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Casa Aprisco pode ficar sem sede
Contrato vence em setembro e instituição precisa de apoio para adquirir um imóvel
A Casa Acolhedora Aprisco, de São José do Cedro, que hoje atende a 18 crianças em risco social, pode fechar as portas se não for encontrado um novo imóvel. A atual sede da casa é alugada, e a proprietária já anunciou informalmente que precisa do imóvel para uso próprio e que não renovará o contrato, que vence em setembro. Conforme o coordenador dos programas sociais da Associação Betânia, que administra a Casa Aprisco, Ismael Batista, a casa necessita de um espaço que tenha pelo menos quatro quartos, duas salas e cozinha, e atualmente não se encontra um imóvel nesses moldes para aluguel no município. Segundo Batista, foi encontrado um imóvel com essas características, mas apenas para venda, no valor de cerca de R$ 200 mil. Hoje, a casa possui um terreno que vale R$ 90 mil, que poderia ser negociado para a aquisição de uma nova casa, mas não existem recursos disponíveis para completar esse valor. "A nossa preocupação é que esse nosso projeto está em risco. Um projeto que deu certo, que é uma referência hoje para a região em termos de qualidade de atendimento e de resultados obtidos, e nós estamos correndo o risco desse projeto expirar, contra a nossa vontade", ressalta. Atualmente, a casa tem capacidade para atender 15 crianças e adolescentes e já o faz com 18. A demanda de atendimento é tanta que, em abril deste ano, a casa deixou de atender mais 14 crianças. De acordo com Batista, a casa deveria atender apenas crianças da comarca de São José do Cedro, que abrange também os municípios de Princesa e Guarujá do Sul, mas continua prestando atendimento a crianças de outras regiões do Estado, como das regiões de Maravilha, Mondaí e Rio do Sul. "A Casa Aprisco, que ainda possui a identificação de família acolhedora, mas que já perdeu essa característica por atender um número elevado de crianças, recebe as crianças que estão em risco social - como em casos de dependência química dos pais e maus tratos - que ficam na casa até que sejam resolvidos o seus problemas e que a Justiça determine a sua volta para casa. Existem casos de crianças que passam apenas uma noite na casa, mas na maioria dos casos passam de 30 a 90 dias. Até hoje duas crianças foram para adoção, depois de passar mais de 1 ano e meio na casa", explica o coordenador. As despesas financeiras são custeadas pelos municípios, que encaminham crianças, e também pela Associação Betânia. Conforme Batista, existem leis municipais que destinam um salário minímo ou 75% deste para manuteção da criança na Casa Acolhedora e é destinado à alimentação, ao material escolar e a roupas. Já os custos com aluguel, luz, água, telefone, manutenção da casa e pagamento de um funcionário são pagos pela Associação Betânia, despesas que hoje estão em de R$ 1,9 mil. Esse aluguel, que hoje é pago pela Associação Betânia, custa cerca de R$ 500, e também seria esse o valor que poderia ser dispendido em um novo imóvel, mas busca-se conseguir apoio de alguma empresa ou instituição para que ajude a bancar a compra de uma sede própria. Segundo Batista, pensou-se até em uma campanha para angariar recusos para a compra de um imóvel, mas o tempo é curto até o final do contrato. "Hoje, em SJCedro, eu não teria uma empresa que estivesse disposta a colaborar, e com recursos, mas é preciso que se tenha visão social e com disposição para investir na criança, que, com certeza, amanhã serão menos assaltantes e bêbados nas ruas. Nós temos diversos empresários parceiros que ajudam com cestas básicas ou no pagamento de uma conta de luz, mas não sei dizer quantos estariam dispostos a colaborar com grandes valores para comprar a casa para a Aprisco. Sabemos que existem empresas que se tivessem essa visão para o social, estariam fazendo um grande marketing até em nível de Brasil e estariam colaborando com o futuro destas crianças, além dos incentivos fiscais recebidos. O que nós mais precisamos, hoje, é de uma empresa assim, que esteja disposta a bancar esse projeto", enaltece. BIBLIOTECA No último ano, depois de um projeto com a Unesco e o Criança Esperança, a Casa Aprisco recebeu recursos para aquisição da mobília para uma biblioteca a ser implantada na casa. Agora a prioridade está na arrecadação de livros para essa biblioteca. Caixas de coleta estão sendo colocadas em vários pontos do município de SJCedro e todos que tenham livros que possam ser doados, principalmente os de literatura infantil e adolescente, devem procurar um dos postos de coleta ou a própria Casa Aprisco, e fazer a sua doação. Em São Miguel do Oeste, ela pode ser feita no Jornal Folha do Oeste. Ismael Batista conta com o apoio de toda a população para a biblioteca e salienta que, além do apoio do Criança Esperança, a Casa Aprisco também conta com o apoio do Instituto HSBC de Solidariedade, que é parceiro em grandes projetos, assim como o café da manhã de todos domingos, que é servido para as crianças.
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