Dnit alerta para interdição total da BR-163/SC nesta sexta-feira |
Caminhoneiros mantêm bloqueios em rodovias
Ações acontecem em vários pontos do país com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho para quem atua na categoria
A manifestação dos motoristas, iniciada em São Miguel do Oeste na última semana, se mantém. Agora, além do trevo de acesso à cidade, os manifestantes bloquearam o trânsito de transportadores de cargas em outros pontos. Os bloqueios também estão sendo feitos no acesso a Descanso, próximo ao Parque de Exposições Rineu Gransotto, na linha Bela Vista das Flores e no acesso a Maravilha.
De acordo com o coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiro no extremo oeste catarinense, Décio Frandoloso, a maioria dos motoristas está colaborando com a mobilização. “A gente sempre conversa, pede para colaborar. O pessoal que transporta alimentos perecíveis a gente tá liberando depois de meia hora ou uma hora”, explica.
Frandoloso adianta, que até o momento, não houve resultados positivos e por conta disso o protesto deve ser mantido. “Enquanto as reivindicações não forem atendidas a gente vai continuar”, garante.
As principais reivindicações dos caminhoneiros referem-se ao valor recebido pelo serviço de frete, à forma de pagamento pelo serviço, atualmente feita com o uso do chamado cartão-frete, e à falta de estrutura para descanso. O movimento defende os interesses de motoristas autônomos, empregados e comissionados, empresas de transporte e cooperativas de transporte de cargas.
CONSEQUÊNCIAS
A paralização dos transportadores de cargas, em poucos dias, já refletiu na falta de produtos para abastecer o mercado regional. Embora a situação ainda não seja generalizada já falta gasolina em alguns postos de combustíveis de São Miguel do Oeste.
Segundo o sócio proprietário de um deles, Ricardo Bertamoni, desde sábado não há mais gasolina. “O caminhão está vindo para fazer o reabastecimento, mas não consegue chegar por causa dos bloqueios”, diz ao destacar que para não deixar de atender aos consumidores estão oferecendo etanol.
Todavia, mesmo com a dificuldade em manter a prestação de serviço, o sócio proprietário do posto de combustível afirma ser favorável ao protesto dos caminhoneiros. “É uma luta justa do movimento. Tem tanta coisa nesse Brasil que precisa mudar e alguém tem que puxar a frente”, pontua Bertamoni.
PROIBIÇÃO JUDICIAL
A Justiça Federal proibiu os caminhoneiros de interditar as rodovias federais em Santa Catarina sob pena de multa de R$ 100 mil por dia de bloqueio. O entendimento é de que as manifestações impedem o trânsito livre e seguro nas BRs e o direito do cidadão de ir e vir. Mesmo assim, o protesto continua.
O inspetor-chefe da 8ª Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Chapecó, Ivo Silveira, garante que os agentes estão orientando os manifestantes a respeitarem a decisão sob pena de ainda incidirem em crime de desobediência. “No domingo a maioria respeitou e o trânsito estava praticamente livre, mas na segunda os manifestantes voltaram a bloquear”, observa.
Conforme o inspetor chefe da PRF, os líderes do movimento foram contatados para que obedecessem à decisão judicial, entretanto, como não houve colaboração, o caso foi informado à superintendência da instituição em Florianópolis. “Não é que não pode haver manifestação, o que não pode é bloquear a rodovia ou obrigar alguém a participar, tirando o direito de ir e vir”, argumenta ao frisar que a PRF está preparada para intervenções.
Manifestantes continuam estacionados no trevo de São Miguel do Oeste









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