Bióloga realiza produção ?in vitro? de orquídeas

Bióloga realiza produção ?in vitro? de orquídeas
Folha do Oeste - Com mais de 80 espécies nos experimentos, a bióloga destaca que pretende comercializar as plantas

Com a técnica, orquídeas têm cerca de 90% de chances de conseguir germinar

Com inúmeras e variadas formas, cores e tamanhos, as orquídeas são plantas que facilmente causam fascinação e profunda admiração pela beleza e delicadeza com que se desenvolvem. Conforme levantamentos científicos, estima-se que existam 50 mil espécies de orquídeas no mundo, sendo que cerca de 20 mil delas são encontradas na natureza e pelo menos outras 30 mil foram criadas a partir do cruzamento de espécies diferentes.

Por ser considerada uma planta ornamental, em grande parte cultivada por colecionadores e admiradores, denominados orquidicultores, muitas espécies de orquídeas podem valer altas quantias em dinheiro, pela raridade e forma exótica que eventualmente podem apresentar.

LABORATÓRIO

Em Guarujá do Sul, a bióloga pós-graduada em biotecnologia, Eliane Aparecida de Souza Fanton, construiu e equipou um laboratório na propriedade para realizar a reprodução ‘in vitro’ de orquídeas. Em síntese, o experimento ‘in vitro’ é um processo biológico criado em um ambiente controlado e fechado de um laboratório e normalmente é feito em recipientes de vidro.

Atualmente, o laboratório é composto por ‘sala de preparo de material’, onde todo o material vivo e de cultivo é preparado; ‘sala de transferência de material’, que é onde está a câmara de fluxo laminar; ‘sala de cultivo’ é a estufa denominada pela bióloga de ‘sala de aclimatização’,onde a orquídea, já desenvolvida, passará a se adaptar a um meio mais hostil.

CLONAGEM E SEMEADURA

A reprodução ‘in vitro’ das orquídeas, realizada pela bióloga, é feita por meio de clonagem e também de semeadura. Na multiplicação clonal, a produção de mudas é obtida a partir de partes da planta; já na semeadura, o processo obviamente inicia com a manipulação das sementes. “Quando vou fazer a clonagem, geralmente eu pego a gema da orquídea, faço a limpeza no tanque, coloco esse material em água ionizada e esterilizada e levo para câmara de fluxo laminar, onde faço a assepsia [meio conhecido que previne infecções e impede a entrada de germes patogênicos] com álcool 70 e também hipoclorito”, explica ela. O procedimento da semeadura ‘in vitro’ da orquídea, conforme a bióloga, também passa por intensa assepsia.

Todo esse procedimento, de acordo com Eliane, serve para que não sejam levados componentes químicos para os demais experimentos. Depois de feita a assepsia, a bióloga planta essa gema limpa e esterilizada em um pequeno vidro com uma substância transparente semelhante a uma gelatina, chamada ‘meio de cultura’, e ali a planta clonada inicia o desenvolvimento. “No ‘meio de cultura’ existem todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da planta. Tudo o que tem na Terra, como água, oxigênio, hidrogênio, potássio, nitrogênio, também tem no ‘meio de cultura’, ou seja, é o meio ideal para o desenvolvimento da orquídea”, comenta.

Depois de introduzida a gema ou as sementes esterilizadas no ‘meio de cultura’, a bióloga lacra o recipiente, faz a identificação e leva para a ‘sala de cultivo’ para que ela cresça em condições adequadas. “Depois disso, essa plantinha terá condições plenas para se desenvolver nas condições ideais de temperatura e umidade controlada”.
A bióloga explica que a câmara de fluxo laminar é o local mais propenso para se realizar uma assepsia correta. “É um equipamento de laboratório projetado para criar áreas de trabalho estéreis para a manipulação de materiais biológicos que não possam sofrer contaminação do meio ambiente, garantindo a segurança da manipulação”.

Todos esses procedimentos servem para livrar qualquer tipo de contaminação no processo, isso porque “o ‘meio de cultura’ é ótimo para as plantas, mas também para fungos e bactérias. É um meio altamente nutritivo, por isso é necessário ter todo o cuidado”, alerta a bióloga.

COMERCIALIZAÇÃO

As sementes de orquídeas, de acordo com Eliane, têm cerca de 90% como germinar ‘in vitro’. Já no ambiente natural não chegam a 10%. “Mas, caso ocorra a perda do material, por origem de fungos, é muito mais fácil ocorrer na clonagem do que na semeadura, porque tem mais interferências”.

Com mais de 80 espécies nos experimentos, a bióloga do extremo oeste catarinense destaca que pretende em breve iniciar a comercialização das plantas. “Isso dá um bom retorno e as mudas reproduzidas ‘in vitro’ não possuem barreira fitossanitária; então você pode exportar com tranquilidade porque é um material genético limpo. Material de qualidade é garantia de mercado, já que a orquídea é venerada por muitas pessoas”.

EXPLORAÇÃO

A bióloga alerta que há uma exploração predatória muito grande de orquídeas no habitat natural. “A Mata Atlântica é um lugar ideal para o crescimento das orquídeas. Por isso, há muitas orquídeas no Brasil sendo predadas, isso pelo fato de ela ser uma planta linda e que tem sua importância econômica, ecológica e ambiental. Mas está sendo tirada de seu habitat natural indiscriminadamente. As orquídeas têm um baixo poder de multiplicação na natureza, já ‘in vitro’ é bem diferente, apresenta altos índices de multiplicação, por isso os laboratórios de reprodução de orquídeas também têm um papel importante”.

COLECIONADORES

A cabeleireira de 58 anos, Odina Euvira Belló, de São Miguel do Oeste, há mais de 20 anos cultiva orquídeas na propriedade. Atualmente, ela estima ter em torno de 1.500 plantas de cerca de 30 gêneros. “Comecei com uma cattleya, que por não saber cuidar dela adequadamente, acabou morrendo. Então procurei ler um pouquinho, comprei algumas fitas e DVDs e tomei gosto pela coisa. Isso para mim virou uma ‘orquideoterapia’, pois ensinou a ter mais paciência, esperar e cuidar carinhosamente das plantas”, comenta.

Para cuidar de todas as plantas, Odina conta que o marido também ajuda no cultivo das orquídeas. “É ele quem faz o serviço pesado como misturar a terra e arrumar as bancadas. Eu já cuido daquilo que é bem mais leve e fácil. A gente passa geralmente os domingos cuidando e dando atenção às orquídeas, adubando, pulverizando e medindo a quantidade de água adequada, já que uma orquídea pode morrer pelo excesso e não pela falta de água”, diz.

CAUTELA

Além destes cuidados, a cabeleireira destaca que é preciso atenção com algumas pragas que podem destruir a planta. “No ano passado, tivemos problemas com a ‘podridão negra’, onde a planta começa a adoecer de baixo para cima e quando chega à haste da flor, a orquídea já está comprometida e não há mais nada a ser feito”.
Odina conta, ainda, que também já teve problemas com a cochonilha, que se caracteriza por pequenas bolinhas brancas que se mantêm praticamente estáticas nos caules mais próximos às folhas. Depois, as folhas começam a apresentar manchas e murchar. Em casos extremos, pode levar a planta à morte. “Pensamos que dava apenas na folha, mas descobrimos que a cochonilha também dá na terra e ataca a raiz, por isso é necessário trocar todo o substrato e pulverizar”.

A cabeleireira ressalta que em se tratando de orquídeas sempre há alguma coisa para se aprender. “Dizem que a orquídea é uma coisa que se personaliza, então se você cuida muito de uma planta, ela se torna semelhante a você. Passei por problemas familiares e busquei nas flores alguma coisa que me preenchesse. As orquídeas realmente preencheram minha vida, fizeram com que eu não tivesse estresse, me ensinou a viver mais tranquila. Eu recomendo para as pessoas, pois cuidar de uma planta é uma excelente terapia”.
 

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