AVC: prevenir é o melhor remédio
Sedentarismo e hipertensão são as principais causas dos acidentes vasculares
O número de AVCs (Acidente Vascular Cerebral) ocorridos nos últimos dias tem assustado e deixado a população em alerta. Por esta razão, a equipe de reportagem do Folha do Oeste conversou com o médico neurocirurgião e especialista em cirurgia de coluna, Giancarlo Bregalda. De acordo com ele, o AVC, também conhecido popularmente como derrame cerebral, pode ser de dois tipos: Acidente Vascular Isquêmico - caracterizado pela falta de circulação em uma área do cérebro provocada por obstrução de uma ou mais artérias.
Ocorre em geral em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial, problemas vasculares e fumantes. Existe ainda o Acidente Vascular Hemorrágico - sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em virtude de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue e em traumatismos. Pode ocorrer em pessoas mais jovens e nesse caso a evolução é mais grave.
Conforme o profissional atuante em São Miguel do Oeste, o mais comum são os acidentes isquêmicos, ocorrendo em 80% dos casos. Dos hemorrágicos, 10% são intraparenquimatosas, que é a hemorragia no cérebro, e 10% são hemorragias subaracnóides, que são ocasionadas em volta do cérebro. “A gravidade depende do grau de sangramento. As últimas citadas são de extrema gravidade, porque a maior parte delas são secundárias a aneurismas cerebrais.
Segundo o neurologista, em um quarto dos pacientes que sofrem um AVC não será possível descobrir as causas. Dos que se sabe a causa, 25% podem ser por origem cardíaca causada por sedentarismo, falta de atividade física, hipertensão, tabagismo, alcoolismo, e todas essas facilitam as hemorragias, colesterol alto e triglicerídeos, que provocam os AVCs em grandes vasos. As causas são semelhantes, a hemorragia é muito pressuposta pela hipertensão, ou pode ser decorrente de uma má formação nos vasos.
TIPOS DE AVCs
AVCs cardioembólicos: com origem cardíaca;
AVCs isquêmico de pequenos vasos: algumas vezes até são confundidos com Alzheimer, porque a pessoa começa a perder um pouco do movimento, e mais tarde perde a memória. Quando se percebe, o paciente já foi atingido por vários pequenos AVCs. Também de uma origem diretamente ligada com a hipertensão;
AVCs isquêmico de grandes vasos: também têm origem com a formação de placas de gorduras em grandes artérias. Ocasiona danos altíssimos e uma mortalidade muito alta;
AVCs hemorrágicos intraparenquimatosas: é resultado do descuido. O paciente é hipertenso e não tem o controle pressórico adequado. No cérebro existem alguns espaços que possuem maior facilidade em sangrar, pelo formato dos vasos. As hemorragias acontecem de maneira espontânea, decorrentes da hipertensão e do estresse;
AVCs hemorrágicos subaracnóides: ocasiona a hemorragia em volta do cérebro. Costumam ter uma gravidade maior e são decorrentes de ruptura de aneurismas;
SINTOMAS E SINAIS
Bregalda destaca que os sintomas variam de acordo com a área que atinge o cérebro. Segundo ele, o AVC pode simplesmente ocasionar uma perda de memória, perda da mobilidade do braço. Os sintomas podem aparecer de maneira gradativa, como podem acontecer ao mesmo momento, depende da intensidade do acidente vascular.
“Sempre que você ver uma pessoa que estava previamente lúcida começar a falar confusa, com queixa de tontura, ou que perca a força em um membro, um braço ou uma perna, ou os dois no mesmo lado, uma paralisia de face, deve-se atentar sobre a possibilidade de estar sofrendo de um AVC”, alerta.
Conforme o profissional, os sintomas de um AVC hemorrágico costumam ser mais súbitos, com maior gravidade. Porém, são semelhantes ao do isquêmico, ou seja, provoca sensação de desconforto, tontura, fala enroladas, visão prejudicada, ou perdas súbitas.
TRATAMENTO
O paciente que sofrer um AVC isquêmico e procurar auxílio em menos de três horas poderá passar por uma trombólise, processo em que se faz a tentativa de desfazer o coágulo no vaso. Depois de três horas, utilizam-se os antiagregantes plaquetários. Já no hemorrágico não é possível optar por este procedimento.
O diagnóstico mais preciso será apurado após a tomografia. Após este exame, será possível definir se o tratamento é cirúrgico ou clínico. Quanto mais precoce for a procura pelo serviço de saúde, maiores serão as possibilidades de procedimentos. A avaliação é do neurocirurgião Giancarlo Bregalda.
PREVENÇÃO
Pessoas saudáveis possuem poucas possibilidades de sofrer um AVC. De acordo com o profissional da saúde, o AVC isquêmico é melhor identificado nas pessoas mais velhas, entre 60/70 anos. O AVC isquêmico em uma pessoa menor de 50 anos é considerado um AVC isquêmico em jovem. Além das causas habituais, que são as mais comuns, como o sedentarismo, colesterol alto, hipertensão, tabagismo, alcoolismo, ele também pode sofrer por doenças autoimunes.
Segundo o especialista, pacientes que já sofreram um acidente vascular devem redobrar os cuidados, pois pode ser novamente atingido por um AVC, porém de maneira mais aguda. “A prevenção acontece pode meio da atividade física e consulta periódica ao médico. A prevenção deve ser feita desde a infância, por meio de cuidados alimentares e evitando o sedentarismo. Evitar comer frituras, massas, fazer exames preventivos, evitar o fumo e o álcool”, orienta. Se o paciente possui algum familiar que sofreu AVC, os cuidados devem ser ainda maiores.
REGIÃO
Bregalda avalia que pelo tipo de alimentação que se tem na região, como por exemplo carne com fritura, churrasco com sal, são registrados poucos casos de AVC. Conforme ele, uma alimentação desta forma provoca uma predisposição maior na população. No entanto, ele destaca que é uma região em que as pessoas têm se cuidado por meio de exercícios físicos e controle da hipertensão, o que ajuda no processo de prevenção.
“O atendimento emergencial aos pacientes vítimas de acidentes vasculares tem melhorado cada vez mais na região. A chegada da UTI permite que a gente consiga oferecer um atendimento melhor. Em curto período de tempo vai se resolver tudo aqui. Mas, atualmente, quando o paciente sofre uma hemorragia, ainda faltam alguns materiais para poder fazer uma cirurgia. Mas em 30 dias esta situação deve estar resolvida. Hoje, a região já dispõe de ressonância, tomografia, avaliação cardiológica, o que facilita no processo de identificação”, salienta.
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