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Chuvas provocam caos em São Miguel do Oeste
No último domingo, dia 20, moradores dos bairros São Luiz, Sagrado Coração de Jesus e Salete, passaram por outro dia de temor em razão da forte chuva. Alagamentos recorrentes têm provocado prejuízos e insatisfação com a Administração Municipal
Residir em bairros localizados próximos ao Rio Guamirim, em São Miguel do Oeste, tem posto alerta moradores toda a vez que o tempo começa nublar. No verão, devido aumento do volume de água das chuvas, alagamentos constantes têm ocorrido nestas regiões. Além do aumento natural do volume do rio, as águas que descem pelas sarjetas e tubulações do centro da cidade, escoam para o Guamerim e potencializam a força destruidora.
SÃO LUIZ
Conforme a denúncia que partiu da moradora do bairro São Luiz, em frente à Abecelesc, Cristiane Tuni - que teve a casa alagada no dia 12 de dezembro de 2010 e perdeu diversos móveis - toda a vez que chove forte a água sobe e invade as residências. Segundo ela, há uma vala aberta em um terreno particular próximo às casas.
De acordo com Cristiane, no último domingo, dia 20, após 30 minutos de chuva, a água ficou a quatro dedos de alagar a casa novamente. Segundo a moradora, a administração já foi comunicada por diversas vezes e sabe dos problemas. Ela conta que os moradores já se uniram e fizeram um abaixo-assinado, solicitaram calçamento e tubulação naquela rua, que é extensão da Rua John Kennedy - próximo ao Caic. Segundo Cristiane, a resposta do município foi de que, em razão de existir uma chácara particular, a prefeitura nada pode fazer.
Conforme relatos de outra moradora, Diana Carla Giovenardi, por inexistir tubulação naquele pedaço da Rua John Kennedy e também na Rua 30 de Dezembro (em frente à Abecelesc) as residências ficam praticamente ilhadas. Conforme ela, quando a água sobe muito, carros não podem sair das casas em caso de emergência, onde a alternativa é pular os muros das casas dos vizinhos. “Aqui não é nada tubulado, então vem água de toda a cidade e ela emerge e invade a rua. Como a rua está em um nível acima dos terrenos, acaba por alagar todos os terrenos”, explica.
De acordo com Diana, que é cunhada de Cristiane e moram no mesmo terreno, embora em casas diferentes, a preocupação é eminente em dias de chuva. “Da outra vez ela perdeu tudo, em dezembro”, conta. “A Defesa Civil que fez o levantamento, mas até agora não recebeu nem um centavo. Ela teve ajuda de amigos que fizeram colaborações e ajudaram eles com valores em dinheiro para comprar os móveis novos”, revela. “E agora, toda vez que começa alagar a gente fica preocupado, porque a gente já tem pouca coisa, e vai perder o que tem, é complicado”, lamenta.
Outra reclamação por parte dos moradores, é sobre o barro. Segundo Diane, o que a prefeitura tem feito é cascalhar a rua. Na opinião dela, em razão dessas ações, o nível da rua está bem acima dos terrenos das casas. “Quando baixa a água, fica terrível”, avalia. “A rua fica cheia de barro e lixo”, complementa. “Para limpar as casas, tiveram que entrar de mangueira”, recorda.
Tubulação: A respeito da tubulação que deve existir nas ruas, os moradores informam que o prefeito já esteve no local e conhece a realidade enfrentada por eles. “O Nelsinho esteve aqui e conversou com meu cunhado. Disse que ele queria fazer, mas não pode ser feito porque o dono da chácara não libera”, frisa Diana. “Aí o dono da chácara diz que libera, mas que o Nelsinho que não quer colocar os tubos”, destaca. “O problema não é deste governo apenas. Há 12 anos que todos pedem o calçamento aqui. Os moradores se propõem a pagar. E por causa da tubulação que a prefeitura não quer investir acaba por não sair o calçamento”, entende. “Eles vêm aqui, prometem que vão melhorar, que vão melhorar, mas ninguém fez nada”, arremata.
De acordo com o filho do proprietário do terreno, Vanderlei Kossmann, existe uma tubulação que escoa a água das ruas para dentro da vala do terreno. Esta vala, a céu aberto, que conduz a água até o rio Guamerim, é o motivo dos alagamentos, segundo os moradores. Segundo Kossmann, o problema ocorre desde 1991. “Com a obra do Caic, optaram por fazer a tubulação em linha reta, só que nunca terminaram”, lembra. “Deveriam ter posto a tubulação até o rio, pelo menos”, reforça.
Conforme relata o proprietário, a família tem buscado, com várias administrações, reparar o problema. “Ontem (terça-feira, dia 22) a gente foi na prefeitura. Todos os prefeitos que passaram de 1991 pra cá, a gente foi lá encaminhar o processo para terminar a tubulação. E eles alegam que, enquanto a rua não se tornar pública, não podem colocar os tubos”, conta. “É que o loteamento que fica ao lado foi feito irregular. Utilizaram a nossa chácara para fazer a rua. A rua é irregular”, diz.
Segundo Kossmann, agora a família optou por fazer a doação de aproximadamente dois mil metros quadrados (espaço que a rua ocupa) para ver se a prefeitura coloca a tubulação e beneficia os moradores. “Na verdade ele (o pai) vai perder esses dois mil metros”, complementa. “A água da vala sobe, mais o rio que corre do outro lado, alagam tudo. O terreno fica todo embaixo d’água”, explica. Para a família, que tem planos de lotear o terreno, é fundamental que o município resolva o problema que afeta, principalmente, os moradores próximos. “Nasci aqui, sei como era antes e agora, com a rua aberta, a coisa só piorou”, conclui.
SAGRADO CORAÇÃO
Na última segunda-feira, dia 21, um morador do bairro Sagrado Coração de Jesus, que solicitou resguardo de identidade, também reclamou de alagamentos ocorridos nas proximidades de um loteamento novo, localizado perto do prolongamento da Rua Itaberaba. Ele argumenta que alagamentos têm ocorrido e, no último domingo, dia 20, a água avançou sobre as ruas e assustou a todos que residem nas redondezas.
De acordo com o morador, em razão da construção de um loteamento, uma ponte sobre o Rio Guamerim teve de ser construída. Ele afirma que, por questões de engenharia, a ponte está estruturada em cima de blocos de concreto que provocaram o estreitaram do canal. Na avaliação do morador, com o canal mais estreito, em dias de chuva forte, a água avança sobre a ponte e também sobre as margens, até atingir ruas e residências.
Um outro problema observado pelos moradores, refere-se às árvores que cresceram nas barrancas do Rio Guamerim. Conforme o morador, estas árvores estão a ponto de cair no leito do rio e obstruir ainda mais a passagem da água. Ele conta que a água tem desbarrancado as margens e, com isso, as raízes ficam expostas e enfraquecidas. O problema, conforme o morador, envolve questões ambientais, então é proibido cortar as árvores que eles acreditam estarem comprometidas.
A solução, na opinião do morador, seria eliminar algumas árvores, alargar e afundar o rio. De acordo com ele, há pessoas que residem no limite das margens, em locais de risco. Para ele, alguma providência deve ser tomada antes que uma tragédia ocorra.
SALETE
A moradora da Rua Getúlio Vargas, que liga com a Rua Geraldino de Mello, no bairro Salete, Genir Teodoro Rosa, após sofrer perdas por alagamentos no início do ano, repudiou a ação do município e também a postura do prefeito perante aos problemas recorrentes. No último domingo, dia 20, residências ficaram alagadas novamente.
Conforme Genir, após a chuva do dia 3 de janeiro, a prefeitura iniciou obras de reparo e colocação de tubos em frente a residência dela. De acordo com a moradora, passaram-se vários dias até que a obra foi parcialmente concluída. “Faz quase um mês que taparam o buraco. Ficamos 15 dias com a entrada da garagem obstruída, sem poder sair!”, exclama. Segundo ela, a lentidão em concluir os reparos quase resultou em problemas maiores ao precisarem utilizar o carro do vizinho para levar uma criança ao hospital. “Eles ainda arrancaram a cerca e quebraram o cano. E tive que pagar a água”, revolta-se.
De acordo com Genir, há poucos dias o filho, de nome Rafael, ligou para o prefeito. “O Rafael telefonou para o prefeito e ele estava em Florianópolis. Disse que teríamos que esperar e mandou a gente reclamar com o Flávio Ramos”, revela. Segundo a moradora, o presidente da Câmara, vereador Flávio Ramos esteve no local e disse que iria tomar providências. “Quando a vala estava aberta, a criança caiu e se cortou a cabeça”, recorda.
Para Genir, que mora na mesma casa junto com a nora, três netos e dois filhos, o prefeito não deveria ter respondido daquela maneira. “Fomos na garagem da prefeitura e fomos mau tratados”, frisa. Na opinião dela, a obra continua inacabada e a provocar alagamentos. “Eles deixaram mal feito de propósito”, conclui.
SOLUÇÃO
Conforme o diretor do Departamento de Organização Comunitária da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de São Miguel do Oeste, Adriano Peruzzo, a solução para o problema está no afundamento do leito do Rio Guamerim, que deve ocorrer em 60 dias. Segundo ele, as situações do bairro São Luiz e do bairro Sagrado Coração de Jesus são semelhantes. “A prefeitura já trabalha na elaboração de um projeto, junto com os agrônomos e engenheiros, para licitar uma máquina que fará a drenagem do rio”, adianta. De acordo com Peruzzo, a drenagem deve começar no bairro Salete e seguir rio abaixo até um ponto logo adiante da Abecelesc. “A gente viu no domingo, que a água cruzou por cima da ponte que foi feita nova, e que tem mais de dois metros de altura”, lembra.
Na opinião do diretor, que comunicou o ocorrido ao prefeito, alguns proprietários têm construído loteamentos sem se preocupar com o transtorno que pode resultar posteriormente. “Estamos também preocupados com essa situação para tomar uma posição a ponto de não prejudicar outras pessoas”, reforça.
De acordo com Peruzzo, em razão da drenagem envolver questões ambientais, é necessário efetuar, antecipadamente, o projeto com toda a documentação, além de encaminhar a licitação para a vinda da máquina que fará a drenagem. “Estamos fazendo a compra agora, empenhando tudo para que, no momento que sair a autorização ambiental, termos condições de trabalhar”, esclarece. “Acredito que dentro de um mês e meio a dois vamos resolver toda essa situação”, garante.
Quanto a situação das residências da Rua Getúlio Vargas no bairro Salete, Peruzzo alega que a dificuldade está na fabricação de tubos de metro (tubos com um metro de diâmetro). “Infelizmente hoje, em São Miguel do Oeste, estamos com essa dificuldade. A empresa que ganhou a licitação não tem estes tubos para nos ceder no momento”, revela. Segundo ele, assim que o município tiver condições, vai retomar o trabalho. “Vamos ter que estar com todos os tubos em mãos para que, quando abrirmos a rua fazermos toda ela. Não adianta abrir meia rua e deixar aberta. Mas dentro de trinta dias isso vai estar tudo resolvido”, afirma.









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