Agroindústrias familiares

Agroindústrias familiares
Folha do Oeste

Agricultor de SJOeste buscou por alternativas rentáveis de agroindustrialização em pequena escala que garantissem a subsistência familiar

Em busca de novas opções de renda, pequenos agricultores procuram cada vez mais alternativas que garantam subsistência e também melhor qualidade de vida. Um exemplo de nova possibilidade de renda no meio rural são as agroindústrias familiares, que contribuem muito na agregação de valor por meio da industrialização de produtos agropecuários.

Em geral, essas pequenas unidades familiares não diferem das médias ou grandes agroindústrias, pois igualmente necessitam de métodos de controle de custos, de produção e de receitas que garantam a sobrevivência dos estabelecimentos.

Foi acreditando na proposta da agroindústria que o morador da comunidade Cristo Rei, em São João do Oeste, Afonso Rodrigues da Silva, de 52 anos, decidiu transformar o sonho de ser dono do próprio negócio em realidade. Depois de trabalhar mais de 20 anos em diversos laticínios da região oeste catarinense, Rodrigues, como é conhecido popularmente, tomou coragem e com o apoio da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) se motivou a concretizar o ideal de se tornar um empresário do meio rural.

Com uma larga experiência no setor de laticínios, Rodrigues queria produzir queijos coloniais para comercialização, mas para isso precisava estruturar um laticínio. “Sempre sonhei ter um negócio próprio, não sabia exatamente o quê. Como tinha experiência na produção de queijos, pensei em um laticínio, mas achava que esse tipo de negócio era coisa para gente com capital”, conta.

O extensionista da Epagri de São Miguel do Oeste, Domingos Rogério Donadel, destaca que antes de iniciar as atividades em uma agroindústria, um dos quesitos que o agricultor deve levar em consideração é a viabilidade técnica e econômica do negócio. “Outra coisa importante que deve ser levada em conta é o interesse do agricultor no setor e se vai ter empenho em trabalhar com a área que tem interesse. Mas, geralmente, a maioria dos que iniciam são pessoas que de uma forma ou outra já vinham fazendo essas atividades de maneira informal ou até para abastecimento familiar”, diz ele, que acrescenta: “O agricultor já tem de uma forma ou outra alguma experiência no segmento. Pouca gente inicia com conhecimento zero na área”, destaca Donadel.

DESAFIO
O extensionista enfatiza que um dos maiores desafios para os agricultores que querem iniciar atividades com agroindústrias é a comercialização dos produtos. “Para produzir é relativamente fácil, ou é muito mais viável. Agora comercializar é uma questão bem mais difícil, por alguns motivos, como por exemplo a concorrência do mercado. Existem muitos agricultores com deficiencias em comercializar, pois não estão preparados para isso”.
A comercialização e a clientela, no entendimento de Donadel, tendem a demorar um tempo, pois vão depender da habilidade do agricultor em comercializar e também da credibilidade e qualidade dos produtos.
 

COMEÇO
No início dos anos 2000, Rodrigues lançou-se na busca por recursos, fez um empréstimo e também realizou cursos de aperfeiçoamento na área láctea e assim começou a agroindústria, principiando por uma pequena produção de queijos coloniais. “Tínhamos 12 vacas de leite e no início produzíamos 40 litros de leite por dia”, lembra ele, que destaca, ainda, que para garantir a quitação do financiamento reservou uma parte da propriedade para plantar fumo. “Pedi ajuda para nosso vizinho na plantação do fumo, que serviria como garantia caso nosso negócio não desse certo no começo”, relata.

Contudo, não demorou muito e os queijos produzidos na agroindústria começaram a ganhar os pequenos mercados da região extremo oeste. Com isso, Rodrigues ressalta que a procura aumentou e consequentemente houve um acréscimo na produção. “Vendemos as vacas e começamos a comprar leite de produtores fixos”. A produção do laticínio do novo empreendedor rural em pouco tempo passou a ser de 500 litros de leite ao dia.

Assim, com os lucros obtidos, o empresário começou a investir no próprio negócio. Com um segundo financiamento, 90% maior que o primeiro, Rodrigues adquiriu um caminhão frio, uma caldeira, e diversos outros equipamentos. “Fizemos essas reformas para podermos nos adequar às normas da Inspeção Estadual e assim vendermos nossos produtos com garantias. Fizemos isso porque é muito difícil sobreviver somente com a inspeção municipal”, destaca.

As atividades dentro da agroindústria são realizadas pelos dois filhos e também pela esposa de Rodrigues. Há praticamente dez anos no mercado, o empresário rural diz que atualmente está contente com o empreendimento. “Estou satisfeito, apesar das dificuldades, mas valeu muito a pena. Trabalho com a família e tenho meus filhos em casa ajudando. Com esse investimento, pudemos pagar a faculdade e os estudos deles, que espero que deem continuidade a esse serviço”, comenta.

EXPANSÃO
Atualmente, são produzidos queijos coloniais e mussarelas no laticínio de Rodrigues. Os produtos são revendidos para as cidades de Itapiranga, São João do Oeste, Tunápolis, Iporã do Oeste, Mondaí, Riqueza, Caibi, Palmitos, Santa Helena, Descanso e São Miguel do Oeste. Apesar de estar em uma situação estável, Rodrigues reclama da quantidade de impostos que precisa pagar. “Hoje, com impostos inclusos, temos, com gastos fixos, cerca de R$ 6 mil por mês, fora o pagamento do leite. É complicado, mas é bem mais tranquilo hoje ser dono do que empregado”.

De acordo com Donadel, o mercado local, que pode ser considerado um mercado pequeno, tem espaço para algumas empresas rurais e, com o tempo, a tendência é que o número desses empreendimentos rurais aumente. “Mas, para as agroindústrias crescerem mais, terão que vender para fora da região e para isso será necessária uma organização da comercialização”, aponta.

Mudança no governo de Belmonte Anterior

Mudança no governo de Belmonte

Trânsito volta a entristecer o Oeste Próximo

Trânsito volta a entristecer o Oeste

Deixe seu comentário