Autoridades criticam inércia do Gov. Federal
Para trazer à tona a urgente necessidade de providenciar mais vacinas e acelerar o processo de imunização dos catarinenses, a Fecam (Federação Catarinense de Municípios) reuniu na manhã de sexta-feira, dia 26, autoridades e representantes de instituições da área da Saúde no seminário online Vacina para Todos e Grupos Prioritários.
Entre as manifestações apresentadas durante o debate conduzido pelo Especialista em Saúde Pública e Consultor de Saúde da Fecam, Dr. Jailson Lima, estiveram a preocupação com grupos prioritários, o negacionismo à ciência, a inércia do Governo Federal durante todo o período da pandemia, o cenário de colapso no sistema de saúde catarinense e a cobrança por medidas mais rígidas para frear a curva de contaminação no Estado. Também participaram do evento a Diretora Executiva da Fecam, Sisi Blind, e o Assessor da Presidência, Rodrigo Fachini.
Deputado Estadual, integrante da Comissão de Saúde da Alesc (Assembleia legislativa de SC), Vicente Caropreso afirma que é necessário defender a ciência para resolver um problema tão grave. "Gostaríamos que o Governo também investisse em comunicação social de massa, bem como todos da sociedade civil organizada, para fazer com que o cidadão comum faça sua adesão a esse grande movimento de cuidado com a saúde. É hora de os órgãos de controle identificarem também os debochadores, que fazem propaganda enganosa, principalmente contra a vacinação", diz.
Assim como ele, o médico, secretário da Saúde de São Bento e presidente do Cosem/SC (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de SC) afirma que "Fora a vacina e fora o distanciamento social, tudo que for tentado fazer para impedir a epidemia é enxugar gelo na ponta, não vai adiantar absolutamente nada", e relata também que deve haver eficiência na imunização.
O membro do Tribunal de Contas de SC, Herneus de Nadal afirma que a situação poderia estar pior se os municípios não tomassem medidas para proteger a população, e coloca que o governo federal não tem dado devida atenção. "Qual é a utilidade de um telefonema do Presidente da República para um prefeito que não tem respirador e vacina? O telefonema de um presidente negacionista não resolve coisa alguma para nossa população. Cada um tem sua preferência, escolha partidária, mas agora precisamos de um chefe de estado, de um líder. O que resolve falar com Pazuello, se ele tem uma intervenção direta do presidente da república na sua pasta? Não celebrou um contrato de vacina até hoje", coloca.
Também foi discutido durante a reunião a vacinação de trabalhadores de frigoríficos, sobre incluir estes trabalhadores como prioridades, visto que há diversos surtos de contaminação em Santa Catarina e no Brasil. O professor do departamento de Saúde Pública da UFSC, no entanto, afirma que a classe não é a única que está em perigo constante e que repriorizar categorias é romper com lógicas epidemiológicas que sempre fundamentaram o PNI (Plano Nacional de Imunização) "O SUS tem hoje mais de 30 mil salas de vacina habilitadas que poderiam vacinar até 10 milhões de pessoas por semana. O problema é a demora, não houve planejamento por parte do Governo Federal. E se a vacina é para todos, que ela seja pública e de responsabilidade do SUS, caso contrário ela não é para todos", afirma.
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