Baixas temperaturas e clima seco indicam período de estiagem

Baixas temperaturas e clima seco  indicam período de estiagem
Arquivo Folha do Oeste

Após o mês de agosto, a população deve se preparar para longo período de seca que pode durar até maio de 2011. Os maiores impactos serão percebidos no setor agrícola

Dias de frio intenso vão continuar. A meteorologia aponta chegada de uma nova frente fria na região a partir deste domingo, dia 1º. Previsões indicam uma queda acentuada da temperatura, que poderá ser considerada a mais forte do ano. Com isso, o início de agosto ainda será de chuvas e temperaturas baixas, que devem desaparecer somente com a aproximação da “primavera climática”, fenômeno que inicia antes do dia 23 de setembro, data estipulada em calendário.

De acordo com o meteorologista do Clima Terra, Ronaldo Coutinho, a primavera climática pode atrasar neste ano. Isso em razão de as previsões apontarem novas ondas de frio para setembro. “É possível que a primavera venha só em meados de setembro. Isso não quer dizer que não vai ter calor, vai ter sim. Mas haverá temperaturas extremas acentuadas”. Segundo o meteorologista, extremos acentuados são picos de muito frio ou muito calor. São períodos onde inexiste o equilíbrio de temperatura. “A partir de domingo, a temperatura vai despencar, vamos ter uma onda de frio muito forte. E para o mês de setembro não dá para descartar que ainda ocorram geadas”, destaca.
 
CLIMA SECO
Conforme Coutinho, a tendência é de que haja redução de chuvas a partir de meados de agosto, o que resultará em um clima seco para a região. “O segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011 vão ser secos e vamos ter muitos problemas com falta de água. A previsão é de períodos longos com pouca chuva e períodos curtos de muita chuva, o que predomina o risco de estiagem”, argumenta.
Na opinião do meteorologista, o volume de água é pouco significante. “Pode, por exemplo, chover 300 mm³ em cinco dias. E depois disso ficar um grande período sem que caia uma gota”, comenta. Ele cita o mês de abril de 2007, onde em oito dias choveu aproximadamente 400 mm³ na região, e mesmo assim houve perdas em razão da seca. “O volume de água não é o que mais importa. O que preocupa é que essa chuva vai vir mal distribuída”, observa.
 
REFLEXOS NA 
AGRICULTURA
Segundo o especialista, todos os setores sentem os reflexos dos períodos de seca. No entanto, ele aponta a agricultura como a maior prejudicada. “A seca vai até o ano que vem, abril ou maio. É coisa de longa duração. Então a safra 2010/2011 vai ser bem problemática”, alerta.
Conforme Coutinho, neste ano será necessário escalonar o plantio em cedo, meio e tarde. “Assim, o agricultor terá mais chance de garantir o plantio. Mas se plantar muito cedo, corre o risco de perder com a geada, que ainda pode ocorrer”, comenta.
 
ALERTA
De acordo com Coutinho, algumas precauções podem ser tomadas para evitar frustrações no plantio e na criação de animais. “É importante alertar para que, a partir de agora, o pessoal tome cuidado com as queimadas. Que captem o máximo possível de água das chuvas, dos telhados. Principalmente quem possui grandes aviários. Porque numa dessas, pode conseguir água apenas para beber e corre o risco de perder a criação”, conclui.
Para ele, embora as previsões apontem para o período de estiagem, ainda há probabilidade de ocorrerem pequenas chuvas no início, no meio e no final do ciclo de plantação. O que diminuirá os prejuízos provocados pela seca.
 
COMO PRECAVER
Conforme o gerente Regional da Epagri de São Miguel do Oeste, João Carlos Biasibetti, os efeitos de uma estiagem na região estão menores do que no passado. Contudo, ele observa que é necessário o agricultor tomar precauções. “O agricultor precisa, sim, escalonar o plantio. Precisa evitar o período de meados de dezembro a fevereiro, pois são meses que o sol estará presente 12 horas no dia”, destaca. Segundo ele, nesse período, a evapotranspiração (precipitação do processo de transformar a água da superfície em vapor) é elevada.
Na opinião de Biasibetti, o principal armazém de água está no solo. “Nosso agricultor precisa saber que o maior depósito de água que ele tem é o solo. Pois, com boa cobertura de inverno, o solo vai ter condições de guardar água para os períodos de seca”, explica. Segundo ele, os agricultores podem evitar frustrações no plantio e na criação com medidas de combate a estiagens e enchentes cíclicas, como: Efetuar manutenção constante em bebedouros; Aumentar depósitos de água; Verificar vazamentos em açudes; Construir cisternas; Realizar plantio direto na palha; Escalonar o plantio; Efetuar cultivo de culturas permanentes; Proteger e repor mata ciliar, córregos e nascentes; Reflorestar área de maior declividade; Implantar pastagens perenes de inverno e verão; Utilizar espécies resistentes à seca; Plantar em épocas onde não ocorra a floração e a formação de grãos nos períodos de maior probabilidade de estiagem e horas intensas de sol; Produzir para a autossuficiência da propriedade; Dimensionar as criações de acordo com a disponibilidade de água e alimento; Evitar acesso direto de animais a fontes de água natural; Organizar-se coletivamente para o abastecimento de água; Implantar centrais de tratamento de água; Assumir enchentes e estiagens como fenômenos cíclicos de presença constante na região; Descartar animais improdutivos da propriedade; Possuir reservas forrageiras para uso emergencial; Eliminar o uso de grade e arado; Realizar manejo adequado do solo; Reutilizar águas servidas; Planejar a propriedade para conviver com as enchentes e estiagens; Tratar os dejetos adequadamente. 
 
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