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Cenário pandêmico muda a rotina dos pequenos
Desde março, as crianças tiveram suas rotinas alteradas em decorrência da pandemia. O convívo social diminuiu, as atividades escolares mudaram de formato e o dia a dia ficou bem diferente. Ainda vai levar um tempo para que tudo volte ao normal e o Dia das Crianças vai exigir comemorações mais especiais e familiares. Este é um ano de muitas dificuldades, e pensar na saúde mental dos pequenos também é muito importante, uma vez que fica fragilizada em razão do contexto pandêmico.
De acordo com a psicóloga Adriana Maschio Escher (CRP 12/18729), a quebra na rotina das crianças, que iam a escola normalmente, praticavam esportes e podiam abraçar seus familiares, deixa os pais sem saberem como agir, tendo que lidar com ansiedade, estresse e mudanças no comportamento.
A psicopedagoga Elza Guerra Gobbi comenta que a mudança que a pandemia trouxe foi radical e não houve preparação ou tempo de entender o que estava acontecendo. "O mundo todo continuou igual, mas a vida toda ficou diferente. Foi uma coisa difícil de absorver, falando de um inimigo invisível e ameaçador", comenta.
Apesar disso, há alguns pontos positivos. A pandemia possibilitou que os familiares ou cuidadores passassem mais tempo com as crianças e esse fato tem viabilizado maior interação entre eles, o que permite que se conheçam melhor e reforcem um vínculo que é fundamental para o desenvolvimento infantil. Para Adriana, essa pode ser uma experiência boa em relação ao comportamento e ao desenvolvimento das crianças, algumas apresentam satisfação em estar em casa com as famílias desde os primeiros tempos, outras se mostram tranquilas com uma rotina mais calma e silenciosa.
Por outro lado, quando a convivência é acompanhada de dificuldades devido à sobrecarga dos familiares ou cuidadores por atividades domésticas, trabalho fora de casa ou mesmo dentro de casa (ex., Home office), bem como demandas das crianças (realização de atividades escolares a distância, atividades de cuidado e lazer), a tensão pode se intensificar. Soma-se a isso o pouco ou nenhum espaço para ficar sozinho ou realizar atividades que gostam com tranquilidade.
"Não é preciso ter medo de conversar sobre o que está acontecendo com as crianças. Elas já ouviram falar sobre o vírus e é possível explicar de uma forma compreensível, lúdica e honesta sobre a doença, orientar com relação às medidas de cuidado e prevenção, esclarecer dúvidas e permitir que se expressem a respeito. É importante que os familiares estejam disponíveis para perceber e validar as emoções das crianças frente a este momento", explica a psicóloga Adriana.
Para comemorar o Dia Das Crianças, a psicopedagoga Elza dá algumas sugestões. Podem ser praticados desafios, jogos de tabuleiro, entre outras atividades para diferenciar o dia delas. É importante, segundo Elza, ter material de papelaria sempre à disposição, pois as crianças raramente ficam ociosas e estão sempre extravasando sua criatividade.
Outras ideias podem ser atividades na natureza, e nesse caso uma boa pedida pode ser um piquenique em família: ir para um lugar aberto levar comidas e fazer brincadeiras, observações da natureza, passar horas juntos sem outras coisas para fazer se não o convívio entre si, com alegria e comida. Também é possível ir em locais com pesque e pague, ou então reunir a família em casa para produzir um vídeo, com teatro. Outra ideia é fazer uma caça ao tesouro, onde os pequenos podem encontrar presentes ou até balas e outros doces.
DICAS PARA APRIMORAR A ROTINA
A psicóloga Adriana recomenda planejar o dia e mantê-lo o mais próximo possível da rotina habitual pode funcionar contra o surgimento de sintomas relacionados à ansiedade e ao estresse. Ter um horário para acordar, fazer as refeições e dormir, assim como para realizar as diversas atividades, contribui para a organização do dia e também pode ser um aliado na promoção de bem-estar, como explica a profissional. As tarefas domésticas podem ser divididas com as crianças, respeitando suas habilidades e a segurança.
Ter um tempo dedicado ao descanso também é fundamental, assim como o lazer, que não pode ser esquecido. "Atividades físicas são extremamente necessárias e pode-se diversificar engajando-as em outras brincadeiras como jogos, desenhos, contação de história e atividades ao ar livre, considerando todas a normas de segurança", comenta Adriana.









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