oeste, João Carlos Grando, emitiu uma nota oficial para a imprensa, citando cinco itens. No primeiro, Grando afirma que manteve um único contato com Corassa e o orientou para procurar os meios legais e assim efetuar as denúncias e cobrar o que reiterava ser o seu direito.
Grando desafia Corassa e a própria Coligação a Força do Povo, a apresentar algum elemento que comprove e ou ateste que o dirigente firmou alguma proposta para que o denunciante procurasse a imprensa. “Saio da vida pública se houver qualquer manifestação minha nessa ordem”.
Para Grando, também causa estranheza que o conteúdo das denuncias anteriores, que tramitam junto aos órgãos competentes, não foram refutados pela atual administração, passando a impressão de serem verdadeiras. “Nesse cenário elas ganham força, por que quem não tinha crédito para denunciar passou a ter quando o alvo mudou. Cabe agora a justiça esclarecer ambas as questões”.
Ainda, conforme ele, estão tentando criar um factóide para justificar uma vitória nas urnas, com 4.336 votos, que se deu pelo trabalho da militância, a força da coligação Unidos por São Miguel e pela população entender qual era o melhor projeto para o município. “Repudiamos toda e qualquer ação que cerce a liberdade de imprensa e atente os princípios democráticos”, concluiu Grando.
Prefeito Nelson: ?Precisamos restabeler a honra e a verdade?
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