Arroz sequeiro melhora alimentação de famílias

Arroz sequeiro melhora alimentação de famílias
Divulgação

ambém chamado de arroz de terras altas, o arroz sequeiro é produzido em regiões onde não é possível trabalhar com irrigação. Estima-se que 25% do arroz produzido no mundo seja oriundo desse sistema de cultivo

Ao longo dos anos, o arroz que ia à mesa das famílias rurais de Guaraciaba deixou de ser produzido nas propriedades para ser comprado no supermercado. Segundo o escritório da Epagri no município, em 2004, 75% das famílias das Microbacias de Lajeado Ouro Verde e Rio Flores não cultivavam mais o arroz que consumiam. Conforme o facilitador das microbacias beneficiadas de Guaraciaba, Adriano Canci, além de não produzirem o arroz, 50% dessas pessoas também não plantavam feijão para o consumo.
Com o objetivo de estimular a produção de arroz sequeiro e propiciar mais renda e menos gastos aos produtores, a Epagri e o Projeto Microbacias 2, em parceria com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) criaram um projeto que incentiva o  plantio desta variedade de arroz nas propriedades; o diferencial da produção é o cultivo sem o uso de agrotóxicos.
Sementes de mais de 30 variedades locais foram resgatadas e avaliadas em unidades experimentais de pesquisa participativa. ?Há variedades com ciclo precoce e tardio, de diferentes cores que, produzidas sem agrotóxicos, são extremamente saudáveis e têm qualidade nutricional diferenciada?, destaca o engenheiro agrônomo Clístenes Guadagnin, extensionista da Epagri.

KIT DIVERSIDADE
Em 2005, foi criado o Kit Diversidade, um conjunto de sementes crioulas que são distribuídas entre as famílias para promover a alimentação de acordo com princípios da agroecologia. ?Ao reduzir a aquisição de insumos externos, as famílias economizam e utilizam melhor os recursos da propriedade?, conta Canci.
Há quatro safras, ações de pesquisa participativa avaliam as variedades em diferentes condições e épocas para conservar a diversidade e melhorar a qualidade genética das sementes. ?Considerando tratar-se de arroz de terras altas, que é cultivado sem irrigação e apenas com adubação orgânica de aves e em algumas propriedades com pó-de-basalto, a produção alcançada foi de até oito toneladas por alqueire, o que é bem superior à média catarinense em cultivos com tecnologia semelhante?, aponta Adriano. Com esses resultados, as famílias têm abastecimento garantido e produzem excedentes que são comercializados ou trocados entre vizinhos.
Em 2004, apenas 150 famílias de Guaraciaba plantavam o arroz que consumiam. Hoje são mais de 400. A produção no município abrange 60 alqueires divididos em áreas de 400 m² a 5.000 m². A partir dessa iniciativa, foram desenvolvidos trabalhos semelhantes em Princesa, Barra Bonita, Paraíso, Anchieta e Bandeirante. ?As famílias passaram a conhecer novas variedades e, agora, se preocupam mais com a produção de alimentos para sustento familiar?, destaca Leandro Hübner, técnico agrícola da Epagri/Escritório Municipal de Princesa.

PRIMEIROS
RESULTADOS
Há mais de 15 dias, a Epagri de Bandeirante, em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, implantou uma unidade demonstrativa de arroz crioulo na propriedade da família de Vanderlei e Silvane Herbert, na comunidade de Novo Encantado.
Foram semeadas 18 variedades de arroz crioulo provenientes dos municípios de Bandeirante, Princesa, Guaraciaba e Anchieta.
Segundo o extensionista da Epagri em Bandeirante, José Clóvis Moreira, a iniciativa também visa resgatar as sementes crioulas, bem como o uso, conservação e manejo da agrobiodiversidade associada ao conhecimento local, focando principalmente a segurança alimentar das famílias rurais, através do fomento à produção de alimentos saudáveis para o autoconsumo.
Moreira explica que serão observados e avaliados na unidade demonstrativa alguns aspectos como a produtividade, a adaptação ao solo e o clima da região, o crescimento e o desenvolvimento das plantas, a época de floração e o encaixamento, a resistência a doenças e insetos e os aspectos gastronômicos.
?Desde o dia 18, quando foram semeadas, as plantas já começam a germinar de uma forma bem satisfatória, sendo que apenas uma das variedades apresentou problemas. Agora vamos acompanhar todo o desenvolvimento até a colheita, que deve ocorrer em meados de março do ano que vem?, diz Moreira.
Para o agricultor Vanderlei Herbert, dono da propriedade onde está sendo feito o experimento, a expectativa é de no final do ciclo se conseguir uma boa colheita. ?Vamos observar os resultados da produtividade de cada variedade que foi cultivada para faturamento, para então começarmos o plantio com as espécies que melhor se adaptaram e produziram. Pretendemos resgatar esse hábito e cultivar para consumo próprio. Esse arroz será produzido de maneira mais natural, sem agrotóxicos, o que será um grande vantagem?.
 

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