Ato público dá vez às reivindicações contra a queda do preço do leite

?Estamos aqui para demonstrar que estamos cansados de trabalhar de graç

\"Estamos aqui para demonstrar que estamos cansados de trabalhar de graça!\". Com as palavras de um agricultor familiar, assim iniciou oficialmente o ato público contra a baixa do preço do leite. O movimento organizado pela Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina) e a Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul), na manhã da última quinta-feira, dia 6, interrompeu o tráfego de veículos que transportam leite e derivados, no trevo de acesso a Laticínios Cedrense, na BR-163, em São José do Cedro.

Os agricultores começaram a se organizar para a manifestação desde a madrugada. A partir da 1h da manhã, a entrada da Laticínios Cedrence foi bloqueada, inclusive com a participação de alguns funcionários que não foram trabalhar. Com o auxílio da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal, o trânsito no local foi bloqueado em meia pista para que a manifestação pública pudesse ocorrer tranqüilamente. Por volta das 9h, cerca de mil pessoas já estavam reunidas para dar início ao ato público. Dentre elas, líderes sindicais, agricultores, prefeitos dos municípios da Ameosc, representantes do legislativo municipal da região e comerciantes. Em São José do Cedro, o comércio ficou fechado durante toda a manhã, para demonstrar apoio às reivindicações dos agricultores.

MOTIVOS

O ato foi conduzido pelo presidente da CCAF (Central de Certificação e Assessoria para Agricultura Familiar), Rolf Sprung. De acordo com ele, o movimento foi realizado com o objetivo de se promover uma discussão em torno desta situação que está prejudicando o agricultor familiar. \"Pretendemos neste momento começar um processo de negociação com as empresas, e paralelamente negociar com o Governo, para que ele auxilie comprando o excedente de produção e também melhore a questão da importação do leite em pó. Enfim, que se encontrem soluções para uma série de medidas que viabilizem a manutenção do agricultor no meio rural. Porque com R$ 0,30 centavos, com certeza não é possível que a família do agricultor se mantenha no meio rural trabalhando e produzindo leite, porque o custo de produção está hoje em torno de R$ 0,52 centavos, então o agricultor está pagando para trabalhar\", enfatiza.

Após a palavra de cada representante, um documento de reivindicação, elaborado pela Fetaesc, foi exposto para todo o público presente, e aberto para aprovação. Com unanimidade dos votos o documento foi aprovado e entregue para uma comissão, que estará visitando todas os laticínios da região, para realizar as negociações. As primeiras visitas foram feitas logo após o ato público. Diante de respostas negativas dos diretores dos laticínios visitados, os agricultores resolveram interromper por completo o tráfego do trevo na BR-163 por duas horas, no período da tarde.

Conforme o representante da Fetaesc e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Oeste, Joel de Moura, os diretores mantiveram a palavra de que o preço se manterá como está pelo menos até o próximo pagamento. \"Tivemos pelo menos a garantia de que se manterá o preço no próximo pagamento. Com uma leve previsão de aumento para o futuro, talvez não para esse mês, mas em outros meses. E a gente queria um reajuste garantido já no próximo pagamento, e por não termos essa garantia os agricultores decidiram bloquear toda a rodovia por duas horas\".

Diante dessa situação, os agricultores decidiram que, caso as negociações não tenham êxito nos próximos 15 dias, um novo movimento será feito, só que desta vez interrompendo o funcionamento de todas os laticínios do estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

COOPERALFA APÓIA MANIFESTO

Em nota à imprensa, a direção da Cooperativa Regional Alfa apresentou apoio às reivindicações dos agricultores. Segundo eles, a Cooperalfa entende que o leite é o \"ouro branco\" que sustenta cerca de 90% das propriedades enquadradas na agricultura de economia familiar de SC e, mesmo que 30% da produção leiteira catarinense percorra as vias da informalidade, é procedente a atitude dos produtores rurais em clamarem por ajuda governamental.

De acordo com a direção, é necessário que indústrias, ONGs, intermediários, cooperativas, sindicatos, federações e governos encontrem caminhos urgentes e viáveis para diminuir o impacto do excesso de oferta interna. E enfatizaram que as 14,5 mil famílias de associados à Cooperalfa esperam que o Governo federal contribua para abrir caminhos externos, e essa ação é tida como fundamental para desafogar a oferta e reequilibrar os preços.

Documento de reivindicação: principais exigências

Para as agroindústrias e os laticínios

* Recuperação imediata dos preços pagos aos produtores;

* Definição de parâmetros para pagamento do leite;

* Divulgação até o dia 1º de cada mês do preço mínimo a ser pago pelo litro de leite;

* Preço mínimo de referência de R$ 0,60 por litro de leite garantindo uma margem de lucro de 30%;

* Que todas as empresas efetuem o pagamento \"do cheque\" do leite até o 5º dia útil do mês;

Para os governos

* Inclusão do leite fluído em pó nas compras públicas para programas sociais e de merenda escolar;

* Revisão das políticas de incentivos fiscais concedidos às indústrias para beneficiar também os produtores;

* Criação imediata de campanha de divulgação e incentivo ao consumo de leite e derivados;

* Criação de mecanismos e sustentação de preços do leite.

Anterior

Apresentações culturais movimentam alunos do Ceja

Próximo

Secretaria de Saúde volta a atender em turno normal

Deixe seu comentário